BYD prevê 100 ônibus elétricos no Brasil até o início de 2019

Publicado em: 17 de setembro de 2018

Ônibus da BYD para a Viação Piracicabana no DF. Grupo Comporte considera comprar mais veículos, segundo executivo de fabricante. Foto: Douglas de Souza Melo/Marcopolo

Há negociações para a capital paulista. Diretor da empresa chinesa no Brasil, Adalberto Maluf, também fala sobre estimativas de vendas de caminhões, vans e carros movidos à eletricidade. Aluguel de veículos também está entre os negócios

ADAMO BAZANI

A empresa chinesa BYD, que tem planta em Campinas, no interior paulista, projeta que entre o final de 2018 e início de 2019 estejam em circulação em torno de 100 ônibus elétricos da marca em diferentes cidades brasileiras.

A informação, com exclusividade ao Diário do Transporte, é do diretor de marketing, sustentabilidade e negócios da empresa, Adalberto Maluf.

O executivo contou que a primeira frota com operações comerciais foi na cidade de Campinas. Gradativamente, empresas de ônibus de outras cidades começaram a comprar mais unidades, a maior parte em pequenos lotes, e, atualmente, são em torno de 30 coletivos elétricos circulando em locais como Santos, Brasília, Volta Redonda e, mais recentemente, Uberlândia.

O número de até 100 ônibus agora deve ser alcançado também com as vendas de lotes maiores. Há, inclusive,negociações para a capital paulista, segundo Adalberto Maluf.

“Tem grandes processos em andamento em São Paulo e outra grande cidade que, juntas, vão somar 50 ônibus. Vamos começar as primeiras entregas ainda neste ano para concluir os pedidos até o começo do ano que vem.” – revelou.

A cidade de Niterói, no Rio de Janeiro, pretende criar um BRT com 40 ônibus elétricos e a BYD também está atenta a esta possibilidade de vendas.

Adalberto Maluf também destacou as vendas de caminhões elétricos de coleta de lixo, que devem chegar a 200 unidades nos próximos anos.

“O mercado de caminhões de lixo chegou a 20 [unidades] agora, vai chegar a 200 unidades nos próximos anos; 20 neste ano, 21 no ano que vem, e assim gradativamente até chegar a 200. A gente já teve licitações para o Rio de Janeiro e para o interior de São Paulo”

Sobre vans elétricas de entregas urbanas, Adalberto Maluf, disse que já estão em circulação 35 unidades e mais veículos serão entregues.

“Nós já temos 35 vans elétricas em circulação, com ‘players’ já para empresas como DHL, Schneider, CarbonoZero, Nestlé, EcoRodovias”

Os carros elétricos também têm ganhado mais destaque para a BYD que, segundo Adalberto Maluf, passou a atuar no segmento de aluguel dos veículos.

“Temos carros para empresas, começamos agora uma política de aluguel e venda para a iniciativa privada. Já foram feitos negócios com Algar, Makro, Enel [que recentemente comprou a Eletropaulo]… são processos, a gente está ajudando a abrir mercados, os primeiros projetos pilotos. No dia que o governo se conscientizar e tirar a barreira de impostos, eu tenho a certeza que o mercado vai crescer”

MUNICÍPIOS, OS PONTOS DE PARTIDA PARA OS ÔNIBUS ELÉTRICOS:

Quanto ao crescimento de frota de ônibus elétricos, Adalberto Maluf destaca a iniciativa de prefeitos, uma boa parte, jovens, e que têm uma ‘agenda ambiental’. Segundo o diretor da BYD, estes prefeitos tomam iniciativas, têm as ideias, e envolvem os empresários nas compras, mesmo de pequenos lotes experimentais.

“Vejo que a mudança tem começado mais pelas cidades que pelo Governo Federal em si. Temos uma geração de prefeitos que quer inovar, proporcionar novas realidades. E o que o empresário quer acima de lucro? Continuar na concessão dos serviços. Sabendo que em próximas licitações, as prefeituras podem exigir reduções de emissões, estes empresários acabam comprando poucas unidades para ganhar experiência e conhecerem o produto para estarem aptos para as licitações, saberem dos custos, da operação. Tivemos casos de empresários que compraram ônibus elétricos para operar em uma cidade que passará a exigir reduções de poluição, gostaram dos veículos e consideram agora comprar para outras cidades onde atuam, mesmo sem exigência das prefeituras” – finaliza.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

Comentários

  1. Rodrigo Zika! disse:

    SP deveria ser o primeiro ter ter mais unidades como exemplo, isso e uma vergonha, a prefeitura beneficia empresários, isso faz um bom tempo, a eletra ta ai faz tempo, não compram ônibus elétricos porque não querem, e ficam fazendo testes eternos propositalmente, pra enrolar.

  2. Pedro disse:

    Existe um forte lóbi da industria da queima de combustível fóssil, e das empresa automobilísticas, contra a industria da energia limpa, e nossos governantes com medo do fim do dinheiro fácíl que vem do petróleo, criam dezenas de empecilhos, como taxas e impostos que impossibilitam o crescimento desta técnologa.

  3. Olmir disse:

    Estão conseguindo oferecer boas soluções, ai com o perfil de players nacionais na integração parece estar mais próximo da efetivação, existem diversos desafios, dentre outros os de custo inicial, em especial quando comparados a equipamentos a diesel e similares em outros países. Mas as tecnologias, das diversas players globais, estão tendo bons avanços, é esperado já para as próximas décadas essa facilidade de acesso, mesmo em cenário de mais eficiências dos a diesel, biodiesel, bio,….
    O conceito de uso de mais tecnologias, ai uso diversos meios de pagamento, automatizados, já que o custo final para o usuário é de muitas décadas um problema em termos de custo para os usuários, até os que recebem até custo os vt reclamam, é um conjunto de coisas muito preocupantes, em setor conhecido como lixo da atividade empresarial,…..

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