Polícia Federal cumpre mandados de prisão contra dez deputados estaduais do Rio

Deputado Jorge Picciani, quando presidia a Assembleia do Rio. Foto: LG Soares Divulgação-Alerj

Operação ‘Furna da Onça’ amplia investigação de denúncias de corrupção e esquema de compra de votos ligado ainda ao esquema do ex-governador Sergio Cabral

ALEXANDRE PELEGI

Numa ação deflagrada na manhã desta quinta-feira, dia 8 de novembro de 2018, agentes da Polícia Federal e procuradores da República cumprem 22 mandados de prisão expedidos pelo Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2).

Dez deputados estaduais do Rio estão na mira das ações da PF. Sete deles são alvo pela primeira vez das investigações, e os outros três já foram presos em 2017 na Operação Cadeia Velha – Jorge Picciani, Paulo Mello e Edson Albertassi, todos do MDB. Relembre: TRF decide pela prisão imediata de deputados envolvidos na operação Cadeia Velha

Novas denúncias de corrupção envolvendo a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) levaram à nova operação, chamada de “Furna da Onça”.

As investigações apontam para um esquema de compra de votos com dinheiro de propina e distribuição de cargos, e remontam ao primeiro governo de Sérgio Cabral, em 2007. O esquema estaria em funcionamento ainda hoje, segundo as apurações.

A “Furna da Onça” é o nome de uma pequena sala localizada nos fundos do plenário da Alerj, local de encontro dos deputados para conversas reservadas.

Cinco desembargadores da 1ª Seção Especializada do TRF-2 assinam os 22 mandados de prisão, aprovados em sessão secreta no dia 25 de outubro.

Os mandados foram expedidos contra os seguintes deputados: André Corrêa (DEM), Coronel Jairo (Solidariedade), Luiz Martins (PDT), Chiquinho da Mangueira (PSC), Marcelo Simão (PP), Marcos Abrahão (Avante) e Marcos Vinícius Vasconcelos Ferreira (Neskau/PTB).

Foram aprovadas as prisões preventivas dos deputados Jorge Picciani, Edson Albertassi e Paulo Mello. Os três já estão presos desde novembro do ano passado; Picciani continuará em prisão domiciliar por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF).

As investigações apontam que os deputados recebiam um propina mensal, com pagamentos variando de R$ 20 mil a R$ 100 mil, além do loteamento de cargos. Em troca, os parlamentares se posicionavam em favor dos interesses do ex-governador Sergio Cabral e do então presidente da Alerj, Jorge Picciani. Dentre os “negócios” fechados pelo esquema estão o boicote à CPI dos Ônibus, a revogação das prisões decretadas pela Operação “Cadeia Velha” e a aprovação das contas do governo.

Além dos 10 deputados estaduais, outros 12 mandados de prisão temporária incluem  o atual presidente do Detran, Leonardo Silva Jacob, e o secretário estadual do Governo Pezão, Affonso Monnerat. Os dois são acusados de envolvimento na “farra de cargos do Detran”.

Todos os 22 envolvidos são acusados dos crimes de corrupção ativa e passiva e de formação de organização criminosa.

A Operação “Furna da Onça” baseou-se na delação do ex-operador do esquema Cabral, Carlos Emanuel de Carvalho Miranda, homologada pelo ministro Dias Toffoli. Além disso, foram colhidas provas nas delações dos doleiros Vinícius Claret, o Juca Bala, Cláudio Barbosa, o Tony.

As investigações também apontam para o favorecimento a deputados estaduais no loteamento de cargos do Detran.

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

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