Morre vigilante agredido por ambulantes na linha 7 da CPTM

Imagem dos suspeitos, captada pelas câmeras de segurança da estação (Foto: CPTM)

Ocorrência foi na segunda feira.  Companhia de trens classifica episódio como bárbaro e diz que colabora com investigações

ALEXANDRE PELEGI

Morreu nesta sexta-feira, 09 de agosto de 2019, o segurança da CPTM – Companhia Paulista de Trens Metropolitanos, Salatiel Gomes da Silva, de 51 anos.

No início da semana ele foi agredido por vendedores ambulantes na estação Botujuru, em Campo Limpo Paulista, Linha 7-Rubi da CPTM.

Internado desde a agressão, com vários ferimentos produzidos pelo espancamento, Salatiel não resistiu. Ele e um outro segurança foram vítimas de ataques com pedaços de pau e pedras.

Informações da polícia dão conta de que os ambulantes tentaram entrar na ferrovia sem pagar passagem.

Nenhum suspeito do crime foi preso.

Fatos como esse têm ocorrido com frequência. Em encontro com portais especializados em mobilidade urbana, dentre os quais o Diário do Transporte no último dia 30 de julho, o presidente da estatal, Pedro Moro, afirmou que a CPTM deve lançar ainda neste ano uma licitação para ampliar o número de vigilantes privados nas estações e nas composições. Relembre: Licitação da CPTM vai prever mais agentes de segurança e vigilância dentro dos trens, diz Pedro Moro

A CPTM divulgou nota lamentando o falecimento do segurança, afirmando que está empenhada em colaborar com as investigações “para que os criminosos sejam localizados e responsabilizados por este crime bárbaro“.

Leia a nota na íntegra:

Estamos em luto.

Perdemos um de nossos vigilantes agredido covardemente na última segunda-feira por vendedores ambulantes na Estação Botujuru, da Linha 7-Rubi.

Lamentamos profundamente e nos solidarizamos com a dor da família neste momento tão difícil. Empenhamos nossos esforços em colaborar com as investigações para que os criminosos sejam localizados e responsabilizados por este crime bárbaro.

Esta triste situação não pode se repetir, por isso reforçamos que o comércio ambulante é proibido na CPTM. Precisamos da conscientização e colaboração de todos os passageiros para combater essa questão, não incentivando a prática e denunciando nos nossos canais diretos com a Segurança. A melhor forma de combater é não incentivar. Não compre mercadorias de ambulantes nos nossos trens.

O Sindicato dos Ferroviários de São Paulo também divulgou nota lamentando o caso.

É com grande pesar que comunicamos o falecimento do vigilante Salatiel Gomes, que atuava na CPTM. Ele e outro colega foram covardemente agredidos a pedras e pauladas, ao tentarem impedir que um grupo entrasse sem pagar na estação Botujuru, no dia 05/09.
Quanto vale uma vida? O sindicato vem cobrando da empresa uma política de resultados, autonomia e respaldo ao seu corpo de segurança, justamente pelo crescimento de ocorrências. Passou da hora de mudar a política de segurança da CPTM, com maior valorização e proteção à funcionários e usuários.
A diretoria do sindicato espera que esse crime covarde e brutal seja esclarecido e que os culpados, direta ou indiretamente, sejam responsabilizados!

Câmeras de segurança da CPTM filmaram os suspeitos, mas não o momento da agressão:

Não é o primeiro caso de agressão grave entre seguranças e vigilantes da CPTM e ambulantes.

No dia 21 de fevereiro de 2019, um grupo de 30 vendedores ilegais espancou cinco seguranças da CPTM, na Estação Santa Terezinha, da linha 8-Diamante, em Carapicuíba, na Grande São Paulo.

Passageiros gravaram a cena e as imagens logo se espalharam.

Em fevereiro, grupo de ambulantes combinou agressão a seguranças

O ataque foi combinado pelo aplicativo WhatsApp entre os vendedores, de acordo com áudios obtidos pela Polícia Civil.

O vídeo divulgado em redes sociais mostrava que os vendedores ilegais armaram a emboscada dentro do trem. As agressões continuaram na plataforma e nos trilhos.

Em um dos momentos, mais de dez homens cercaram e bateram em apenas um agente de segurança.

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

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Comentários

Comentários

  1. CASSIO ROGERIO SABINO disse:

    Não adianta colocar mais seguranças sem poder de polícia, ou volta a Polícia Ferroviária ou se cria um batalhão específico dentro da Polícia Militar para patrulhar as nossas ferrovias, inclusive com liberdade para atirar, prender se não houver jeito matar, atos extremos geram atitudes extremas, não podemos generalizar, mais muitos desses camelos são bandidos e bandidos só podem ter dois destinos: ou preso ou morto….. Antes de me criticarem ofereceram ajuda a família desse segurança que foi morto invés de dizer que os camelôs tem direito a trabalhar

  2. Alfredo disse:

    Camelôs só enchem o saco e deixam um rastro de sujeira Onde ficam, operação delegada dentro dos trens e Metro, borracha no lombo destes infratores que não respeitam ninguém, e fiscalização também nos terminais de ônibus, onde a maioria faz o golpe do bilhete

  3. Estes algozes são reflexos da sociedade, em que homens e mulheres se amaziam, e logo procriam ( é de graça, fácil de fazer), em nome do amor, logo vem as rusgas e a separação. Sobra à ela ser a responsável pela criação, indesejada, já que o macho corre fora , não reconhece e nem participa da pensão. Crescem estas crianças, desnorteadas, mal amadas, não participam de ensino, da religião, e crescem feito bestas humanas. Um Alien que ataca quem tiver pela frente, sedentos em obter de forma violenta tudo na vida, bens dos outros levando até a vida da vítima, Agora estes “pseudo ambulantes” ainda tentam de forma menos abrupta ganhar a vida. Parte deles são egressos da Fundação CASA, talvez. Poucos de nós sabe que a PERIFERIA produz seres como estes a cada minuto, hora, dia, aumenta, crescem sem um rumo na vida,,,Basta ver na sua vila, em alguma esquina tem um grupo, de adolescentes óciosos. Eu conheço uma região em que a vila toda, a maioria dos meninos e meninas, não tem pai (Mogi das Cruzes-SP), e eu como um pai tento evitar mais um, que adotei desde seu nascimento, hoje com 17 (idade perigosa) e um pai vivo mas omisso, procriando aqui em Santo André, com mais 3 moleques com 1 na mesma idade que seu filho. Imagina somar todas a periferias do Brasil….SERÃO MILHÕES QUE TEREMOS DE AGUENTAR..Não os culpo, eles não pediram pra nascer.. Que Deus conforte a familia do funcionário

    1. Yasmin lorenzoni disse:

      Não entendi nada mas concordo

  4. vagligeiro disse:

    O combate aos vendedores ambulantes deve ser feito de forma inteligente. A manutenção deste método atual (perseguição e inibição) não contribui para a retirada do ambulante do sistema. Existe corrupção interna dos agentes, e quem não participa deste esquema de corrupção, acaba sendo alvo de violências como esta da matéria. :(

    Mesmo os ambulantes mais antigos não gostam da violência ocorrida, dado que costumam fazer amizade com vigilantes e atuarem de forma discreta, sem abusos. E acabam tolerando o comportamento dos violentos pois são minoria.

    Quando falo de inteligência, é de seguir os rastros dos ambulantes e identificar as falhas que os fazem cometer a proibição de venda. Ou seja:

    – achar os pontos de falha de acesso nas linhas (geralmente ambulantes usam-se de áreas de menor visão para entrar no sistema sem pagar),
    – os motivos para a manutenção destes (se é possível criar lojas e espaços de venda nas estações, assim incentivando o consumo ANTES do embarque no trem),
    – motivos sociais (a participação de assistentes sociais para identificar mendicância, trabalho infantil e abusos trabalhistas)
    – e motivos financeiros (participação de uma equipe multipastas com membros da receita, trabalho e assistência social para identificar quem está atuando como ambulante e achar uma forma que ele possa ter um trabalho mais estável e seguro para o mesmo).

    E claro, a participação das polícias militar e civíl para identificar pessoas que abusam e cometem violências, além do fato de também monitorar e auxiliar na ação das equipes citadas anteriormente.

    Imagino que é a terceira ou quarta morte de profissional de segurança nos últimos anos, dado o aumento dos ambulantes. Salvo engano, há mortes não reportadas de ambulantes também, o que gera também um ciclo de violência e tensão entre os profissionais de segurança e os ilegais da história.

    O combate a tudo isso deve ser político, não uma guerra. Toda guerra gera mais violência, e como consequência, perdas inclusive para quem não está no meio dela.

  5. Paulo Gil disse:

    Amigos, boa noite.

    Uma coisa é óbvia.

    O dia que a CPTM quiser acabar com os ambulantes ela acaba; só não acaba porque não quer.

    Haja visto a comunidade que havia nos arredores ou no local onde hoje é a Avenida Águas Espraiadas ou Roberto Marinho, de um dia para o outro a comunidade foi retirada.

    Eu particularmente entendo que os ambulantes são iguais ao UBER; eles vão até o cliente; portanto o cliente compra seus produtos.

    Sem contar que alguns ambulantes são verdadeiros artistas e deixam nossa viagem muito mais legal e alegre.

    Outro dia no metro tinha uma dupla sertaneja sensacional e deixou nossa viagem muito prazerosa.

    Mas como no Barsil tudo é na base da muleta; deixa rolar.

    Se não pode; não pode; mas no Barsil tudo pode; haja visto o nosso sistema político; então deixem os ambulantes em paz.

    Me digam; quem nunca comprou uma água de um ambulante da CPTM; num dia quente?

    Portanto…

    Mas, não exijam dos seguranças o que a CPTM não faz; nem com as câmaras dos trens e das estações.

    Lembrando, que o dia que a CPTM quiser acabar ela acaba; simples assim.

    Mas aqui no Barsil o que o poder público gosta é do quanto pior melhor; para o povo é claro.

    Att,

    Paulo Gil

  6. Tiago disse:

    um tremendo desvio de função fazer o vigia patrimonial parecer ter alguma função de segurança/policial/inibidor de qualquer coisa. ele não tem. coitados desses caras. a indenização para a família tem que ser alta e a CPTM tem que pagar. expôs o cara que não tem nada a ver com a treta e agora o filho dele não vai ter mais acesso ao sustento. tá errado isso aí

  7. Rodrigo Zika! disse:

    Pra que tem câmeras então nos trens? Pra sobrar pra seguranças que nem armados podem andar, e podem ser lixados pro grupos de ambulantes em estações mais afastadas nas periferias, onde tem muito menos segurança e entradas pra eles pularem e não pagar, isso e um absurdo, a CPTM e omissa quanto a isso e não e de hoje, ou coloca quem pode trabalhar como segurança de verdade, ou coloca quem não faz isso em locais restritos pra evitar mortes, vergonha.

  8. Ismael Junior disse:

    Enquanto nos sistemas gerenciados pela CBTU as estações e os trens parecem verdadeiras feiras livres, onde o vigilante patrimonial toma conta apenas da estação (que é sua atribuição) e não faz o papel de fiscalizar o comércio ambulante…

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