Integração do transporte público na Grande Florianópolis é foco de seminário

Foto: Divulgação

Deslocamentos mais curtos, com tarifas mais baixas, mais horários e maior abrangência territorial, estimulando o desenvolvimento dos municípios

ALEXANDRE PELEGI

O Observatório da Mobilidade Urbana da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina) realizou nesta segunda-feira (21) um seminário com especialistas no setor de mobilidade urbana. O evento teve apoio da Superintendência de Desenvolvimento da Região Metropolitana da Grande Florianópolis (Suderf).

Um dos resultados do encontro foi identificar e discutir o principal problema da região metropolitana: a falta de integração entre os sistemas municipais e intermunicipais.

Conforme matéria do jornal Notícias do Dia (ND), de Joinville, um dos focos do Seminário foi debater soluções que permitam um transporte coletivo mais eficiente, ambientalmente correto, com preço justo e rápido.

A exemplo de outras regiões metropolitanas brasileiras, o passageiro da Grande Florianópolis também sofre com a falta de integração.  Como exemplo, a matéria do ND cita o exemplo de um morador do município Biguaçu que precise se deslocar até Palhoça: “ele precisa pegar um ônibus até o Centro de Florianópolis para fazer uma conexão até o destino final”, informa o jornal. Resultado: o passageiro é obrigado a pagar duas tarifas cheias, além de sofrer com os congestionamentos para entrar e sair da Ilha de Santa Catarina.

A proposta de uma rede integrada do transporte com oito municípios foi apresentada e debatida no Seminário desta segunda-feira (leia mais aqui). A Rede Integrada de Transporte Coletivo Metropolitano exclui a capital Florianópolis, e abrange as cidades que possuem contrato de concessão do transporte coletivo em vigor. O objetivo do projeto é integrar o transporte coletivo nestas cidades com uma única política tarifária.

“Hoje temos linhas sobrepostas que não têm integração, nas quais o usuário precisar pagar caro e percorrer longas distâncias desnecessárias. Nosso objetivo é oferecer deslocamentos mais curtos, com tarifas mais baixas, mais horários e a maior abrangência territorial que estimule o desenvolvimento dos municípios”, explicou o diretor técnico da Suderf, Célio José Sztoltz.

Os oito municípios da região metropolitana – São José, Biguaçu, Palhoça, Antônio Carlos, Santo Amaro da Imperatriz, São Pedro de Alcântara, Águas Mornas e Governador Celso Ramos – transportam atualmente 150 mil passageiros: 70% utilizam o transporte intermunicipal e 30% o municipal. O governo do Estado de Santa Catarina deve encaminhar um projeto de lei nos próximos três meses para a Assembleia Legislativa transferindo para a Suderf a gerência de todas as linhas, municipais e intermunicipais.

Célio Sztoltz informou ainda que os passageiros da região metropolitana vão usar apenas um bilhete, tanto nos ônibus municipais como nos metropolitanos, as tarifas serão integradas, mas não haverá tarifa única: elas devem ser divididas em cinco patamares. O primeiro valor tarifário é para quem circula dentro do próprio município. O segundo para quem passa para uma cidade vizinha, o terceiro valor para quem circular por dois municípios e, assim, sucessivamente.

INVESTIMENTO EM ÔNIBUS LIMPOS

Outra proposta debatida no Seminário foi quanto a formas de melhorar o transporte coletivo. Uma delas é a modernização da frota, visando maior eficiência, economia, conforto e saúde. Mais do que comprar novos ônibus, o projeto visa investir em tecnologia de energia limpa, com veículos a gás ou elétricos. Através da economia que se espera alcançar na otimização das linhas será possível renovar 5% da frota no início do processo de integração.

Olímpio de Melo Alvares Júnior, coordenador da comissão de meio ambiente da Associação Nacional de Transporte Públicos (ANTP), um dos expositores presentes, lembrou a estreita relação entre congestionamentos e poluição. “Quem está dentro do habitáculo do veículo respira mais gases poluentes em relação a um pedestre na rua, isso porque os carros estão no mesmo fluxo. A taxa de emissão é de oito a dez vezes maior durante um congestionamento e piora em dias de inversão térmica”, advertiu.

Outro destaque no Seminário promovido na UFSC foi o ex-secretário de Mobilidade e Infraestrutura de Lisboa (Portugal), o engenheiro civil Fernando Nunes da Silva. Nunes afirmou que o problema foi o transporte individual de passageiros ter sido pensado como solução da mobilidade no futuro.

“Por ingenuidade, porque pensavam que o automóvel seria a solução na mobilidade do futuro, nos deixamos fascinar pela tecnologia e pelo concreto armado. Isso não significa que o ônibus é a solução para todos os problemas, na verdade, todos os meios de transporte são importantes, a questão é saber combinar e dosar a utilização de cada um”, destacou. 

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

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