SPTrans pede à Eletropaulo estudos sobre impactos de ônibus elétricos

Ônibus elétrico em exibição frente à prefeitura de São Paulo por uma das empresas que passou por testes. Foto: Bruno Nascimento - Texto: Adamo Bazani (Clique para ampliar a imagem)

Secretário de Mobilidade e Transportes, João Octaviano Machado Neto, diz que são necessárias mais informações sobre infraestrutura e planos de contingências. Distribuidora informou que energia hoje seria suficiente para carregar toda a frota

ADAMO BAZANI

A SPTrans – São Paulo Transporte, gerenciadora do sistema de ônibus da capital paulista, pediu à Eletropaulo, responsável pelo fornecimento de energia na cidade, estudos sobre os impactos de um eventual crescimento da frota de modelos movidos à eletricidade.

Nesta quarta-feira, o Diário do Transporte publicou com exclusividade, posicionamento da Eletropaulo afirmando que a rede tem energia suficiente para atender à demanda caso hoje todos os aproximadamente 14,5 mil ônibus fossem movidos à eletricidade.
Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2018/09/19/rede-eletrica-de-sao-paulo-ja-poderia-suportar-demanda-se-todos-os-onibus-fossem-eletricos-garante-eletropaulo/

Em entrevista por telefone ao Diário do Transporte, o secretário municipal de Mobilidade e Transportes, João Octaviano Machado Neto, disse que as dúvidas que precisam ser esclarecidas não são apenas sobre a quantidade de energia disponível.

“São necessários esclarecimentos sobre a infraestrutura. A própria Eletropaulo citou a necessidade da construção de subestações e instalações de cabines primárias, ou seja, mesmo havendo energia suficiente, é preciso pensar na distribuição” – disse.

Para João Octaviano, a necessidade de adequações de infraestrutura prova que ainda não é possível pensar em uma frota com a maior parte de ônibus elétricos neste momento.

“A reponsabilidade tem de ser muito grande neste debate. Não podemos ter uma visão romântica do assunto. São Paulo tem um sistema de transportes com números superlativos, muito grandes mesmo, são três milhões de quilômetros rodados por dia.” – comentou João Octaviano que acredita que a questão da infraestrutura pode ser uma oportunidade de negócios para a iniciativa privada.

“Além de novas subestações e cabines primárias, serão necessários postos intermediários de cargas rápidas das baterias, nos terminais de ônibus, por exemplo, ou em algum ponto do trajeto caso a autonomia esteja próxima de seu limite. Vão ser oportunidades de negócios interessantes”

CONTINGÊNCIA:

O secretário da gestão Bruno Covas ainda disse que outra dúvida é em casos de contingência, como, quando a distribuição for afetada por falta de energia.

“Por exemplo, falta energia no bairro de uma garagem por causa de uma chuva forte ou um raio. O que vamos fazer? Quais devem ser os planos nestes casos? Eu não posso pedir para as pessoas irem a pé porque não teve energia para recarregar os ônibus” – disse João Octaviano.

O secretário comentou que ainda não há certeza para a realidade de São Paulo qual tecnologia de ônibus vai ser predominante para cumprir as metas de redução de poluição estipuladas em lei sancionada em janeiro pelo então prefeito João Doria.

Além de ônibus elétricos, há opções como o gás natural e biocombustíveis.

A lei 16.802 estipula metas de redução de emissões pela frota de ônibus municipais em períodos de 10 anos e 20 anos.

Em 10 anos, as reduções de CO2 (gás carbônico) devem ser de 50% e, de 100%, em 20 anos. Já as reduções de MP (materiais particulados) devem ser de 90% em 10 anos e de 95% em 20 anos. As emissões de Óxidos de Nitrogênio devem ser de 80% em 10 anos e de 95% em 20 anos.

OFÍCIO:

Diante da informação oficial da Eletropaulo de que há energia suficiente para carregar as baterias da frota paulistana caso todos os ônibus fossem elétricos, o vereador Caio Miranda Carneiro enviou nesta quarta-feira, 19, um ofício à Secretaria de Mobilidade e Transportes solicitando estudos sobre cenários para ônibus elétricos e cronogramas para o cumprimento das metas de redução previstas na lei municipal.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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Comentários

Comentários

  1. Rodrigo Zika! disse:

    Não adianta ficar só no estudo, tem que implantar, outras cidades já estão fazendo isso, SP deveria ser o exemplo, mais os políticos tem grana a receber das empresas, só pode.

  2. Pedro disse:

    Rodrigo Zika, os estudos são pra saber se a retorno financeiro, as empresas teriam que investir dinheiro, o que eles não querem, eles gostam de de rodar com ônibus velhos, sujos e poluentes, que utilizem manutenções meia boca, até parece que você não conhece o nosso gado, e fique de olho nesta licitação tem um forte cheiro de cartas marcadas, duvido que deixem entra outras empresas que não sejam estas pocarias que já trabalham em SP, fora raras exceções.

  3. edgardo disse:

    Pedro tem q pensar q onibus elétrico é inimigo d ônibus novo, é simples, a amortização da compra faz com q o frotistas deva ter o ônibus mais tempo em circulação para o retorno do dinheiro…
    Vc no melhor dos casos vai ter os mesmas carrocerias Caio ou Marcopolo(se q não é chines) e as mesmas ruas repletas d buracos, mas com uma autorização d vida de serviço maior x ser elétrico….conclusão do terceiro ate o décimo ano d vida…esses sete anos vc vai andar de sucata!!! E o povo feliz…!!!! Kkkkkkk

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