Pista do BRT Transbrasil está prevista para ser concluída em outubro de 2019

Nesta semana, os operários estão fazendo a instalação de uma galeria para deságue. Foto: Divulgação.

Obras foram retomadas pela segunda vez em 30 de julho e ocorrem em 39 quilômetros

JESSICA MARQUES

A pista do BRT Transbrasil está prevista para ser concluída em outubro de 2019. As obras foram retomadas pela segunda vez em 30 de julho e ocorrem em 39 quilômetros.

A previsão foi confirmada pela Secretaria de Infraestrutura e Habitação do Rio de Janeiro ao Diário do Transporte nesta quarta-feira, 24 de outubro de 2018.

Segundo a Pasta, nesta semana, os operários estão fazendo a instalação de uma galeria para deságue com 1.200 metros de diâmetro na altura do Centro de Instrução Almirante Graça Aranha, entre as passarelas 13 e 14.

“Esta intervenção é importante para a drenagem da Avenida Brasil na altura de Ramos de modo a acabar com os pontos de alagamento que se formam na via em dias de chuva forte. No canteiro do Fundão equipes trabalham moldando peças e concreto, além de funções burocráticas de escritório.”

O prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella, anunciou em 31 de julho a retomada das obras do BRT Transbrasil. A licitação havia sido divulgada pela Prefeitura em 2013 e, desde então, a construção foi suspensa e o prazo, prorrogado.

Relembre: Prefeito do Rio de Janeiro anuncia retomada das obras do BRT Transbrasil

SEM INTERDIÇÕES

A Prefeitura do Rio de Janeiro garante que não haverá novas interdições na Avenida Brasil por conta da retomada das obras do BRT Transbrasil. Desde o dia 17 de dezembro de 2017, as quatro faixas da pista central, sentido Centro, estão interditadas entre as passarelas 9 e 19 (entre Cordovil e Ramos). O mesmo trecho no sentido Zona Oeste trabalha em mão dupla, com duas faixas para cada sentido. As pistas laterais continuam liberadas.

“O motorista tem como principais rotas alternativas no sentido Centro: Linha Vermelha e as avenidas Pastor Martin Luther King e Leopoldo Bulhões. Já quem segue no fluxo em direção à Zona Oeste tem como opções: Linha Vermelha; a circulação interna pelos bairros de Bonsucesso, Ramos, Olaria, Penha, Manguinhos e Higienópolis, na Zona Norte, principalmente, pelas avenidas Democráticos, Uranos, Lobo Júnior, Leopoldo Bulhões, Manguinhos e Teixeira de Castro.”

CONHEÇA O PROJETO

O BRT Transbrasil foi projetado para ser um corredor de ônibus com 17 estações, ligando Deodoro ao Centro do Rio.

Segundo reportagem publicada pelo Diário do Transporte no início de 2018, o primeiro trecho das obras, ligando Deodoro ao Caju, foi iniciado ainda em 2015, mas as obras foram suspensas em agosto de 2016, na gestão do prefeito Eduardo Paes.

As obras foram retomadas na administração do prefeito Marcelo Crivella em abril de 2017, após a prefeitura pagar um reajuste no contrato no valor de R$ 115.171.402,03. O prazo de entrega foi prorrogado para julho de 2018.

Além de estender o prazo de entrega do BRT Transbrasil, a prefeitura anunciou que ele funcionaria apenas com ônibus biarticulados, o que deveria ocorrer após a licitação e a conclusão de três terminais (Deodoro, Missões e Margaridas), além do trecho Caju-Centro.

Já em abril de 2018, no entanto, o Sindicato dos Trabalhadores da Indústria da Construção Pesada informava que os serviços estavam paralisados desde março por falta de repasses da prefeitura para o consórcio, formado pelas empresas Odebrecht, Queiroz Galvão e OAS.

Ainda segundo o sindicato, cerca de 1.300 trabalhadores já tinham sido demitidos: 600 em novembro de 2017 e outros 700 entre janeiro e fevereiro de 2018. Da obra inicial, perto de uma centena de operários seguiam trabalhando no canteiro central, dos quais 50 deles para a manutenção.

A prefeitura do Rio alega que as obras foram paralisadas por conta do contingenciamento do governo federal. E o Ministério das Cidades, no fim do ano passado, colocou em xeque a funcionalidade da obra, apontando a ausência de conexão do corredor do Caju ao Centro do Rio.

As obras do BRT Transbrasil em seu primeiro trecho consumiram até aqui 64% dos R$ 1,4 bilhão investidos, e até o momento a licitação para a construção de três terminais rodoviários não foi feita.

A prefeitura do Rio de Janeiro, diante da falta de recursos, fez mudanças no projeto original. O trecho entre Deodoro e Irajá será construído com asfalto e não mais em concreto. A expectativa é que com a economia de recursos seja possível completar a obra do Caju até o terminal Novo Rio. Desta maneira, o orçamento inicial já licitado seria mantido, e o BRT alcançaria o Terminal Américo Fontenelle, atrás da Central do Brasil.

O trajeto entre o Terminal Novo Rio e o Terminal Américo Fontenelle já foi realizado pela Companhia de Desenvolvimento Urbano da Região do Porto do Rio de Janeiro (Cdurp) – são aproximadamente 4 km do BRT Transbrasil, assim como a calha especial na Via Expressa para receber os ônibus articulados.

HISTÓRICO DO BRT

Em uma segunda-feira, dia 13 de maio de 2013, a Prefeitura do Rio de Janeiro anunciava a licitação para a construção do BRT Transbrasil.

Com 32 quilômetros de extensão, a informação era que o Transbrasil seria o maior BRT do mundo em relação à capacidade de transporte.Em matéria do Diário do Transporte, assinada por Adamo Bazani, reportamos o que a Prefeitura do Rio anunciava à época:

“Quando estiver inteiramente pronto, vai atender diariamente a 900 mil passageiros. Capacidade semelhante à de linha de metrô, mas com custo bem menor: R$ 1,5 bilhão. Deste total, R$ 1,097 bilhão terá como fonte de recursos o PAC – Programa de Aceleração do Crescimento – Mobilidade Urbana, do Governo Federal. O restante virá de recursos da Prefeitura do Rio de Janeiro.

A obra será dividida em duas etapas: Do Aeroporto Santos Dumont até a Ligação com o TransOeste (Galeão – Barra da Tijuca). O custo deste trecho será de R$ 785,5 milhões. A outra etapa vai ser da Ligação com o TransOeste até Marechal Deodoro.

O trajeto completo vai atender vias e conexões com alto fluxo de pessoas. O ponto de partida será na estação de trem Deodoro de onde vai percorrer pela a Avenida Brasil.

No centro da cidade, vai seguir pela Avenida Francisco Bicalho e Avenida Presidente Vargas, chegando ao Terminal da Candelária. Depois ele vai seguir para o Aeroporto Santos Dumont, passando por um túnel que começa na Avenida Presidente Antônio Carlos e segue sob o aterro do Flamengo.

Para a implantação do BRT, serão feitos 30 mil metros quadrados de pontes, túneis e viadutos e haverá o alargamento das pistas laterais da Avenida Brasil entre Irajá e Guadalupe, zona Norte da cidade.

O BRT Transbrasil terá 16 passarelas, 28 estações e quatro terminais que serão: Terminal Deodoro, Terminal Trevo das Margaridas, Terminal Trevo das Missões, Terminal Candelária. As estações serão do mesmo padrão do BRT TransOeste: climatizadas, com as plataformas na mesma altura do assoalho do ônibus, painéis com informações sobre horários e linhas, e com o sistema de pré-embarque, que é o pagamento da passagem antes da entrada no ônibus, o que diminui o tempo de parada nas estações.

As obras começam em setembro deste ano (2013) e devem ficar prontas em 30 meses. Apenas um trecho estará em serviço para a Copa do Mundo de 2014. Para as Olimpíadas de 2016, todo o sistema deverá estar em operação.

Serão 881 veículos para atender a todo o sistema, a maior parte formada por ônibus articulados e ônibus biarticulados.

A Avenida Brasil é a principal ligação de regiões da zona Oeste e Norte com o centro do Rio, dá acesso a Linha Amarela, Linha Amarela, ponte Rio-Niterói, rodovia Washington Luiz (BR 040), rodovia Presidente Dutra (BR 116), e Rodovia Rio-Santos (BR 101).

O sistema BRT TransBrasil vai se interligar com outros corredores de ônibus que compõe os planos de mobilidade urbana do Rio de Janeiro: Transolímpica, em Deodoro, e Transcarioca,na Ilha do Governador. Esses dois sistemas serão conectados ao BRT TransOeste, que já está em operação. Ao todo, serão 155 quilômetros de BRT no Rio de Janeiro”.

CRONOLOGIA

2014 – As obras do BRT Transbrasil são licitadas por R$ 1.416.999.380,46, sendo R$ 1,3 bilhão do Ministério das Cidades, a cargo da Caixa Econômica Federal. O restante é oferecido como contrapartida do município. Até o momento, foram desembolsados R$ 950 milhões, restando R$ 450 milhões.

2015 – Começam as obras do BRT Transbrasil.

2016 – Obras são suspensas em agosto.

2017 – A retomada do trabalho acontece em abril, após a Prefeitura pagar um reajuste no contrato no valor de R$ 115.171.402,03.

2018 – Em março, o trabalho volta a ser paralisado, devido ao contingenciamento dos repasses pela Caixa Econômica Federal, que analisava as alterações do projeto feitas em concordância com o Ministério das Cidades e a Prefeitura do Rio. Em julho, o prefeito Marcelo Crivella anuncia um acordo com a Caixa e o Ministério das Cidades que permite a retomada das obras.

Jessica Marques para o Diário do Transporte

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