Com fim de contrato, três linhas de ônibus de Londrina são extintas

Psiu existe desde 2011 em Londrina e o sistema oferece, além de mais agilidade aos passageiros, ônibus com bancos estofados e ar-condicionado. Foto: Divulgação

Serviço Psiu será reduzido pela metade após o fim da concessão do transporte coletivo da cidade com empresas atuais

JESSICA MARQUES

Três linhas de ônibus de Londrina, no Paraná, serão extintas a partir de segunda-feira, 21 janeiro de 2019. No sábado, 19, se encerra o contrato vigente de concessão do transporte coletivo com a TCGL (Transportes Coletivos Grande Londrina Ltda.) e a Londrisul, o que motiva a extinção dos itinerários.

Por conta do fim do contrato, o serviço Psiu, feito com veículos menores e mais ágeis, será reduzido pela metade. As linhas que vão deixar de existir são a 011 – Psiu Santa Rita, 013 – Psiu Shopping, 023 – Psiu Evangélico.

A informação foi confirmada pela CMTU (Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização) à mídia local. A população já está recebendo o aviso nos ônibus sobre a redução da operação dos micro-ônibus azuis da TCGL.

No caso da Londrisul, por sua vez, as três linhas vão manter a circulação, porém será apenas de segunda a sexta-feira e não mais diariamente como ocorre nos dias atuais.

“A mudança vale a partir de segunda-feira (dia 21) e, a partir daí, a CMTU vai acompanhar a operação das linhas convencionais que atendem as regiões do Psiu. A companhia também orientou a TCGL a disponibilizar mais veículos e horários de ônibus nestas áreas, produzindo e distribuindo informativos aos usuários”, informou a companhia em nota.

Segundo a CMTU, no caso da linha Psiu 011, a demanda será atendida pelas linhas convencionais 311 (Santa Rita), 312 (Santa Madalena), 106 (Guilherme Pires) e 107 (Aragarça).

Por sua vez, a linha Psiu 013 terá os passageiros transportados pela 803 (Vivi/Shopping), 806 (Saul Elkind/Shopping), 425 (Comercial Norte), 213 (Shopping Catuaí) e 417 (Jardim Catuaí).

Por fim, o itinerário da Psiu 023 será absorvido pelas linhas 503 (Aquiles/Centro) e 506 (Violin/Maria Cecília/Centro), de acordo com a companhia.

“A CMTU informa que o encerramento de tais operações para a Grande Londrina não tem caráter definitivo. A expectativa é que, em outra oportunidade, o serviço seja retomado.”

Nos itinerários feitos pela empresa Londrisul, por sua vez, o serviço Psiu será mantido mesmo durante o contrato emergencial. A concessionária administra as linhas 053 – Psiu Cafezal, 054 – Psiu Ouro Branco e 055 – Psiu Jardim União da Vitória. O valor da tarifa é R$ 5,50.

O Psiu existe desde 2011 em Londrina e o sistema oferece, além de mais agilidade aos passageiros, ônibus com bancos estofados e ar-condicionado.

LICITAÇÃO DO TRANSPORTE COLETIVO

A licitação do transporte coletivo está cada vez mais longe de ser uma realidade. O Tribunal de Contas do Estado do Paraná (TCE-PR) concedeu uma nova ordem liminar para suspender o edital de licitação do transporte público de Londrina. A decisão foi publicada nesta terça-feira, 15 de janeiro de 2019.

Relembre: TCE do Paraná suspende novamente licitação do transporte público de Londrina

Uma liminar já havia derrubado uma decisão do TCE-PR que barrava a licitação do transporte coletivo de Londrina. A decisão, do juiz Marcus Renato Nogueira Garcia, da 2ª Vara da Fazenda Pública do município, foi publicada no dia 10 de janeiro de 2019.

Relembre: Após liminar liberar licitação do transporte coletivo, prefeitura de Londrina marca abertura dos envelopes para terça-feira, dia 22

No mesmo dia em que a decisão liminar foi publicada, 10 de janeiro, a CMTU comunicou que as atuais concessionárias, TCGL e Londrisul, haviam aceitado prorrogar o contrato por mais seis meses.

Relembre: TCGL confirma que aceitou prorrogar contrato do transporte coletivo em Londrina

HISTÓRICO

(Alexandre Pelegi)

O Tribunal de Contas do Estado (TCE-PR) suspendeu a Concorrência 021/2018 no dia 19 de dezembro de 2018, uma semana antes da abertura dos envelopes. A decisão de suspender de forma imediata a licitação do transporte coletivo da cidade se deu a pedido da Transportes Coletivos Grande Londrina (TCGL), que entrou com medida cautelar no dia 12 de dezembro. Relembre: TCE do Paraná cancela licitação dos ônibus de Londrina

A TCGL (Transportes Coletivos Grande Londrina) apontou 23 pontos de discordância da proposta oferecida pela prefeitura, mas a questão financeira foi o principal motivo de impasse. Estão nesse quesito desde a taxa de retorno de capital, até a taxa de lucro das empresas, vigente no contrato atual e que encarecem a tarifa, segundo alega a TCGL.

O EDITAL

A Prefeitura de Londrina lançou o edital de licitação para a nova concessão do serviço de transporte coletivo na cidade no dia 26 de novembro de 2018. Relembre: Londrina publica edital para licitação do transporte coletivo

A Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), responsável pela publicação, especificava que as empresas interessadas na concorrência teriam até o dia 26 de dezembro, às 8h30, para protocolar os documentos de habilitação e as propostas.

A abertura dos envelopes estava programada para ocorrer na mesma data, a partir das 9h30, e o certame seria originalmente definido pelo critério do menor valor unitário de tarifa.

Segundo comunicado da prefeitura, o município foi dividido geograficamente em dois lotes distintos para efeitos de outorga e classificação das propostas.

A área 01, que nesta licitação passa a atender 61,67% da demanda, tem o preço máximo do bilhete fixado em R$ 3,9957.

A área 02, responsável por absorver 38,33% dos usuários, tem valor limite da tarifa unitária de R$ 4,0889.

O contrato vigente, com a TCGL e a Londrisul, termina em 19 de janeiro de 2019, o que levou a prefeitura, diante da paralisação da concorrência, a firmar contrato temporário com as atuais concessionárias com vigência de até 180 dias.

A última concorrência pública foi realizada em 2004.

DIFERENCIAIS DO EDITAL

IDADE DA FROTA: Para a prefeitura, uma das principais novidades do edital é a diminuição da idade média dos ônibus, que cairá de 6,5 para 5,5 anos.

A idade máxima dos veículos, item não especificado na atual concessão, passará a ser de 10 anos para os ônibus convencionais e de 12 anos para os articulados.

Os dois lotem preveem 386 carros, dos quais pelo menos 20 deverão ser 0 km, sendo 14 com ar-condicionado.

RECURSOS TECNOLÓGICOS: Determinação mais importante é quanto à implantação de sistema de gerenciamento operacional (ITS), que deverá oferecer, em tempo real, relatórios e indicadores para a tomada de decisões. O objetivo é permitir o monitoramento e intervenção no funcionamento dos ônibus de modo instantâneo, enquanto eles ainda estiverem nas ruas.

Outro dado importante diz respeito à modernização na estrutura de bilhetagem eletrônica, com ampliação e diversificação dos meios e formas de comercialização da tarifa. Com isso, a prefeitura prevê que os passageiros poderão adquirir bilhetes pela internet ou em terminais de autoatendimento, pagando com dinheiro em espécie ou cartão.

Os terminais de integração terão serviço de Wi-Fi, e o pacto de dados móveis saltará de 12 para 40GB em cada coletivo.

QUALIDADE: o repasse de recursos às concessionárias passará a ocorrer de acordo com índices qualitativos – a taxa de remuneração operacional (TRO) entrará no lugar da atual taxa de lucratividade, fixada em 7,5%. As empresas passarão a receber segundo índices de eficiência, satisfação e qualidade. A TRO crescerá de forma gradativa: no primeiro ano do contrato ela será de 0%; no segundo ano, poderá chegar a 2%; e até 6% a partir do terceiro ano.

METAS: Além das obrigações na prestação do serviço, o edital de Londrina prevê que, no decorrer da concessão, as empresas vencedoras deverão alcançar metas. Dentre estas estão o estímulo à utilização dos ônibus, a ampliação das formas de divulgação do sistema e a adoção de tecnologias que priorizem o meio ambiente e o conforto do usuário, sobretudo pessoas com capacidade reduzida de locomoção, idosos e gestantes.

OUTROS DETALHES: Entre outras disposições do edital estão a moderação no preço da passagem, o estímulo à produtividade por meio da remuneração vinculada a indicadores, o incentivo à participação do usuário e o desenvolvimento de ações educativas antivandalismo.

A prefeitura de Londrina afirma que a publicação do edital “ocorre em atendimento a leis federais e municipais sobre o serviço de transporte público coletivo”.

Antes do lançamento do certame, como forma de favorecer a participação popular na construção do documento, a Prefeitura ouviu os moradores em duas oportunidades, nos dias 3 e 26 de outubro.

Jessica Marques para o Diário do Transporte

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

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