Rede de São Paulo já poderia suportar demanda se todos os ônibus fossem elétricos, garante Eletropaulo

Ônibus elétrico em teste pela empresa Tupi na zona Sul de São Paulo. Foto: José Franca Neto/Ônibus Brasil (Clique para Ampliar)

Empresa diz que seriam necessárias apenas algumas adequações

ADAMO BAZANI/JESSICA MARQUES

Se hoje todos os cerca de 14,5 mil ônibus municipais da capital paulista fossem elétricos, a rede de distribuição e abastecimento da cidade suportaria sem maiores impactos. Quem garante é a Eletropaulo, responsável pelo fornecimento de energia na cidade.

Em nota ao Diário do Transporte, a Eletropaulo informou que seriam necessárias apenas algumas adequações na infraestrutura. O impacto seria pequeno porque a maioria dos ônibus teria as baterias carregadas na madrugada, quando o consumo de energia de empresas e residências é pequeno.

“No caso de todos os ônibus da capital paulista serem elétricos, a Eletropaulo esclarece que a rede elétrica tem capacidade para suportar a demanda, principalmente porque a recarga dos veículos seria fora do horário de ponta. Para isso, algumas adequações precisariam ser feitas, como a construção de subestações e instalações de cabines primárias.”

Com a garantia oficial por parte da Eletropaulo, uma das dúvidas para a implantação de frotas de ônibus elétricos é esclarecida.

Os possíveis impactos na rede fazem parte dos questionamentos, em especial de operadores de ônibus e de correntes que ainda lançam dúvidas sobre a viabilidade dos coletivos movidos a eletricidade.

Os ônibus movidos com fontes alternativas ao óleo diesel devem nos próximos anos ser mais comuns que hoje em dia.

Atualmente, a cidade conta apenas com dois ônibus híbridos, um elétrico em testes e 200 trólebus.

A cidade de São Paulo aprovou no início do ano a lei 16.802 que estipula metas de redução de emissões pela frota de ônibus municipais em períodos de 10 anos e 20 anos.

Em 10 anos, as reduções de CO2 (gás carbônico) devem ser de 50% e, de 100%, em 20 anos. Já as reduções de MP (materiais particulados) devem ser de 90% em 10 anos e de 95% em 20 anos. As emissões de Óxidos de Nitrogênio devem ser de 80% em 10 anos e de 95% em 20 anos.

Entretanto, a lei ainda não foi regulamentada e os editais da licitação dos serviços de ônibus, que contemplam estas metas, estão barrados pelo TCM – Tribunal de Contas do Município, ainda sem previsão de liberação.

PERSPECTIVAS

O sistema da capital paulista deve receber no ano que vem um lote de ônibus elétricos.
Conforme revelou o Diário do Transporte, a fabricante chinesa BYD estima que em todo o Brasil, até o início do ano, deve ter 100 unidades em circulação em diferentes cidades. São Paulo é uma delas que deve integrar este número. As negociações estão em curso.

Relembre: BYD prevê 100 ônibus elétricos no Brasil até o início de 2019

OUTRAS DÚVIDAS

Os operadores de ônibus, entretanto, dizem ter outras dúvidas sobre frotas elétricas.
Uma delas é quanto à autonomia e tempo de recargas de baterias.

As fabricantes prometem autonomia entre 200 km e 300 km com uma única carga.
Não oficialmente, operadores de ônibus disseram ao Diário do Transporte que, em alguns percursos, a carga já estava acabando perto dos 180 km.

O tempo de recarga, segundo os fabricantes, é entre três e quatro horas, o que é considerado muito tempo pelos empresários, já que é o mesmo tempo que habitualmente os ônibus ficam parados nas garagens por dia para outros serviços também, como limpeza e manutenção.

Diversas cidades do mundo têm intensificado os investimentos em ônibus elétricos e em trólebus mais modernos para reduzir as emissões de poluição.

Shenzhen, na China, por exemplo, tem 16 mil ônibus elétricos em operação.
Londres, na Inglaterra, adquiriu frotas de ônibus híbridos e, agora, começa a migrar para mais elétricos com bateria, inclusive para os famosos ônibus de dois andares vermelhos.

Vancouver, no Canadá, modernizou o sistema de trólebus, com veículos que acionam automaticamente as alavancas que conectam às redes áreas de fios.

Além dos elétricos, outras alternativas ao diesel têm sido aplicadas no transporte urbano e metropolitano de passageiros. O gás natural é uma delas.

Montadoras como Scania oferecem modelos, inclusive no Brasil.

Na Alemanha, a empresa lançou nesta semana um ônibus movido a gás natural liquefeito, diferente do apresentado em forma gasosa, como é mais conhecido.

Relembre: Scania apresenta primeiro ônibus a gás natural liquefeito na IAA

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

Colaborou Jessica Marques

 

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Comentários

Comentários

  1. William de Jesus disse:

    Duvido muito disso! Perdi a conta de quantas vezes a Eletropaulo nos deixou na mão. Fora que há bairros que volta e meia a energia cai.

    Eu acho que antes de tudo, precisa resolver os problemas de queda e dos gatos espalhados pela cidade, para ai então vir garantir que é possivel dar esse suporte para Õnibus elétricos

    1. Pedro disse:

      William de Jesus, os ônibus seriam movidos por energia individual (baterias) e não por cabos, e mesmo os movidos por cabos hoje em dia dificilmente param por falta de energia, acho que você exagerou, esse discurso so favorece os produtores de petróleo e seus interesses, vamos mudar novos tempos, abs.

      1. William de Jesus disse:

        Pedro, eu sei que esses ônibus usam baterias individuais. A questão não é essa. Voce mesmo disse que os movidos via cabo dificilmente param, mas o certo era que não parassem de forma alguma. Sò quem já viu sabe o transtorno que fica a cidade quando há falta de energia e vemos os trólebus todos em fila.

        A questão é que, na minha opinião, a Eletropaulo ainda não esta preparada para suportar tal carga com tantos carros sendo carregados simultaneamente. Mesmo sendo por bateria, se ocorre algum problema na rede em que uma garagem fique 1 dia sem energia, será um grande problema pois não terá como carregar os ônibus e gerará prejuizo até para a empresa.

        Não sou a favor dos onibus à diesel, pelo contrário! Mas acho que tá na hora de fazer as coisas do jeito certo, e não garantir que dá se nem 1/3 da frota da cidade é composta por carros elétricos

      2. Pedro disse:

        William, sim, tudo bem, entendi o seu ponto de vista, mas veja o Metro e os Trens, quando chove dão problemas o tempo todo, eletricidade e água só dão certo no chuveiro e mesmo assim queima a resistência de vez em quando,kkkkkkk

  2. Ampliar os corredores de ônibus são fundamentais para isto ocorrer!!!

    “Governar é definir prioridades”, nesta definição entendo que os sr. Haddad / Dória cometeram uma inversão de valores das mesmas, com relação a mobilidade, pois os corredores e faixas de ônibus que comprovadamente beneficiam um número maior de usuários, e deveriam obrigatoriamente preceder as ciclovias, ou seja “trocou a qualidade pela quantidade”.

    Vale lembrar que o acréscimo da verba citada é para uso municipal exclusivamente.
    Entendo que os alcaides ainda nem aprenderam a priorizar, planejar, executar e fiscalizar o trajeto dos corredores e faixas de ônibus e querem fazer isto, o ex. prefeito prometeu 150 km + 23,4 km de corredores até dezembro de 2016, e com os R$ 350 milhões previstos para 2017, é possível fazer somente entre 20 e 30 km de corredores, dependendo da estrutura exigida, só entregando ~37,5 km, 25% do previsto, e um dos motivos senão o principal alegado é a falta de verba, e em troca ampliou as ciclovias, a grande maioria subutilizada, simplesmente ocupando faixas de pedestres ou de veículos, e por consequência a diminuição da velocidade com a suposta alegação de segurança, além de aumentar para gravíssima a multa do infeliz motorista que a ultrapasse, com o aval do governo federal.

  3. Rodrigo Zika! disse:

    Eu sempre soube que é possível, pois sabemos que e um lobby das empresas de SP, Caio e Ruas, que resistem a ônibus menos poluentes, e a prefeitura fecha os olhos pra tudo, e não obriga nada, uma vergonha, esse Dória entrou na prefeitura pra usar somente como trampolim, e se candidatar a governador, deixou com o tal Bruno Covas, e nada foi feito ate o momento de relevante no transporte publico, um absurdo, nem o tal ligeirão saiu do papel, e o povo como sempre dormindo, e só vai piora caso o Dória seja eleito governador, apenas será um Alckmin 2.

    1. Pedro disse:

      Rodrigo Zica, uma correção o Doria queria uma cidade sem ônibus, cade o rapidão, os corredores prometidos, ele so se elege poque o nosso interior não o conhece, e não ficaram sabendo que ele retirou dezenas de linhas de ônibus, fechou uma centena de AMAS e por ai vai, não sou ligado a politica mas como sou mais velho sei por experiencia que o PSDB não gosta de povo nem de transporte público.

      1. Rodrigo Zika! disse:

        Ah isso não e novidade, agora com o Márcio França ai, já estão começando e tirar o ensino médio de algumas escolas estaduais, absurdo, e o povo como sempre zzzzzzzzzzzz

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