Diferentemente de São Paulo, Grande Florianópolis ao menos tenta transporte metropolitano de verdade

Um morador de Santo André, cidade colada a São Paulo, por exemplo, precisa ter vários bilhetes para fazer deslocamentos metropolitanos e dentro da capital. Ao menos três destes são necessários – Clique para Ampliar

Governo do Estado enviou às prefeituras modelo padronizado de operação. Meta é aprovar regionalização do transporte coletivo até março. Todo sistema será integrado, com um bilhete e linhas que se complementam

ADAMO BAZANI

A Grande Florianópolis deve de fato ter um transporte metropolitano integrado, com ônibus intermunicipais e municipais se complementando, diferentemente do que ocorre na maior parte do país, inclusive entre a capital paulista e região metropolitana, onde há duas licitações praticamente em paralelo, mas que não se conversam.

O Governo de Santa Catarina acabou de enviar aos municípios a primeira versão de texto de como deve ser a rede de transporte das cidades e de linhas metropolitanas.

Segundo o governo, o objetivo é que os prefeitos analisem e deem sugestões até o início de fevereiro. No final do mesmo mês, deve haver uma reunião entre o Governo do Estado e os chefes dos executivos municipais para ser publicada a versão do texto que será analisada pela Assembleia Legislativa em março.

Após este processo, a intenção é lançar o edital de licitação do sistema integrado de ônibus.

A licitação deve ser feita por meio da Suderf – Superintendência de Desenvolvimento da Região Metropolitana da Grande Florianópolis.

Entre as preocupações estão evitar sobreposições de linhas metropolitanas com as municipais, criar pontos de transferência e promover integração.

Os passageiros vão usar apenas um bilhete, tanto nos ônibus municipais como nos metropolitanos e as tarifas serão integradas, segundo a Suderf.

Com isso, preveem os técnicos da autarquia, será possível reduzir custos aumentando a eficiência e não cortando os serviços.

SÃO PAULO NÃO TEVE MENTALIDADE METROPOLITANA:

O sucesso do modelo proposto para a Grande Florianópolis ainda é uma dúvida, mas pelo menos estados e municípios estão seguindo o estatuto da Metrópole, lei federal 13.089, de 12 de janeiro de 2015, que determina que planejamento e ações sejam realizados em conjunto por estado e municípios.

Bem diferente do que ocorre com os transportes na capital paulista e região metropolitana.

Existem duas licitações correndo em paralelo há um bom tempo: a dos ônibus da capital paulista, cuja gestão é ligada à prefeitura de São Paulo, e a licitação da EMTU – Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos, dos ônibus que ligam as 38 cidades que circundam a capital paulista.

A licitação da SPTrans (municipal) está em fase de consulta pública até o dia 3 de fevereiro e a da EMTU (metropolitana) está barrada pelo TCE – Tribunal de Contas do Estado.

Nada, porém, impediria que Governo do Estado de São Paulo e Prefeitura de São Paulo, ambas governadas pelo mesmo partido, sentassem e, de forma conjunta, de maneira oficial e institucional, formulassem um modelo pelo qual um sistema complementasse o outro, mesmo que num primeiro momento não fossem contemplados os ônibus municipais das outras cidades.

Não houve sequer tentativas sérias de fato por ambas as gestões.

Resultado: Ainda haverá muita sobreposição de linhas entre SPTrans e EMTU e quem mora em Santo André, Guarulhos, Osasco, Mogi das Cruzes, por exemplo, ainda terá de portar um cartão do ônibus de sua cidade, um cartão BOM para o ônibus da EMTU e um Bilhete Único para andar na capital paulista.

É bem certo hoje dizer que a SPTrans gerencia as linhas municipais, que a EMTU é responsável pelas linhas intermunicipais e que há o Metrô e a CPTM nos trilhos. Mas dizer que São Paulo possui na prática um transporte metropolitano, à luz da lei 13.089/15, não é verdade.

Isso sem contar que há uma terceira licitação em curso, a da Artesp, agência de transportes do Estado de São Paulo, que cuida das linhas intermunicipais rodoviárias e das linhas intermunicipais suburbanas. Muitas destas linhas suburbanas poderiam complementar e ser completadas por linhas metropolitanas do interior e do litoral.

Mas, novamente, parece que a oportunidade será perdida também.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

2 comentários em Diferentemente de São Paulo, Grande Florianópolis ao menos tenta transporte metropolitano de verdade

  1. Leandro Silva dos Santos // 30 de janeiro de 2018 às 15:28 // Responder

    São Paulo e mais 38 cidades, basicamente cada uma com um sistema de transporte diferente.
    Linhas de ônibus municipais sobrepostas com linhas intermunicipais entre outros problemas as linhas deveriam ter mais interação entre si e menos “concorrência” daria para se trabalhar com mais eficiência com menos veículos. A velha conta mais com menos

  2. Amigos, boa noite.

    Meuuuuuuuuuuuuuuuu Deus !!!

    Mais uma Lei; agora o Estatuto da Metrópole, Lei 13.089/15.

    Se 1 município não consegue licitar o buzão imagem vários.

    Mas nem em 3099.

    Mas se a CPTM já aceita o BU, não unificam porque não querem.

    Att,

    Paulo Gil

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