Justiça do Rio mantém prisão de deputados envolvidos na Operação “Furna da Onça”
Publicado em: 13 de novembro de 2018
Promotoria apontou indícios de vazamento da operação. Deputados envolvidos em esquema de propina de ex-governador Cabral ficarão presos sem prazo para soltura
ALEXANDRE PELEGI
A Procuradoria Regional da República no Rio de Janeiro pediu nesta segunda-feira, dia 12 de novembro de 2018, que os sete deputados presos na Operação Furna da Onça em caráter preventivo sejam mantidos na cadeia sem prazo definido.
O desembargador Abel Gomes, relator da Operação Furna da Onça, acatou o pedido do Ministério Público (MP), tornando a prisão temporária dos envolvidos em prisão preventiva.
A decisão alcança não apenas os seis deputados estaduais fluminenses, como os outros presos na operação: o secretário estadual de Governo, Affonso Monerat, o vereador Daniel Marcos Barbirato de Almeida e os assessores José Antonio Wermelinger e Leonardo Andrade. Relembre: Polícia Federal cumpre mandados de prisão contra dez deputados estaduais do Rio
Os deputados são: André Corrêa (DEM), Chiquinho da Mangueira (PSC), Coronel Jairo (MDB), Luiz Martins (PDT), Marcos Abrahão (Avante) e Marcos Vinícius de Vasconcelos Ferreira Neskau (PTB).
Todos foram presos numa ação deflagrada na manhã da quinta-feira da semana passada, dia 8 de novembro, por agentes da Polícia Federal e procuradores da República, que cumpriram 22 mandados de prisão expedidos pelo Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2).
A ação, chamada de Furna da Onça, é desdobramento da Operação Cadeia Velha, que já prendeu em 2017 os também deputados estaduais Jorge Picciani, Paulo Mello e Edson Albertassi, todos do MDB. Relembre: TRF decide pela prisão imediata de deputados envolvidos na operação Cadeia Velha
Os deputados foram presos sob suspeita de participação em um esquema de pagamento de propina comandado pelo ex-governador Sérgio Cabral. Eles são acusados de receber propina em troca de votos para projetos de interesse do governo na Assembleia Legislativa (Alerj). Dentre os “negócios” fechados pelo esquema estão o boicote à CPI dos Ônibus, a revogação das prisões decretadas pela Operação “Cadeia Velha” e a aprovação das contas do governo.
O esquema, segundo as investigações, vem desde o início do primeiro governo de Sergio Cabral, em 2007. A acusação é que o esquema, que ainda estaria em operação, pagava mesadas aos deputados em valores de R$ 20 mil a R$ 100 mil.
O desembargador Abel Gomes, ao acolher o pedido feito pela Procuradoria Regional da República da 2ª Região (PRR2), considerou o argumento de que houve vazamento da operação. Isso porque os mandados de busca e apreensão cumpridos na quinta-feira, dia 8, teriam descoberto que alguns dos investigados destruíram ou sumiram com provas.
Além da conversão das prisões temporárias, o relator determinou ainda a detenção preventiva dos irmãos Andrea e Fábio Cardoso do Nascimento, ex-assessores do deputado Paulo Melo (MDB), e reiterou a prisão preventiva, desde novembro do ano passado, do deputado Paulo Mello e de seus colegas de bancada, Jorge Picciani e Edson Albertassi.
Em sua decisão, o relator Abel Gomes escreveu: “Há indícios documentais e descrição de circunstâncias contextuais verificadas no cumprimento dos mandados de busca e apreensão e de prisões temporárias indicando que alguns dos investigados e pessoas a eles relacionados teriam conhecimento prévio das ações policiais, não só se ‘preparando’, mas atuando para o impedimento da arrecadação, alteração ou destruição de elementos de convicção”.
Sérgio de Castro Oliveira, um dos responsáveis por entregar e receber propinas por ordem do ex-governador Sergio Cabral, afirmou ao MP que o número de envolvidos no esquema da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro pode chegar a 60 deputados dentre os 70 membros da casa.
Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes


