BHTrans aperta fiscalização a ônibus de BH e em três meses emite mais de 1 mil multas por irregularidades

Fiscalização BHTrans Foto: Felipe Ribeiro Monteiro

De janeiro a março de 2018 fiscalização emitiu 425 retenções de autorização de tráfego, média de quatro ônibus impedidos de circular a cada dia

ALEXANDRE PELEGI

O aumento do preço da tarifa do metrô de várias capitais, anunciada esta semana pela CBTU, deve pressionar o sistema de transporte por ônibus em Belo Horizonte.

Após a tarifa saltar de R$ 1,80 para R$ 3,40 a partir de hoje, a BHTrans, que gerencia o transporte coletivo da capital mineira, decidiu reforçar as linhas do Move, corredor de BRT da cidade. A expectativa é que muitos usuários do metrô, por causa do aumento, optem pelo ônibus, e pressionem ainda mais um sistema que já vem sofrendo por causa dos aumentos dos custos operacionais por causa do congelamento da tarifa. O custo das viagens de integração pode superar os atuais R$ 4,05 cobrados pela tarifa do Move.

Com 291 linhas e 2,9 mil ônibus, o setor de transporte por ônibus de BH enfrenta problemas, como aponta matéria publicada nesta sexta-feira, dia 11 de maio, pelo jornal Estado de Minas.

Números revelados pela BHTrans, que intensificou a fiscalização aos coletivos, apontam que apenas nos primeiros três meses de 2018 foram identificadas 1.033 irregularidades na frota, média de 11 por dia. O número é alto, quando comparado a todo o ano de 2017, em que foram feitas 1.949 autuações, média de 5,3 por dia.

As falhas vão de pneus em condições precárias a defeito nos elevadores para cadeirantes e pessoas com dificuldade de locomoção.

A matéria do Estado de Minhas cita casos que exigiram o recolhimento da autorização de tráfego dos veículos: de janeiro a março de 2018 foram 425 retenções da autorização, média de quatro ônibus impedidos de circular a cada dia. Em 2017, a média de retenções foi de 1,6 ônibus/dia. Para voltar às ruas o veículo precisa sanar o problema, passar por nova vistoria na sede da BHTrans, e só então ser autorizado a voltar a circular.

Segundo informações do gerente de Operações de Transporte da BHTrans, Artur Abreu, há uma determinação da Prefeitura de BH para apertar a fiscalização dos coletivos na cidade.

O impasse em relação ao valor das tarifas é o pano de fundo do agravamento da crise do sistema de ônibus de BH.

Os incêndios a ônibus das empresas concessionárias – apenas este ano já foram oito coletivos atingidos -, agrava o problema. As empresas alegam falta de recursos para a reposição.

A ausência de cobradores é outro sintoma da crise. De janeiro a 17 de abril deste ano a BHTrans fez 285 autuações pela ausência desses profissionais em horários em que deveriam estar trabalhando em auxílio ao motorista.

IMPASSE DA TARIFA CONTINUA

O prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil, condicionou o aumento das passagens de ônibus em BH à abertura do que chamou de “caixa-preta” do transporte coletivo da capital. O reajuste da tarifa, que deveria ter ocorrido no início do ano, foi barrado pela prefeitura e depois pela Justiça.

No entanto, o processo de auditoria nas contas das empresas, que teria a função de dar transparência aos números e orientar o processo de reajuste tarifário, está parado. A prefeitura precisa dar a ordem de serviço para que a empresa Maciel Consultores entregue o relatório final da fiscalização, para o que terá prazo de até seis meses.

A Maciel Consultores foi a única participante da licitação, que definiu a consultoria que vai analisar os contratos referentes ao serviço de transporte público de passageiros por ônibus em BH, principalmente em relação aos custos operacionais para operação do sistema pelas concessionárias.

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

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Comentários

Comentários

  1. SDTConsultoria em Transportes disse:

    …É lamentável a decadência do transporte de passageiros no Brasil como um todo. Infelizmente há um descompasso muito grande entre aquilo que se necessita e o que se apresenta. Entretanto fica uma dúvida . Por que a fiscalização permitiu que isto ocorresse ? Entendo que quando as empresas incorporam novas unidades , seja por renovação ou aumento de frota , antes de liberar para a operação é realizada inspeção de conformidade, logo os veículos atendem, posterior a isto existem as vistorias regulares e as fiscalizações em itíneres e todas as não conformidades são informadas com tempo de correções e posterior reinspeção. Como pode repentinamente a fiscalização sair as ruas e encontrar este alto número de irregularidades ? Que os custos de manutenção aumentaram quando saímos da geração Euro lll para Euro v não é segredo, mas…

  2. Kelly Cerezo disse:

    A única solução efetiva para impedir que um ônibus em condições inadequadas de segurança para os passageiros é o recolhimento da Autorização de Tráfego, impedindo-o de circular. Pois que as multas não são pagas ( o que é de conhecimento geral dos empregados da BHTrans que trabalham diretamente com isto) e os problemas vão ficando como estão, pois os donos dos ônibus querem lucrar ao máximo em cima dessas “carroças” motorizadas e imundas.

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