Interditada há mais de dois anos, passarela da CPTM faz falta a moradores de Rio Grande da Serra

Passarela foi removida em abril para instalação de nova estrutura, mas ainda não há previsão para as obras. Foto: Jessica Marques

Com manobra de trens de carga, pedestres aguardam até 20 minutos para cruzar via férrea

JESSICA MARQUES

A passarela que cruza a via férrea da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) em Rio Grande da Serra, no ABC Paulista, está interditada há mais de dois anos, desde março de 2016.

Em abril deste ano, os passageiros tiveram uma esperança de que a passarela fosse reconstruída em breve. Na época, a CPTM removeu a estrutura antiga, que estava interditada, para a instalação de uma nova via.

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Entretanto, até o momento, não há previsão para a instalação de uma nova passagem para pedestres sobre a via férrea. Enquanto isso, muitos moradores de Rio Grande da Serra sofrem com a espera para atravessar os trilhos, principalmente quando trens de carga estão manobrando.

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A operadora de telemarketing Janaina Ferreira, 23 anos, contou à reportagem do Diário do Transporte que chegou a esperar até 20 minutos para passar do centro da cidade para a estação de trem e vice-versa.

“Comecei a ver isso quando comecei a trabalhar, já tem quase cinco meses”, disse. “Tem vez que o trem de carga fica parado na linha só com dois vagões e não dá para a gente passar. Algumas pessoas se arriscam e tentam passar por trás dos trens, mas os guardas da CPTM impedem”, relatou.

A ausência da passarela é um risco antigo para moradores. É uma prática comum quando as cancelas se fecham para evitar a passagem dos pedestres, muitas pessoas passarem por baixo ou levantarem as barreiras.

Ignorando os avisos sonoros, tanto da estação quanto do trem, é possível ver pedestres correndo pelos trilhos para chegar antes da partida da composição na estação. A única opção, atualmente, é esperar a liberação da via para cruzar com maior segurança pelos próprios trilhos.

Além da falta de segurança, a ausência da passarela já prejudicou a rotina de muitos moradores. Janaina contou à reportagem que já se atrasou para compromissos e perdeu o ônibus municipal para voltar para casa.

“Já perdi o ônibus duas vezes. Uma vez fiquei 20 minutos lá, por volta de 14h. Outra vez, o ônibus ficou parado do outro lado e era de noite, 22h50. Nesse dia, ele atrasou para passar no ponto”, contou.

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Manobra de trens de carga causa congestionamento e interfere em horário dos ônibus. Foto enviada por leitor / Janaina Ferreira

Em nota, a CPTM explicou que um decreto federal permite o compartilhamento da via férrea com trens de carga. Contudo, a regra é que os cargueiros só podem circular durante a noite e em horários de menor movimento.

Sobre a passarela, a companhia informou que ainda não há previsão de uma nova passagem, pois a estação ferroviária é tomada pelo Condephaat (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico) e qualquer alteração requer autorização.

Confira a nota da CPTM, na íntegra:

O compartilhamento das linhas da CPTM com os trens de carga é determinado pelo Decreto Federal 1832/96. Os procedimentos para o tráfego desses trens foram elaborados conjuntamente pelas empresas e registrados por meio de convênio. Uma das medidas adotadas para minimizar o impacto na circulação dos trens de passageiros é a restrição do horário para viagens dos trens de carga, que só podem circular no período noturno e horários de menor movimento (entre 22h e 3h e 10h e 15h).

Quanto à passarela da Estação Rio Grande da Serra, está interditada desde março de 2016 por não oferecer condições de segurança aos usuários. O equipamento faz parte do conjunto da estação ferroviária tombado pelo Condephaat (Resolução SC-76/2011) e a Companhia aguarda disponibilidade de recursos para contratar projeto para restauração. O valor da obra será conhecido após a conclusão do projeto.

Jessica Marques para o Diário do Transporte

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