Governo de SP rescinde contrato de construção do monotrilho da Linha 17-Ouro

Foto: Adamo Bazani

Metrô de SP reclama de lentidão no ritmo da obra, cuja responsabilidade é do consórcio comandado pela empreiteira Andrade Gutierrez

ALEXANDRE PELEGI

A Companhia do Metropolitano de São Paulo decidiu rescindir o contrato de construção do monotrilho da Linha 17-Ouro.

O governo do estado de São Paulo alegou que o Consórcio responsável vem atuando com lentidão na condução das obras.

As obras do Monotrilho da Linha 17-Ouro estão sob responsabilidade do Consórcio Monotrilho Integração, formado pelas empresas CR Almeida, Andrade Gutierrez, Scomi (que desistiu da obra) e MPE. O grupo é responsável pela implantação de itens como vias, portas de plataformas, sistemas de sinalização, material rodante e CCO – Centro de Controle Operacional do trecho que vai das estações Jardim Aeroporto a Morumbi.

O governo informou ainda que buscou acelerar o ritmo da obra, mas com a falência da fábrica dos trens, a Scomi da Malásia, ficou inviável concluir o projeto.

Uma nova licitação deverá ser feita para a retomada da Linha 17-Ouro, cujo traçado prevê a ligação do aeroporto de Congonhas até a estação Morumbi da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM).

PROMESSA PARA 2020

As obras do Monotrilho da Linha 17-Ouro estavam previstas para terminar em 2014, ano da Copa do Mundo, mas prosseguem até hoje.

Em meados de janeiro deste ano, o vice-governador Rodrigo Garcia, em entrevista à rádio Jovem Pan, garantiu que o Monotrilho da Linha 17-Ouro estará funcionando até o final de 2020.

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No dia 16 de fevereiro de 2019, em reportagem do Diário do Transporte realizada no canteiro de obras da estação Campo Belo, da Linha 5 Lilás de Metrô, o atual presidente da Companhia, Silvani Alves Pereira, disse que no próximo mês deve ser lançada uma licitação para o restante das intervenções do Monotrilho da Linha 17-Ouro, caso o consórcio responsável pela implantação da linha não sinalize o retorno aos trabalhos.

Sobre a linha 17, estamos tomando algumas decisões para que seja retomada de forma segura. Existe um consórcio que está cuidando de todo o processo de construção de via, material rodante [trens], sinalização e que não está conseguindo executar o que foi pactuado.  A decisão já é, caso o consórcio não solucionar nos próximos dez dias,  abrir um processo de licitação daquilo que falta até o final do mês de março. Tem um edital para a contratação de todos os serviços e agilizar a entrega da linha 17” – disse Silvani.

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No dia 15 de março o Metrô de SP publicou no Diário Oficial do Estado a prorrogação dos prazos de vigência contratual e de execução dos serviços das obras da Linha 17-Ouro de Monotrilho com o Consórcio TIDP, formado pelas empresas Tiisa e DP Barros. O prazo foi estendido até 10 de janeiro de 2020.

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A OBRA

A linha 17 Ouro do monotrilho deveria ter 17,7 quilômetros de extensão, com 18 estações entre Jabaquara, Aeroporto de Congonhas e região do Estádio do Morumbi. O valor orçado em junho de 2010 era de R$ 2,64 bilhões, sem valores futuros referente aos reajustes contratuais, aditivos e novas contratações necessárias para implantação dos empreendimentos.

O custo então passou para R$ 3,17 bilhões – cifra que não inclui as estações previstas no primeiro trecho, com extensão de 7,7 quilômetros.

Em junho de 2018, o valor para conclusão das obras foi projetado em R$ 3.74 bilhões, com previsão para a entrega de oito estações até dezembro de 2019, o que pode ser reformulado com a eventual saída da Scomi.

O monotrilho não deve num primeiro momento servir as regiões mais periféricas.  Assim, os trechos entre Jabaquara e a Aeroporto de Congonhas e entre depois da Marginal do Rio Pinheiros até a região do Estádio São Paulo-Morumbi, passando por Paraisópolis, estão com as obras congeladas.

Com este congelamento, não haverá as conexões prometidas com a linha 4 Amarela do Metrô na estação São Paulo – Morumbi, e nem com estação Jabaquara e da Linha 1 Azul do Metrô e Terminal Metropolitano de Ônibus e Trólebus Jabaquara, do Corredor ABD. Segundo o site do próprio Metrô, quando estiver totalmente pronto, este sistema de monotrilho atenderá 417,5 mil passageiros por dia.

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

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Comentários

Comentários

  1. Rodrigo Zika! disse:

    O seu parcerão Alckmin foi quem contratou essa empresa maravilhosa, e agora deu no que deu, uma vergonha.

  2. Carlos A disse:

    A estação Congonhas padece de um erro de projeto: é de superfície quando deveria ser subterrânea devido às complexidades da região. Duvido que os arquitetos do metrô não foram ouvidos.

  3. Yoshio Hinata disse:

    eu passo quase todo dia, e se tiver umas 3 pessoas trabalhando é muito.

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