Prefeitura de São Paulo remaneja R$ 17 milhões para corredores de ônibus

Maior parte dos corredores de ônibus de São Paulo não oferece exclusividade total aos coletivos. Foto: Adamo Bazani (Diário do Transporte)/Clique para ampliar.

Entretanto, desde o início da gestão Joao Doria/Bruno Covas, os espaços para o transporte coletivo perderam em torno de R$ 900 milhões do orçamento reservado para estas obras

ADAMO BAZANI

A prefeitura de São Paulo remanejou nesta semana, R$ 17,28 milhões (R$ 17.268.223,51) para ampliação, reforma e requalificação de corredores de ônibus.

O remanejamento faz parte da abertura de um crédito adicional de quase R$ 30 milhões (R$ 29.929.768,51) e o dinheiro virá de áreas como ações de educação de trânsito, que perdeu R$ 14,62 milhões (R$ 14.627.438,51); serviços de engenharia de tráfego, que vai ceder R$ 3,61 milhões (R$ 3.661.545,00), acessibilidade, ampliação, reforma e requalificação de terminais de ônibus de onde vão sair R$ 2,64 milhões (R$ 2.640.785,00), ampliação de ciclovias e ciclorrotas de onde serão retirados R$ 8 milhões.

Os R$ 17,28 milhões, entretanto, sequer são suficientes para construir um quilômetro de BRT – Bus Rapid Transit, um sistema com corredores de fato isolados do trânsito comum, pelos quais os ônibus conseguem ter velocidade maior e param em estações com acessibilidade e informação ao passageiro.

De acordo com dados da UITP – União Internacional de Transportes Públicos, o quilômetro de BRT custa em torno de R$ 35 milhões.

DÉBITO COM CORREDORES:

Os remanejamentos para os corredores de ônibus ainda são inferiores ao total retirado para estas obras e destinado a outros compromissos da prefeitura.

Desde o início da gestão João Doria/Bruno Covas, em janeiro de 2017, a prefeitura remanejou torno de R$ 900 milhões de verbas que deveriam ser para os espaços exclusivos de ônibus, mas que foram para outras áreas.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2018/11/05/bruno-covas-retira-mais-r-16-milhoes-de-corredores-e-terminais-de-onibus/

DORIA PROMETEU PRIMEIRO BRT DA GESTÃO PARA MARÇO DE 2017:

O ex-prefeito João Doria prometeu em janeiro de 2017 que até março daquele ano estaria em testes o BRT Rapidão, um corredor de ônibus rápidos para ligar os terminais Capelinha e João Dias, na zona Sul da cidade, aproveitando atual estrutura, mas com adequações.

A intenção era aumentar a velocidade média do transporte coletivo de 19 km/h para ao menos 25 km/h e a capacidade dos ônibus na região.

O corredor deveria ter pontos de ultrapassagem; pré-embarque, que é o pagamento de passagem antes da chegada do ônibus; e estações climatizadas, acessíveis e com informações sobre a previsão de quando os coletivos vão passar.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2017/01/28/doria-deve-comecar-a-testar-onibus-rapidao-na-zona-sul-nos-proximos-tres-meses/

A cidade de São Paulo possui uma malha de 17 mil quilômetros de vias, mas somente em 136 quilômetros há corredores de ônibus, dos quais, oito quilômetros de BRT, o Expresso Tiradentes, entre os terminais Sacomã e Mercado.

O sistema municipal possui 14,3 mil ônibus que registram 9,5 milhões de passagens por dia.

Desde os anos de 1990, com a promessa do antigo prefeito Celso Pitta de construir o Fura-Fila, a cidade espera um sistema de BRT de fato. O Fura- Fila, hoje chamado Expresso Tiradentes, só entrou em operação na gestão Gilberto Kassab, em 2007, e ainda com trajeto menor que original. No entanto, a velocidade comercial é superior à média dos corredores mais antigos.

No trajeto entre o Sacomã, na Zona Sudeste, Parque Dom Pedro, no centro, e do Parque Dom Pedro II, à Vila Prudente, na zona leste, hoje os ônibus conseguem desenvolver velocidade média de 44 km/h.

O Fura-Fila tinha projeto de seguir até a Cidade Tiradentes, na zona Leste, por isso o nome recente de Expresso Tirandentes.

A expansão depois foi modificada para o monotrilho, cujas obras não avançam desde 2010, quando o projeto foi apresentado à população. Apenas 2,3 quilômetros operam em horário comercial plenamente entre Sacomã e Vila Prudente, todos os dias da semana, das 04h40 à meia noite.

Neste sábado, 1º de dezembro de 2018, sete meses depois de serem inauguradas, as estações São Lucas, Camilo Haddad, Vila Tolstói e Vila União do monotrilho da linha 15-Prata passam a operar em horário um pouco maior, todos os dias da semana, das 6h às 20h.

O próximo trecho de mais quatro estações – Jardim Planalto, Sapopemba, Fazenda da Juta e São Mateus – deveria ter sido entregue em novembro deste ano. Mas segundo a companhia do Metrô, a empresa Azevedo & Travassos, responsável pelas obras de acabamento, paisagismo e implantação de uma ciclovia, reduziu o ritmo das intervenções em parou os trabalhos. O Metrô então decidiu rescindir os dois contratos que mantinha com a Azevedo & Travassos e chamou a segunda colocada na licitação das obras, mas a empresa não demonstrou mais interesse pelo monotrilho.

Com isso, o Metrô vai ser obrigado a abrir nova concorrência e a previsão de entrega das estações foi para outubro de 2019.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2018/11/01/quatro-estacoes-da-linha-15-prata-monotrilho/

O monotrilho da linha 15-Prata teve as obras iniciadas em 2011 e a previsão inicial era de que todo o traçado de 26,7 quilômetros de extensão, com 18 estações entre Ipiranga e Hospital Cidade Tiradentes, fosse entregue em 2014 ao custo R$ 3,5 bilhões. Depois, a estimativa em junho de 2015 passou para R$ 4,6 bilhões para um trecho menor; de 15,3 km e 11 estações.

 

Mas agora, a estimativa de custo é de R$ 5,2 bilhões, com a entrega da estação Jardim Colonial, somente em 2021.

Pela extensão e o orçamento previstos para o monotrilho da linha 15-Prata, cada quilômetro do modal vai custar R$ 339,86 milhões (R$ 339.869.281,04).

Estão com os projetos congelados, sem previsão de obras, o trecho entre Vila Prudente e Ipiranga e o trecho que compreende as estações Jequiriçá, Jacú-Pêssego, ligação com o pátio Ragueb Choffi, Érico Semer, Cidade Tiradentes e Hospital Cidade Tiradentes.

Apenas 2,3 km de monotrilho, entre as estações Vila Prudente e Oratório, estão em operação comercial plena das 4h40 à meia noite. O trecho começou a operar com horário reduzido em 30 de agosto de 2014. A cobrança de passagem, mas com horário reduzido ainda, começou em 10 de agosto de 2015.

Somente em 26 de outubro de 2016 é que o trecho passou a funcionar no horário integral das linhas de metrô, das 4h40 à meia noite.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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