Biometano pode se tornar realidade no mercado paulista em 2019

Consultor acredita que cronograma possa ser adequado a fim de permitir a penetração de outras tecnologias ambientais. (Scania K280 6x2 de 15 metros, primeiro ônibus do Brasil a ser abastecido com biometano gerado a partir do esgoto - Foto: Jessica Marques)

No setor de transportes, biogás pode se fortalecer em 2022, segundo o subsecretário de Energias Renováveis da Secretaria de Energia e Mineração do Estado de São Paulo

JESSICA MARQUES

O biometano pode se tornar uma realidade no mercado paulista a partir de 2019. Foi o que afirmou o subsecretário de Energias Renováveis da Secretaria de Energia e Mineração do Estado de São Paulo, Antônio Celso de Abreu Junior, ao Diário do Transporte nesta segunda-feira, 26 de novembro de 2018.

Para o setor de transportes, o biogás pode se fortalecer a partir de 2022, com expectativa de crescimento constante para os próximos anos.

“Estamos mandando um projeto de lei tornando obrigatória a admissão de um percentual mínimo de biometano na rede de gás natural do estado de São Paulo. Com isso a gente começa a estimular os produtores de biometano a entrarem neste negócio”, disse Junior.

Com isso, segundo o subsecretário, a indústria do transporte coletivo pode começar a se interessar em alterar a frota.

“O percentual mínimo foi aprovado pelo Conselho Estadual de Política Energética do Estado de São Paulo e foi transformado em projeto de lei. O valor aprovado para a Comgás foi de 0,5% daqui a três anos, com um prazo de quatro anos para dobrar para 1% a compra de biometano para adicionar na rede. Para as outras distribuidoras, a Fenosa e a Gás Brasiliano, que têm potencial maior de vinhaça, o percentual é de 1% na rede, para dobrar em quatro anos”, disse o subsecretário.

Junior afirmou ainda que o projeto de lei já está pronto para ser encaminhado ao governador do Estado de São Paulo.

“A expectativa para o biometano se tornar uma realidade no mercado é para o ano que vem. O projeto de lei está pronto, com números técnicos e dados que possibilitassem a aprovação”, avaliou.

A declaração foi feita durante o seminário “Biogás: Uma Cadeia Sustentável para o Transporte Público” – evento realizado na sede da Sabesp em Pinheiros, São Paulo.

O seminário, seguido de debate, faz parte das ações da Semana de Inovação Suécia-Brasil, organizado pela embaixada e que está na sétima edição. O objetivo é discutir o potencial de utilização do biometano como combustível sustentável para o transporte público.

A Scania, também presente no evento, trouxe à Sabesp o primeiro ônibus do Brasil abastecido a gás gerado a partir do esgoto.

O veículo foi apresentado em Franca, no interior de São Paulo, em 12 de novembro de 2018. O ônibus é um Scania K280 6×2 de 15 metros, que participou de uma demonstração feita em parceria com a Sabesp, a Embaixada da Suécia e a Business Sweden.

Relembre: Primeiro ônibus do Brasil abastecido a gás gerado do esgoto é apresentado em Franca (SP)

Segundo Gustavo Bonini, diretor de assuntos institucionais e governamentais da Scania, a empresa já está sendo procurada por essa tecnologia de energia limpa, não só em São Paulo, mas em outros municípios do país.

A Scania já tem investido no país e é uma estratégia global investir em soluções de combustíveis alternativos. A gente não está esperando acontecer e acreditamos que no Brasil o potencial para biogás é muito grande. O gás natural está migrando para o biogás e isso já temos como algo concreto em nosso projeto“, disse.

Bonini ressaltou ainda que a iniciativa traz diversas soluções, não somente para o mercado, mas para a sociedade.

O biogás resolve três problemas grandes de infraestrutura: saneamento, energia e transporte. De sobra, se consegue promover a saúde com a redução de emissões e de ruído com esse motor. Com a mesma eficiência energética do motor a diesel“, avaliou.

O seminário conta com a presença da Scania, Prefeitura de São Paulo, USP, SPTrans, EMTU, Gás Brasiliano, ABiogás, ILV (Instituto de Pesquisa Ambiental da Suécia), KTH (Instituto Real de Tecnologia de Estocolmo), Linköping University, Arsesp, Raízen e Comgás.

BIOMETANO EM FRANCA

A Sabesp começou a usar o biogás gerado no tratamento do esgoto para movimentar a frota de veículos da empresa em Franca em abril de 2018.

O investimento total no projeto foi de R$ 7,4 milhões e foi feito pela Sabesp em parceria com o Instituto Fraunhofer IGB, da Alemanha.

O instituto, na época, fez a doação de equipamentos de armazenamento, beneficiamento e compressão de biogás para a Sabesp.

Por sua vez, a companhia realizou as obras para a instalação do equipamento, da linha de biogás, do sistema elétrico e a adaptação dos veículos para o biometano.

Ao todo, 19 veículos da Sabesp foram adaptados para rodar com biometano na cidade de Franca e são abastecidos na própria companhia.

COMO FUNCIONA

No processo para gerar o biometano, o biogás gerado no tratamento do esgoto passa por um sistema de remoção das impurezas, umidade e aumento da concentração de metano.

O resultado é um combustível, o biometano, que é usado no lugar na gasolina, do álcool e do GNV (gás natural veicular). A ETE (Estação de Tratamento de Esgotos) trata em média 500 litros por segundo e produz em torno de 2.500 Nm³ de biogás por dia, suficiente para substituir 1.500 litros de gasolina comum diariamente.

“O biometano é uma fonte de energia que pode ser utilizada para várias coisas, mas nós optamos por utilizar para abastecimento veicular em carros pequenos. Agora, a Scania, que é uma fabricante de caminhões e ônibus, entrou em contato com a gente para fazer um acordo e trazer esse ônibus como demonstração. Como é algo muito novo, a população precisa ver para acreditar que gás de esgoto vira combustível”, disse João Comparini, engenheiro civil da Sabesp, responsável pelo projeto.

Jessica Marques para o Diário do Transporte

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Comentários

Comentários

  1. É mais fácil e barato colocar a bateria ?!?!!!

    1. William de Jesus disse:

      Eu acho que quanto mais opções de combustíveis menos poluentes melhor. Mas concordo, onde anda aquele BYD que rodaria em SP? Mais um pouco e a empresa vai desistir do projeto!

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