Empresários de ônibus pagaram propinas de R$ 250 milhões no Rio, diz Traça

Publicado em: 16 de agosto de 2018

Empresas de ônibus pagavam propina em troca de facilidades. Foto: Douglas Barbalho/Onibus Brasil/Clique para Ampliar/Foto Meramente Ilustrativa

Marcelo Traça Gonçalves prestou depoimento ao juiz Marcelo Bretas, da Lava-Jato no Rio, e disse que mesmo com a operação, o esquema continuava

ADAMO BAZANI

Em apenas quatro anos, os empresários de ônibus do Rio de Janeiro pagaram em torno de R$ 250 milhões de propinas para políticos e agentes públicos para terem as fiscalizações relaxadas e barrarem projetos na Assembleia Legislativa que pudessem criar mais exigências e prejudicar as viações.

A informação é do empresário de ônibus Marcelo Traça Gonçalves em depoimento que ocorreu nesta quarta-feira, 15 de agosto de 2018, ao juiz Federal Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal Criminal do Rio, no âmbito da Operação Cadeia Velha.

Segundo a Agência Brasil, Traça disse que este valor foi pago entre 2013 e 2016.

Um dos principais destinos do dinheiro era a Alerj para barrar a aprovação de projetos que pudessem prejudicar os interesses dos donos de empresas de ônibus.

Marcelo Traça Gonçalves foi preso em julho do ano passado, durante a Operação Ponto Final, quando também foram presos o então presidente da Fetranspor, que reúne as empresas de ônibus, Marcos Lélis Teixeira, e o maior empresário de ônibus do Rio de Janeiro, Jacob Barata Filho. Todos estão livres graças a decisões seguidas do ministro do STF – Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes.

Marcelo Traça Gonçalves pertence à segunda geração de proprietários da Rio Ita Ltda, que é uma das maiores empresas de ônibus urbanos e metropolitanos do Estado do Rio. Traça se tornou colaborador da Justiça e, segundo bastidores do setor, suas informações assustam outros empresários de ônibus.

No depoimento de ontem, Traça disse que os empresários pagavam grandes recursos “por fora” para agentes públicos para que fosse combatido com mais rigor o transporte clandestino feito por meio de vans na capital e cidades da região metropolitana.

O empresário foi além no depoimento e disse que mesmo com a Operação Lava-Jato em curso, o esquema não tinha se intimidado e o “propinoduto” das empresas de ônibus continuava firme.

Os pagamentos só acabaram após a Lava Jato, por meio da Operação Ponto Final, mirar o sistema de transportes.

CPI:

Os deputados da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro aprovaram nesta quarta-feira, 15 de agosto de 2018, o relatório final da CPI dos Transportes.

Após as investigações, análises de documentos e tomada de depoimentos, os parlamentares concluíram que existem diversas irregularidades na concessão e operação dos diferentes modais no estado, em especial na capital e na região metropolitana.

A exemplo do que já havia sugerido o Ministério Público Estadual (MPE-RJ), o documento da Alerj pede a extinção da Fetranspor, federação que reúne as empresas de ônibus do Estado.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2018/08/15/relatorio-da-cpi-dos-transportes-do-rio-pede-extincao-da-fetranspor-e-revogacao-do-aumento-do-bilhete-unico/

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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