Dia do Ferroviário é comemorado nesta terça-feira

Paranapiacaba é exemplo de local desenvolvido em torno da ferrovia, no Brasil. Foto: Divulgação / Governo do Estado de São Paulo.

Trem impulsionou desenvolvimento de diversas regiões do Brasil

JESSICA MARQUES

O Dia do Ferroviário é comemorado nesta terça-feira, 30 de abril de 2019. Nesta data, diversos municípios celebram a importância da ferrovia para a história local e para o desenvolvimento socioeconômico do país.

O trem foi responsável por impulsionar o desenvolvimento de diversas regiões do Brasil. Vários municípios cresceram em volta da ferrovia e, o Dia do Ferroviário, foi criado para homenagear o trabalhador que participou ou ainda faz parte deste processo.

Exemplo de região que cresceu em torno da ferrovia é Paranapiacaba, uma vila criada pelos ingleses entre 1865 e 1867 para moradia dos ferroviários da linha Santos – Jundiaí, uma das ligações ferroviárias pioneiras do Brasil.

Pertencente à cidade de Santo André, no ABC Paulista, a vila é cercada por belezas naturais. O nome Paranapiacaba significa “lugar de onde se vê o mar” e faz jus à localização geográfica da região.

Isso porque a partir da vila é possível avisar o oceano do litoral sul. Isso quando a característica neblina da Serra do Mar não atrapalha a visão e deixa o clima mais frio.

A vila também é marcada por diversas histórias que envolvem grandes empreendedores, como Irineu Evangelista de Sousa, o Barão de Mauá, idealizador da linha; governos; investidores internacionais e grandes barões do café, já que o principal objetivo da ligação ferroviária foi inicialmente facilitar a exportação da produção, com o escoamento do produto do interior paulista até o Porto de Santos.

Por meio das redes sociais, o prefeito de Santo André, Paulo Serra, mencionou a história de Paranapiacaba e informou que a vila turística está sempre disponível para visitação.

“Neste 30 de abril, é comemorado o Dia do Ferroviário, por isso prestamos homenagem a todos os que trabalham em estradas de ferro. A história de Santo André está intimamente ligada às ferrovias. Foi por conta da São Paulo Railway – a primeira estrada de ferro do estado – que o município começou a surgir”, disse Serra, por meio do Facebook.

Também marcou a história da chamada Vila Inglesa, que tem até uma réplica do relógio Big Ben, o trabalho anônimo dos milhares de ferroviários que aturaram no ir e vir de pessoas e mercadorias e na construção de uma sociedade que deixava de ser rural para se tornar predominantemente urbana.

Um destes profissionais foi Romão Justo Filho. Conheça a história do ferroviário que salvou diversas vidas na reportagem deste link: HISTÓRIA: Paranapiacaba e um modesto herói da ferrovia

HISTÓRIA DA VILA DE PARANAPIACABA

Confira a história de Paranapiacaba, conforme divulgado pela Prefeitura de Santo André:

Em 1850 Irineu Evangelista de Souza, o Barão de Mauá, empenhou-se na construção de uma Estrada de Ferro e, em 1856, um Decreto Imperial concedeu a ele o privilégio da construção e o prazo de 90 anos para sua exploração. Em 1860 conseguiu reunir capital suficiente e formou a empresa The São Paulo Railway Company Ltd. – SPR para construí-la. Paranapiacaba surge como acampamento para os trabalhadores que construíram o trecho da Serra do Mar. Com a inauguração da ferrovia, em 1867, a empresa viu-se obrigada a manter operários no local para a operação dos serviços e manutenção das obras. Posteriormente à duplicação da ferrovia edificou-se uma nova vila no Alto da Serra, a Martin Smith, de ruas arborizadas com alinhamentos regulares e sistemas de água e esgoto.

Na década de 1940 a Vila sofreu duas marcantes intervenções: em 1945 passou a chamar-se Paranapiacaba e, no ano seguinte, a São Paulo Railway Co. foi incorporada ao Patrimônio da União e passou a ser administrada pela Estrada de Ferro Santos a Jundiaí – EFSJ, terminando assim a presença dos ingleses na região. Ao receber o patrimônio, em 1946, o governo federal esforçou-se em manter a qualidade no transporte de carga e de passageiros que os ingleses tinham até então.

No tempo dos ingleses a Vila de Paranapiacaba apresentava certo ar europeu, romântico, com casas de madeira, quintais separados por cercas vivas e ruas calmas, ladeadas de pinheiros, em contraste com a Parte Alta, que recebeu uma ocupação urbana marcada pela herança portuguesa, com ruas estreitas e casas de pequenas frentes edificadas junto ao alinhamento. Unindo a Parte Alta à Parte Baixa há uma ponte metálica destinada exclusivamente aos pedestres e bicicletas, que se mantém até hoje após algumas reformas.

Em 1982 o Sistema Funicular construído pelos ingleses deixou de funcionar. Foi o fim de uma era de glamour e o começo de uma luta pela preservação do que ainda restava da História da ferrovia inglesa. Iniciava-se um movimento para a redestinação de Paranapiacaba a fim de transformá-la num polo turístico que mostrasse a beleza de seu casario, matas, águas e trilhas, que envolvesse as pessoas em seu clima mágico, histórico e cultural. Em 1987 foi elaborado pela Emplasa, empresa estadual de planejamento metropolitano, o Plano Integrado de Preservação e Revitalização de Paranapiacaba e, nesse mesmo ano, o Condephaat, órgão estadual de preservação do patrimônio, publica seu tombamento histórico, abrangendo a área do núcleo urbano, os equipamentos ferroviários e a área natural ao seu redor, selando legalmente o local como de interesse público. Em abril de 2000 Paranapiacaba tornou-se oficialmente um dos núcleos do programa da Reserva da Biosfera da UNESCO, que engloba a proteção de 329 áreas de floresta em 83 países.

Em 2001 a Prefeitura de Santo André deu o primeiro passo para assumir definitivamente a administração da Vila ao criar a Subprefeitura de Paranapiacaba e Parque Andreense e, em 2002, foi formalizada a compra da Vila de Paranapiacaba da Rede Ferroviária Federal S.A. – RFFSA. O contrato de compra e venda foi assinado no interior do Castelinho, testemunha inglesa do negócio, que mudaria o destino de Paranapiacaba.

Em 05 de junho de 2003, Dia Mundial do Meio Ambiente, foi criado o Parque Natural Municipal Nascentes de Paranapiacaba, área verde com cerca de 4,2 km² de Mata Atlântica no entorno da Vila.

Hoje Paranapiacaba conta com dois museus: o Castelinho, construção vitoriana que serviu de residência para o Engenheiro Superintendente, autoridade máxima da ferrovia inglesa, que guarda a memória dos tempos de funcionamento da São Paulo Railway Co., e o Funicular, que consiste em três galpões situados no pátio ferroviário, onde é possível ver as locomotivas, o carro fúnebre, as máquinas fixas e peças menores, como a azeitadeira, utilizada para lubrificar as máquinas. Ao ar livre podem ser vistos o trem ambulância, já bem enferrujado e o trem guindaste a vapor.

Paranapiacaba é cercada por três importantes Unidades de Conservação: o Parque Nascentes, citado acima, a Reserva Biológica do Alto da Serra de Paranapiacaba e o Parque Estadual da Serra do Mar. As matas, Parques e quedas d’água existentes no entorno da Vila compõem um cenário natural fantástico, que pode ser percorrido por trilhas de trajetos fáceis ou difíceis e requerem acompanhamento de guia habilitado e cadastrado pela Prefeitura. Dentre elas as mais conhecidas são as trilhas da Pontinha, do Mirante e da Água Fria.

Em 2001 realizou-se na Vila o 1º Festival de Inverno de Paranapiacaba, com muita expectativa. Os visitantes chegavam pela passarela metálica, que liga a Parte Alta à Vila Nova; os espetáculos se concentravam no Clube União Lyra-Serrano, outrora palco de grandes bailes e espetáculos. O Festival continua ocorrendo anualmente, se expandiu, com vários artistas se apresentando em palcos espalhados pela Vila e atualmente é um dos eventos mais conhecidos do Município. Durante o Festival vários atrativos, além dos artísticos e culturais, são oferecidos ao visitante.

Em abril acontece o Festival do Cambuci, fruta nativa da Mata Atlântica que é marca registrada da região e patrimônio imaterial de Santo André desde 2013, onde são oferecidos diversos pratos, doces e bebidas que utilizam o fruto como principal elemento.

Outros eventos, como a Convenção de Bruxas e Magos, a Festa do Padroeiro e a Feira de Artes e Antiguidades acontecem no decorrer do ano.

MUSEU

O Museu Castelo, grande atração turística da Vila de Paranapiacaba, foi entregue reformado recentemente. O local é a antiga casa do engenheiro-chefe da ferrovia e agora está aberto para ser visitado.

Segundo informações da Prefeitura de Santo André, o museu recebeu nova pintura interna e externa, reformas na parte elétrica, no telhado e no assoalho. Também foi realizada a recuperação da lareira no quarto superior, das janelas da face sul e do mastro das bandeiras, assim como a instalação de iluminação interna e externa, além de melhorias do paisagismo e substituição de vidros quebrados.

O museu está aberto nos fins de semana e feriados, das 10h às 17h. As visitas durante a semana podem ser agendadas por meio do telefone (11) 4439-1313. As visitas guiadas têm o custo de R$ 3.

Duas linhas intermunicipais gerenciadas pela EMTU (Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos) atendem a região. Uma delas é a 040, que parte do Terminal Prefeito Saladino, em Santo André e custa R$ 6,75.

A outra linha intermunicipal é a 424, que liga Rio Grande da Serra a Paranapiacaba e tem tarifa de R$ 4,40. O ônibus sai de um ponto próximo à estação Rio Grande da Serra, da linha 10-Turquesa da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) e chega à vila inglesa em cerca de 25 minutos. O intervalo entre as linhas varia de 30 minutos a 1 hora, segundo a EMTU.

O trem da CPTM, por meio da linha 10-Turquesa, não chega mais até a Vila de Paranapiacaba. Atualmente, apenas composições que transportam carga chegam até o local, além de uma linha turística que opera apenas aos finais de semana.

A CPTM anunciou em março deste ano a ampliação de viagens do Expresso Turístico com destino a Paranapiacaba.

Relembre: https://diariodotransporte.com.br/2019/03/07/cptm-anuncia-ampliacao-de-viagens-do-expresso-turistico-com-destino-a-paranapiacaba/

BAURU

Outro exemplo de município em que a ferrovia teve grande importância é Bauru, no interior de São Paulo, onde o Dia do Ferroviário também foi lembrado. O Museu Ferroviário Regional de Bauru promove uma série de atividades nesta terça-feira. O evento é realizado há quatro anos consecutivos e reúne atividades como rodas de conversa, sorteios e coleta de depoimentos sobre a época da antiga ferrovia da cidade.

Os eventos ocorrem no Auditório do Museu Ferroviário Regional de Bauru a partir das 14h. O endereço é Rua Primeiro de Agosto, 1-36 – Centro.

Jessica Marques para o Diário do Transporte

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Comentários

Comentários

  1. Paulo Gil disse:

    Amigos, bom dia.

    Parabéns aos ferroviários de todo o mundo.

    E puxando a sardinha para a “minha brasa”; não se pode esquecer da Estrada de Ferro Sorocabana – EFS; do seu fundador Sr. Luís Mateus Maylasky e de todos os seus ferroviários; até hoje presente pela linha intermunicipal da CPTM – Linha 8; uma das mais lucrativas da CPTM.

    Att,

    Paulo Gil

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