BRT do Rio de Janeiro entra com ação na Justiça contra a Prefeitura

Consórcio aponta evasão de 72 mil passageiros por dia, mesmo com lei que prevê multa para esse tipo de ação. Foto: Divulgação.

Insegurança, calote e pistas irregulares estão entre os itens que motivaram o processo

JESSICA MARQUES

O Consórcio BRT do Rio de Janeiro ajuizou uma ação contra a Prefeitura alegando que alguns problemas estão inviabilizando a prestação de serviços. Entre as questões citadas estão calotes, evasão e falta de segurança.

As más condições das pistas por onde circulam os ônibus do BRT também foram mencionadas no processo. Conforme publicado por Geraldo Ribeiro no jornal O Globo, a ação foi ajuizada nesta semana.

Segundo o consórcio, os principais problemas estão no corredor Transoeste, que estaria reduzindo a vida útil dos ônibus em estações como Mato Alto, Santa Cruz, Curral Falso e Pingo D’Água.

Ao jornal O Globo, o Consórcio BRT informou que está notificando frequentemente a Prefeitura sobre os problemas enfrentados, mas que o município nada faz para solucioná-los.

EVASÃO

O consórcio informou ainda que, dos cerca de 500 mil passageiros transportados por dia nos três corredores (Transoeste, Transcarioca e Transolímpica), 72 mil não passam pelas catracas.

A Prefeitura e o Rio Ônibus, sindicato que reúne as companhias municipais, anunciaram uma série de medidas no dia 3 de agosto de 2018, dentre as quais constava o combate à evasão e a proteção às estações, que vêm sendo vandalizadas.

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O passageiro que entrar nas estações sem pagar a tarifa pode ser multado em R$ 170; a reincidência eleva o valor da multa para R$ 255.

No final de junho o prefeito Marcelo Crivella já havia sancionado uma lei municipal prevendo o pagamento de multa de R$ 5 mil para quem depredar estações ou veículos do BRT.

O consórcio distribui folhetos informando a medida aos passageiros, mas reivindica uma definição da Prefeitura para colocar a lei em prática.

“Desconhecemos qualquer detalhe da operação porque ainda não tivemos nenhuma reunião com a Seop (Secretaria municipal de Ordem Pública) ou a GM (Guarda Municipal)”, informou o BRT, por meio de nota.

OUTRO LADO

Em nota, a Prefeitura informou que é obrigação do operador manter o equipamento em boas condições para os passageiros e garantir a segurança dos usuários nas estações e terminais rodoviários.

Confira a nota na íntegra:

“Sobre a adequação das estações do BRT, a Secretaria Municipal de Transportes informa que é obrigação do operador manter o equipamento concedido em boas condições para os passageiros, realizando manutenções e reparos necessários, bem como garantir o resguardo dos usuários em estações, terminais rodoviários e garagens que operam. Eventuais prejuízos devem ser apresentados no ato da revisão do contrato. A Seconserma informa que mantém contratos específicos para reparos de conservação na Transcarioca e Transoeste. Desde então, as pistas de BRT vem sendo atendidas diariamente por essa equipe exclusiva. O cronograma é feito semanalmente obedecendo a critérios técnicos de prioridade. Sobre a recuperação total da pista exclusiva do BRT Transoeste: em levantamento recente identificou-se a necessidade de uma obra estrutural na pista dos BRTs. O relatório aponta que alguns trechos podem ser mantidos com pavimento flexível, enquanto em outros deveria ser utilizado o rígido. A recuperação da pavimentação deste BRT necessita de recursos na ordem de R$ 35 milhões, escopo que inclui minucioso estudo de suporte do solo para recuperação dos trechos críticos.”

A Guarda Municipal, por sua vez, informou ao Globo que “não começará multando”, mas não informou detalhes sobre a punição para os infratores.

TROCA DE FARPAS

Essa não foi a primeira vez em que o BRT do Rio e a Prefeitura trocaram farpas. Em 1º de outubro, quando a roda de um ônibus do BRT caiu com o veículo em movimento, a concessionária responsabilizou a Prefeitura do Rio de Janeiro pelo ocorrido. Segundo o BRT Rio, as más condições da via causam problemas mecânicos nos veículos e interferem na operação do sistema.

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A Prefeitura, por meio da Secretaria Municipal de Transportes, rebateu.

“A SMTR reforça que mantém monitoramento permanente, além de realizar ações de fiscalização frequentes para verificar as condições da frota e os serviços oferecidos à população. Somente este ano, o Consórcio BRT foi autuado 234 vezes devido ao mau estado de conservação dos veículos”,informou a Prefeitura, em nota.

Leia mais em Prefeitura do Rio de Janeiro afirma que Consórcio BRT foi autuado 234 vezes devido ao mau estado de conservação dos veículos

Jessica Marques para o Diário do Transporte

1 comentário em BRT do Rio de Janeiro entra com ação na Justiça contra a Prefeitura

  1. E o Rio vai de mal a pior…. La se foi os tempos áureos.

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