Prefeito do Rio de Janeiro anuncia retomada das obras do BRT Transbrasil

Publicado em: 31 de julho de 2018

Licitação havia sido anunciada em 2013 e, desde então, projeto teve construção suspensa e prazo de entrega prorrogado

JESSICA MARQUES

O prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella, anunciou nesta terça-feira, 31 de julho, a retomada das obras do BRT Transbrasil. A licitação havia sido divulgada pela Prefeitura em 2013 e, desde então, a construção foi suspensa e o prazo, prorrogado.

Quando concluído, o corredor para ônibus articulados, com 39 km de extensão, ligará o bairro de Deodoro, na Zona Oeste, ao Terminal Américo Fontenelle, localizado atrás da Central do Brasil, no Centro, conforme informações da Prefeitura.

“O desenho original, licitado em 2014, previa um trajeto um pouco menor, até o Caju. Mas Crivella conseguiu aprovar, junto ao Ministério das Cidades e à Caixa Econômica Federal, a alteração do escopo para estender a via expressa até o Centro, sem impactar no orçamento original, licitado em R$ 1,4 bilhão. Com 80% do projeto prontos, a obra deve ser concluída em um ano e gerar cerca de duas mil vagas de emprego” – informou a Prefeitura, em nota.

A administração municipal informou que o prazo estimado para que o consórcio responsável pela obra remonte a estrutura necessária na Avenida Brasil é de dez a 15 dias. Neste período, os operários devem iniciar os trabalhos, segundo a Prefeitura.

TERMINAIS RODOVIÁRIOS

Além da conclusão do trajeto Deodoro-Central do Brasil, a Prefeitura informou que três terminais rodoviários de ligação serão construídos: o de Deodoro, que se conecta ao Transbrasil e à Transolímpica; o do Trevo das Margaridas, para absorver quem vem da Baixada Fluminense pela Rodovia Presidente Dutra; e o do Trevo das Missões, que receberá o fluxo da Baixada pela Avenida Washington Luiz.

“O edital para as obras dos terminais será lançado em setembro pela Prefeitura do Rio. O terminal em Deodoro custará aproximadamente R$ 100 milhões, e os outros dois, R$ 50 milhões cada um. O tempo estimado para a conclusão das três estações é de 18 meses, e os recursos são do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Em paralelo, a Secretaria de Infraestrutura e Habitação já iniciou o estudo do projeto que, posteriormente, ampliará a Transbrasil com uma via que ligará Deodoro ao bairro de Santa Cruz, também na Zona Oeste” – informou a Prefeitura do Rio de Janeiro.

“O trajeto entre a Rodoviária Novo Rio e o Terminal Américo Fontenelle já foi realizado pela Companhia de Desenvolvimento Urbano da Região do Porto do Rio de Janeiro (CDURP) como exigência do legado olímpico. A companhia fez aproximadamente quatro quilômetros do BRT Transbrasil, assim como a calha especial na via expressa para receber os ônibus articulados. As ruas Rivadávia Correia e Bento Ribeiro, na Gamboa, receberão apenas obras de acabamento, como, por exemplo, as estações. O mesmo acontecerá com a Rodoviária Novo Rio, que terá adaptações e melhorias para receber o sistema BRT”.

CONHEÇA O PROJETO

O BRT Transbrasil foi projetado para ser um corredor de ônibus com 17 estações, ligando Deodoro ao Centro do Rio.

Segundo reportagem publicada pelo Diário do Transporte no início de 2018, o primeiro trecho das obras, ligando Deodoro ao Caju, foi iniciado ainda em 2015, mas as obras foram suspensas em agosto de 2016, na gestão do prefeito Eduardo Paes.

As obras foram retomadas na administração do prefeito Marcelo Crivella em abril de 2017, após a prefeitura pagar um reajuste no contrato no valor de R$ 115.171.402,03. O prazo de entrega foi prorrogado para julho de 2018.

Além de estender o prazo de entrega do BRT Transbrasil, a prefeitura anunciou que ele funcionaria apenas com ônibus biarticulados, o que deveria ocorrer após a licitação e a conclusão de três terminais (Deodoro, Missões e Margaridas), além do trecho Caju-Centro.

Já em abril de 2018, no entanto, o Sindicato dos Trabalhadores da Indústria da Construção Pesada informava que os serviços estavam paralisados desde março por falta de repasses da prefeitura para o consórcio, formado pelas empresas Odebrecht, Queiroz Galvão e OAS.
Ainda segundo o sindicato, cerca de 1.300 trabalhadores já tinham sido demitidos: 600 em novembro de 2017 e outros 700 entre janeiro e fevereiro de 2018. Da obra inicial, perto de uma centena de operários seguiam trabalhando no canteiro central, dos quais 50 deles para a manutenção.

A prefeitura do Rio alega que as obras foram paralisadas por conta do contingenciamento do governo federal. E o Ministério das Cidades, no fim do ano passado, colocou em xeque a funcionalidade da obra, apontando a ausência de conexão do corredor do Caju ao Centro do Rio.

As obras do BRT Transbrasil em seu primeiro trecho consumiram até aqui 64% dos R$1,4 bilhão investidos, e até o momento a licitação para a construção de três terminais rodoviários não foi feita.

A prefeitura do Rio de Janeiro, diante da falta de recursos, fez mudanças no projeto original. O trecho entre Deodoro e Irajá será construído com asfalto e não mais em concreto. A expectativa é que com a economia de recursos seja possível completar a obra do Caju até o terminal Novo Rio. Desta maneira, o orçamento inicial já licitado seria mantido, e o BRT alcançaria o Terminal Américo Fontenelle, atrás da Central do Brasil.

O trajeto entre o Terminal Novo Rio e o Terminal Américo Fontenelle já foi realizado pela Companhia de Desenvolvimento Urbano da Região do Porto do Rio de Janeiro (Cdurp) – são aproximadamente 4 km do BRT Transbrasil, assim como a calha especial na Via Expressa para receber os ônibus articulados.
A Prefeitura do Rio aguarda agora a liberação dos recursos bloqueados pelo Ministério das Cidades para poder reiniciar as obras. A expectativa é que a liberação ocorra ainda neste mês de julho.

HISTÓRICO DO BRT

Numa segunda-feira, dia 13 de maio de 2013, a Prefeitura do Rio de Janeiro anunciava a licitação para a construção do BRT Transbrasil.

Com 32 quilômetros de extensão, a informação era que o Transbrasil seria o maior BRT do mundo em relação à capacidade de transporte.
Em matéria do Diário do Transporte, assinada por Adamo Bazani, reportamos o que a Prefeitura do Rio anunciava à época:

“Quando estiver inteiramente pronto, vai atender diariamente a 900 mil passageiros. Capacidade semelhante à de linha de metrô, mas com custo bem menor: R$ 1,5 bilhão. Deste total, R$ 1,097 bilhão terá como fonte de recursos o PAC – Programa de Aceleração do Crescimento – Mobilidade Urbana, do Governo Federal. O restante virá de recursos da Prefeitura do Rio de Janeiro.

A obra será dividida em duas etapas: Do Aeroporto Santos Dumont até a Ligação com o TransOeste (Galeão – Barra da Tijuca). O custo deste trecho será de R$ 785,5 milhões. A outra etapa vai ser da Ligação com o TransOeste até Marechal Deodoro.

O trajeto completo vai atender vias e conexões com alto fluxo de pessoas. O ponto de partida será na estação de trem Deodoro de onde vai percorrer pela a Avenida Brasil.

No centro da cidade, vai seguir pela Avenida Francisco Bicalho e Avenida Presidente Vargas, chegando ao Terminal da Candelária. Depois ele vai seguir para o Aeroporto Santos Dumont, passando por um túnel que começa na Avenida Presidente Antônio Carlos e segue sob o aterro do Flamengo.

Para a implantação do BRT, serão feitos 30 mil metros quadrados de pontes, túneis e viadutos e haverá o alargamento das pistas laterais da Avenida Brasil entre Irajá e Guadalupe, zona Norte da cidade.

O BRT Transbrasil terá 16 passarelas, 28 estações e quatro terminais que serão: Terminal Deodoro, Terminal Trevo das Margaridas, Terminal Trevo das Missões, Terminal Candelária. As estações serão do mesmo padrão do BRT TransOeste: climatizadas, com as plataformas na mesma altura do assoalho do ônibus, painéis com informações sobre horários e linhas, e com o sistema de pré-embarque, que é o pagamento da passagem antes da entrada no ônibus, o que diminui o tempo de parada nas estações.

As obras começam em setembro deste ano (2013) e devem ficar prontas em 30 meses. Apenas um trecho estará em serviço para a Copa do Mundo de 2014. Para as Olimpíadas de 2016, todo o sistema deverá estar em operação.

Serão 881 veículos para atender a todo o sistema, a maior parte formada por ônibus articulados e ônibus biarticulados.

A Avenida Brasil é a principal ligação de regiões da zona Oeste e Norte com o centro do Rio, dá acesso a Linha Amarela, Linha Amarela, ponte Rio-Niterói, rodovia Washington Luiz (BR 040), rodovia Presidente Dutra (BR 116), e Rodovia Rio-Santos (BR 101).

O sistema BRT TRansBrasil vai se interligar com outros corredores de ônibus que compõe os planos de mobilidade urbana do Rio de Janeiro: Transolímpica, em Deodoro, e Transcarioca,na Ilha do Governador. Esses dois sistemas serão conectados ao BRT TransOeste, que já está em operação. Ao todo, serão 155 quilômetros de BRT no Rio de Janeiro”.

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