Bruno Covas remaneja para o Autódromo de Interlagos R$ 12,3 milhões que seriam para corredores de ônibus

Publicado em: 18 de fevereiro de 2019

Com poucos corredores, desempenho dos ônibus em São Paulo é prejudicado. Foto: Adamo Bazani

Em programa de TV, prefeito disse que não deve conseguir cumprir programa de meta de 72 km. Concessão de autódromo ainda está nos planos da prefeitura

ADAMO BAZANI

O prefeito Bruno Covas tirou 12,39 milhões (12.392.207,64) que estavam previstos para ampliar e moderniza a rede de corredores de ônibus da cidade em benefício do Autódromo de Interlagos, que ainda deve ser concedido à iniciativa privada.

O dinheiro vai ser usado para reformar o pavimento e parte das dependências do local de competição.

O remanejamento está inserido num crédito adicional de quase R$ 100 milhões (R$ 99.998.442,84) aberto pela prefeitura e oficializado no último sábado, 16 de fevereiro de 2019.

No decreto, valor que o Autódromo vai receber é o mesmo que os corredores de ônibus terão de ceder.

 

A ausência de uma rede de corredores de ônibus adequada ao número de coletivos na cidade (14.103) e à demanda de 9,5 milhões de registros de passagens por dia é apontada por especialistas, empresas de ônibus e técnicos da própria prefeitura como um dos motivos de os serviços de transportes na cidade não serem melhores e os custos não reduzirem.

A prefeitura tinha uma meta de construir até o final da gestão, 72 km de corredores de ônibus na cidade, mas no último mês, em entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura, Bruno Covas disse que não será possível cumprir a promessa por questões relacionadas a falta de recursos, inclusive de outras áreas.

Assim, como o seu antecessor, João Doria, que deixou a prefeitura em meio ao mandato para disputar as eleições para governador, nas quais conseguiu se eleger, Bruno Covas deve voltar retirar dinheiro dos corredores de ônibus para outros objetivos.

Até o final de 2018, somente dos corredores de ônibus foram remanejados para outras áreas em torno de R$ 900 milhões. Entre janeiro de 2017 e junho de 2018, foram R$ 874 milhões. Saiu dinheiro dos corredores para ações de saúde e educação, mas também para outras intervenções, como reforma do Autódromo de Interlagos e o Programa Asfalto Novo, uma das principais bandeiras de mídia de João Doria antes de deixar a prefeitura para as eleições estaduais.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2018/06/13/cortes-de-investimentos-em-corredores-de-onibus-em-sao-paulo-ja-chegam-a-r-874-milhoes-nas-gestoes-doria-covas/

Dos 17 mil km de vias de São Paulo, apenas cerca de 130 km são ocupados por corredores de ônibus, dos quais, somente 8 km são BRT -Bus Rapid Transit,  referentes ao trecho entre os terminais Sacomã e Mercado, do Expresso Tiradentes, realmente segregados dos demais veículos, sem conversões de carros e compartilhamento com outros veículos, como táxis.

Enquanto, em geral, a média de velocidade dos corredores de ônibus à esquerda em São Paulo varia entre 12 km/h e 25 km/h, a velocidade comercial dos ônibus no Expresso Tiradentes varia entre 46 km/h e 48 km/h.

Muitos dos corredores que ainda não saíram do papel foram apresentados em 2011, pelo então prefeito Gilberto Kassab.

Na gestão Haddad, em 2014, o TCM – Tribunal de Contas do Município barrou uma licitação que englobaria em torno de 150 quilômetros de corredores.

O órgão de contas contestou a metodologia da licitação que seria única.

A licitação foi desmembrada, mas alguns projetos de corredores continuaram com problemas sendo apontados pelo TCM e TCU – Tribunal de Contas da União.

Na sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019, o Congresso Nacional publicou a liberação de verbas federais para o financiamento da construção do trecho 2 do BRT Radial Leste, uma das ligações por ônibus que deve estar entre as mais importantes da cidade de São Paulo e que deveria estar pronta há mais de cinco anos.

A decisão assinada pelo presidente do Congresso, senador Davi Alcolumbre, Como já havia mostrado o Diário do Transporte em 13 de agosto de 2018, o TCU – Tribunal de Contas da União deu parecer favorável à liberação de recursos.

Desde 2013, o projeto do corredor enfrenta problemas com o TCU e o TCM – Tribunal de Contas do Município por suspeitas de irregularidades no projeto e licitação, como restrição de competitividade e sobrepreço na ordem de quase 20% do valor previsto para obra, o que oneraria os cofres públicos em R$ 24 milhões.

Na ocasião, o TCU sustentou que estes problemas não foram resolvidos plenamente pela administração municipal, mas que houve avanços.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2018/08/13/tcu-autoriza-prefeitura-de-sao-paulo-a-buscar-financiamentos-federais-para-projeto-do-corredor-de-onibus-radial-leste-2/

Todo o corredor BRT Radial Leste deve ter 28,8 quilômetros entre o Terminal de Ônibus Parque Dom Pedro II e a Estação Guaianases, da CPTM – Companhia Paulista de Trens Metropolitanos. O trecho II deve ter 9,4 Km de extensão.

Após uma proposta da empresa fabricante de baterias, painéis solares e ônibus elétricos BYD, interessada em assumir a construção, a prefeitura abriu no dia 12 de janeiro de 2018, um PMI – Procedimento de Manifestação de Interesse para construção do BRT Radial Leste.

Ainda não houve uma definição sobre o futuro do corredor

Pelo PMI de um ano atrás, as obras deveriam custar R$ 550 milhões e seriam realizadas pela iniciativa privada. O investimento inclui a requalificação das vias asfálticas e calçadas, além da construção de viadutos, túneis e passarelas, num total de 22 intervenções.

Com 29 paradas de embarque, o corredor será dividido em três trechos:  o trecho I com 12 Km; o trecho II com 7,4 KM, e o III com 9,4 Km. A estimativa demanda no pico é de 25 mil passageiros hora/sentido ao longo do corredor, distribuídos pelos trechos da seguinte forma: 15 mil no Trecho I; 7 mil no trecho II e 3 mil passageiros no Trecho III.

A remuneração da empresa ou consórcio seria por meio de pagamentos diretos feitos pela prefeitura, ressarcindo os valores investidos nas obras e mais uma remuneração prevista em contrato.

OUTROS CORREDORES ESTÃO BARRADOS:

Se as notícias do Congresso foram positivas em relação ao trecho 2 do BRT Radial Leste, quanto as outros corredores, foi mantido o bloqueio de liberação de verbas federais e financiamentos.

Os motivos são irregularidades apontadas pelo TCU – Tribunal de Contas da União nos projetos e processos licitatórios, como sobrepreço, prejuízo à competitividade, estudo de viabilidade técnica-econômica e ambiental deficiente, restrição à competitividade da licitação decorrente de critérios inadequados de habilitação e julgamento e restrição à competitividade da licitação decorrente de adoção indevida de pré-qualificação.

Os corredores de ônibus em São Paulo que não podem receber verbas federais, de acordo com a decisão do Congresso Nacional, são Capão Redondo/Campo Limpo/Vila Sônia – SP e Leste Aricanduva – SP.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

Compartilhe a reportagem nas redes sociais:

Comentários

  1. Gilvan disse:

    É que a gente utiliza o atodromo pra ir trabalhar todo dia. O dia que encontrar esse cara a gente vai ter uma conversa inesquecivel.

    1. JOSE LUIZ VILLAR COEDO disse:

      Também queria encontrar esse cara na Rua! … KASSAB, PT E PSDB … IGUAIS !!!!

  2. JOSE LUIZ VILLAR COEDO disse:

    JOSE LUIZ VILLAR COEDO,

    Favor,não usar palavrão em seu comentário

    Reescreva

  3. JOSE LUIZ VILLAR COEDO disse:

    Mudam as MOSCAS, RATOS E BARATAS… Mas as SUJIDADES E O MAU ODOR serão sempre as mesmas! Como é que a Prefeitura de SP/SP com essas atitudes… vai conseguir receber dinheiro do BNDES, NO ATUAL GOVERNO FEDERAL QUE JA MOSTROU QUE NÃO TOLERA TRAPAÇAS E DESPERDÍCIOS! pra fazer os Corredores que ainda faltam ???!! Aí é duro hein!

  4. Antonio disse:

    Confisca parte dos salarios do funcionalismo e sacaneia quem pega busão. Esse cara não tem noção mas tambem pra ele corredor de onibus deve ser algum maluco que aposta corrida com os coletivos.

  5. Luiz Carlos soares disse:

    Mais uma decepção….

  6. Rogerio Belda disse:

    Genial e efetiva medida para aumentar a velocidade média dos veículos na capital!…

Deixe uma resposta