Estação Campo Belo da Linha 5 está 95% pronta e Metrô deve lançar licitação para concluir linha 17

Publicado em: 16 de fevereiro de 2019

Trens passam pela estação Campo Belo, mas sem parada. Ao longo da história da linha, foram várias promessas de datas. Foto: Adamo Bazani (Diário do Transporte) / Clique para Ampliar

Consórcio da linha do monotrilho tem até dez dias para apresentar proposta de retomada das obras, caso contrário, Metrô vai abrir a concorrência. Acompanhe visita às obras

ADAMO BAZANI

Colaboraram Alexandre Pelegi e Jessica Marques

O presidente do Metrô, Silvani Alves Pereira, reafirmou neste sábado, 16 de fevereiro de 2019, que a estação Campo Belo da linha 5 Lilás deve ser inaugurada em abril.

De acordo com estimativas da Companhia do Metrô, 95% das obras estão concluídos.

Na manhã deste sábado, a empresa recebeu portais especializados em mobilidade, dentre os quais o Diário do Transporte, para apresentar o andamento dos trabalhos.

“Inicialmente esperamos em torno de 50 mil passageiros por dia nesta estação. Mas podemos chegar a 75 mil, 85 mil daqui a alguns anos” – disse Silvani.

Uma das estimativas para ampliação na demanda é quando estiver em funcionamento a conexão com a linha 17-Ouro do monotrilho, que enfrenta problemas no andamento das obras.

Visão da estrutura do monotrilho da linha 17 a a partir da futura estação Campo Belo do metrô

Silvani disse que no próximo mês deve ser lançada uma licitação para o restante das intervenções, caso o consórcio responsável pela implantação da linha não sinalize o retorno aos trabalhos.

“Sobre a linha 17, estamos tomando algumas decisões para que seja retomada de forma segura. Existe um consórcio que está cuidando de todo o processo de construção de via, material rodante [trens], sinalização e que não está conseguindo executar o que foi pactuado.  A decisão já é, caso o consórcio não solucionar nos próximos dez dias,  abrir um processo de licitação daquilo que falta até o final do mês de março. Tem um edital para a contratação de todos os serviços e agilizar a entrega da linha 17” – disse Silvani

Presidente do Metrô, Silvani Alves Pereira, em visita às obras da linha 5-Lilás.

O responsável pela implantação da linha 17 é o consórcio Monotrilho Integração, formado pelas empresas CR Almeida, Andrade Gutierrez, Scomi e MPE.

A empresa Scomi, que deveria fornecer os trens e equipamentos, alega dificuldades financeiras e anunciou que não deve continuar no projeto.

ESTAÇÃO CAMPO BELO DA LINHA 5 SERÁ UMA DAS MAIS MODERNAS DO SISTEMA, PROMETE METRÔ

Túneis por onde passam os trens também contam com sistema de exaustão máxima de fumaça em caso de incêndios

A estação Campo Belo da linha 5 Lilás é a última que falta para ser entregue na ligação entre Capão Redondo e Chácara Klabin.

O trajeto é uma esperança antiga de moradores de parte do extremo sul da cidade.

O primeiro anúncio do projeto da linha foi feito em 20 de junho de 1990 pelo Metrô, e havia três alternativas de trajeto: com saída da estação Paraíso, Saúde ou São Judas. Nenhuma delas se concretizou.

Em março de 1998 começou a construção do atual trajeto.

Inicialmente, as operações seriam pela CPTM – Companhia Paulista de Três Metropolitanos e o trajeto se chamaria Linha G.

Mas em 2001, o Governo do Estado de São Paulo transferiu a futura operação para o Metrô, passando a denominar o trajeto de linha Lilás.

O primeiro trecho, de 8,4 quilômetros de extensão, foi entregue à população somente em 20 de outubro de 2002, com operações das 10h às 15h.

As demais estações foram abertas gradativamente até o ano passado.

O ex-governador, Geraldo Alckmin, chegou a prometer a entrega da estação Campo Belo para o início de 2018.

Entre os problemas enfrentados foram as desapropriações, em especial de um imóvel que abrigava um buffet.

O Metrô promete que, a exemplo das estações mais recentes, a Campo Belo deve oferecer o que há de mais moderno para operação e segurança da rede.

A captação de energia para os trens é por catenária (pela parte de cima), diferentemente das linhas mais antigas do Metrô de São Paulo que necessitam do “terceiro trilho”, junto à via.

Segundo os técnicos do Metrô, na apresentação das obras, o sistema é mais seguro caso alguém tenha acesso aos trilhos e facilita a manutenção da via, não sendo necessário interromper a energia do sistema.

As laterais da estação têm grandes dutos de ventilação tanto para o conforto térmico como para exaustão de fumaça em caso de incêndios.

Os dutos foram projetados já levando em conta a necessidade de dispersar o mais rapidamente possível a fumaça.

A estação ainda não tem o AVCB – Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros. A Companhia do Metrô deve chamar a corporação para a vistoria quando faltarem entre 15 e 20 dias para a abertura da estação ao público.

A Campo Belo também vai ter detectores de fumaça ligados a todo o sistema de operação.

Em caso de necessidade de esvaziamento da estação, o sistema desbloqueia automaticamente as catracas para facilitar a fuga.

Segundo o Metrô, no início dos anos 2000, a companhia trouxe para o Brasil padrões internacionais de segurança e procedimentos de esvaziamento que depois foram adotados pelos bombeiros nas vistorias.

Antes, as verificações em estações pelo AVCB eram as mesmas que de garagens de edifícios.

Operários trabalham na área de acesso da estação. Ao fundo, estrutura da linha 17 do monotrilho Foto: Jessica Marques, para o Diário do Transporte

A estação ainda conta com transformadores com “isolamento a seco”, o que segundo o Metrô é mais seguro que os modelos com isolamento a óleo.

Há também geradores a diesel para garantir iluminação e funções básicas da estação para eventual necessidade de fuga.

A linha conta com duas subestações primárias para fornecimento de energia aos trens, estações e equipamentos: Guido Caloi e Bandeirantes. Ambas fornecem energia para determinados trechos da linha, mas se uma delas falhar, há condições da outra suprir toda a linha, mesmo que para operações restritas.

Salas de equipamentos de tensão. Áreas técnicas ocupam em torno de 30% das novas estações

Porão de cabos da Estação Campo Belo da Linha 5-Lilás do Metrô

A área não operacional, que compreende, por exemplo, os locais onde ficam os equipamentos, transformadores, salas técnicas, gerador, dutos de exaustão e porão de cabos, ocupam em torno de 30% de todo o espaço na estação.

A estação de metrô Campo Belo também possui dois túneis de acesso para o monotrilho da futura linha 17-Ouro para facilitar a integração entre os modais diferentes, sendo um no primeiro e outro no segundo mezanino.

Área (pintada de branco) onde será um dos acessos entre o metrô e o monotrilho

O local também é servido por diversas linhas de ônibus. As paradas serão colocadas na calçada da Estação nos dois extremos da entrada.

Confira algumas características da Estação Campo Belo:

Localização na linha: entre as estações Brooklin e Eucaliptos

Localização no bairro: Avenida Santo Amaro, entre a Avenida Jornalista Roberto Marinho e a Rua Michigan

Acesso: Acesso único localizado no canteiro central da Avenida Santo Amaro, pouco antes da chegada (no sentido Centro-Bairro) a Avenida Jornalista Roberto Marinho, sob o novo viaduto Campo Belo.

Área Construída: 8.170 metros quadrados

Profundidade da Estação: 22,5 metros, com dois mezaninos que darão acesso à futura linha 17 de monotrilho.

Demanda Inicial: 57.650 passageiros por dia.

Operação: concessionária Via Mobilidade, com 83,34% de participação do Grupo CCR e 16,66% da Ruas Invest, que tem o controle da família Ruas, operadora de grande parte dos ônibus municipais da cidade de São Paulo. A família também atua na Otima (responsável pelos pontos e abrigos de ônibus), no Banco Luso Brasileiro (que financia ônibus), na encarroçadora de ônibus urbanos Caio, na encarroçadora de ônibus rodoviários Busscar e na operação de ônibus rodoviários entre a cidade de São Paulo e o Litoral Paulista pelas empresas Ultra S.A. e Rápido Brasil.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes