60 dos 100 ônibus elétricos vendidos pela BYD para o Transantiago já estão prontos na China

Foto dos 60 ônibus da BYD em Nanjing, China, primeiros elétricos do Transantiago; têm tom semelhante ao dos trens do metrô da capital chilena. (Crédito: La Tercera/Chile)

Previsão é que em novembro deste ano todos os 100 veículos deverão chegar a Santiago do Chile. Outros 100 elétricos serão fabricados pela Yutong, e deverão ser entregues no verão de 2019

ALEXANDRE PELEGI

O Transantiago, que ao lado do metrô é o principal pilar do transporte da capital e região metropolitana da capital do Chile, nasceu há 12 anos. Na época, segundo o jornal chileno La Tercera, ter ônibus elétricos na frota representava apenas uma ideia que servia para países desenvolvidos e que, dizia-se, era a solução ideal para cidades poluídas como Santiago.

Mas os preços da indústria automotiva e a penetração de fabricantes de países como o Brasil naquela época levaram a que a iniciativa não fosse além do papel”, diz a matéria.

O texto do jornal chileno comemora um marco para a biografia da capital do Chile: o Transantiago terá 100 ônibus elétricos neste ano, tornando-se, segundo as autoridades do país, a maior frota depois da China.

O Diário do Transporte deu essa informação logo que o acordo foi concretizado, em julho deste ano. Relembre: BYD vende 100 ônibus elétricos para Santiago do Chile

O último governo do país planejou exigir veículos elétricos na licitação do sistema de transporte no ano passado, mas o certame finalmente não se concretizou. Na primeira tentativa de licitação, barrada pelo tribunal de concorrência (uma espécie de TCU chileno) até um grupo de empresas de ônibus brasileiro tentou arrematar alguns lotes operacionais. Relembre: Licitação do Transantiago deve prever subsídios para cobrir déficit nos primeiros anos de operação

A administração atual, segundo o jornal La Tercera, estabeleceu uma meta para comprar os veículos elétricos “de qualquer maneira este ano”. O objetivo: melhorar a qualidade dos ônibus, já que alguns deles já haviam excedido sua vida útil e circulam em mau estado.

O subsecretário de Transportes, José Luis Domínguez, explica que o trabalho foi feito com o setor privado para adquirir frotas com “emissão zero” de gases de efeito estufa. E em entrevista ao jornal ele ressalta que a distribuidora de energia Enel foi quem adquiriu os ônibus da fabricante BYD. O valor da compra será pago pela operadora Metbus, mediante contrato de 10 anos. A Metbus, por sua vez, receberá os recursos do Estado.

Segundo alega a autoridade de transportes chilena, “não são ônibus mais caros, pois no fim representam uma economia“. Segundo ele, cada veículo chega a custar US$ 330 mil.

Até agora a chinesa BYD já fabricou 60, de um total de 100 veículos comprometidos, que foram vistoriados pelo subsecretário na última quinta-feira, dia 27 de setembro, em Nanjing, China. Segundo a matéria, esses ônibus serão enviados por navio para o Chile no final de novembro.

Além das 100 unidades da BYD, outros 100 ônibus elétricos serão fabricados nos próximos meses pela empresa Yutong, podendo chegar a Santiago do Chile durante o verão de 2019.

A matéria do La Tercera sublinha que uma das principais vantagens dos ônibus elétricos será a economia em termos de preços de energia.

Ouvida pelo jornal, Simone Tripepi, gerente da Enel X para a América Latina, diz que o custo por quilômetro é de apenas US$ 70, enquanto um ônibus a diesel sai 3 vezes mais caro, US$ 210. “Este projeto é único e também esperamos participar da concorrência que será feita neste ano“, diz ela, na condição de fornecedora de ônibus às companhias interessadas.

Já Tamara Berrios, gerente nacional da BYD no Chile, reforça que este grupo de ônibus tem a característica de não gerar emissões ou ruído. E acrescenta: “as baterias são carregadas em três horas nas estações que estarão nos terminais”.

Vermelho e branco serão as cores dos primeiros veículos elétricos do Transantiago, um tom semelhante ao dos trens do metrô da capital chilena. Isso para que a experiência de viagem seja semelhante à do trem subterrâneo, serviço que é bem avaliado pelos chilenos. A executiva da BYD Berrios acrescenta que os ônibus têm 12 metros de comprimento e 31 assentos, com capacidade para 80 pessoas, sentadas e em pé.

Com wi-fi e ar condicionado, os elétricos do Transantiago não terão catracas para entrar. O subsecretário de Transportes, José Luis Domínguez, explica que a evasão será fiscalizada por meio de contadores de passageiros ou câmeras.

Caberá à Enel a instalação de 100 carregadores elétricos nos terminais de Peñalolén e Maipú. Essa infraestrutura é fundamental para veículos com autonomia de rodagem de 250 quilômetros e que precisam ser recarregados em poucas horas.

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

Com informações do jornal chileno “La Tercera”

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