Corredores de ônibus perderam R$ 716 milhões na gestão Doria

Rede de corredores de ônibus é insuficiente para a demanda nos ônibus

Além dos remanejamentos de R$ 302 milhões somente neste ano dos espaços de ônibus para o Asfalto Novo, revelados pelo Diário do Transporte, o jornal Folha de São Paulo apurou que entre outros remanejamentos, desde o início da gestão, projetos para expandir vias para o transporte coletivo perderam mais dinheiro ainda

ADAMO BAZANI

Em 15 meses de gestão, o prefeito de São Paulo, João Doria, que no início de abril deixa o cargo para disputar as eleições e tentar ser governador, tirou R$ 716 milhões que deveriam ser investidos em corredores de ônibus para melhorar o transporte coletivo na cidade e aplicou em outras áreas.

Como mostrou o Diário do Transporte, somente neste ano, para o Programa Asfalto Novo, destinado a recuperar ruas e avenidas de trânsito comum, Doria tirou R$ 302 milhões que deveriam expandir a rede de corredores de ônibus, que ocupa apenas 128,7 quilômetros, dos 17 mil quilômetros de vias que a cidade tem.

O primeiro remanejamento para um dos programas com mais apelo de marketing da gestão (ocupando boa parte dos espaços da publicidade oficial), o Asfalto Novo, ocorreu por meio de um decreto de 22 de fevereiro, quando foram retirados dos corredores de ônibus, R$ 192 milhões. Um mês depois, por meio de decreto de 23 de março, foram transferidos mais R$ 110 milhões, dos corredores de ônibus para o Asfalto Novo. Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2018/03/26/mais-uma-vez-doria-retira-recursos-milionarios-de-corredores-de-onibus-para-asfalto-novo/

Na edição desta quinta-feira, 29 de março de 2018, o jornal Folha de São Paulo mostra que contando com outros remanejamentos, os corredores de ônibus, apontados por especialistas como essenciais para aumentar a velocidade e qualidade do transporte coletivo sobre pneus, perderam muito mais recursos ao logo dos 15 meses de gestão do prefeito João Doria: R$ 716 milhões.

O repórter Thiago Amâncio levantou 24 remanejamentos totais de recursos pela gestão Doria. Deste total, em 22 remanejamentos saíram recursos dos corredores de ônibus.

A maior parte do dinheiro, como já havia mostrado do Diário do Transporte, foi para o “Asfalto Novo”. Mas também houve dinheiro dos corredores que foi transferido para compra de materiais para farmácias e hospitais, obras para controle de cheias, limpeza urbana e até aumento de capital de empresas da prefeitura como a SP Turismo e a SP Urbanismo.

Vários corredores que são projetos antigos como da Radial Leste 1 e 2 estão sem nenhuma previsão concreta. Por suspeitas de irregularidades nas licitações, o TCU – Tribunal de Contas da União recomendou que os espaços não recebessem autorização do Congresso para contarem com verbas federais. Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2017/12/11/congresso-acata-recomendacao-do-tcu-e-mantem-paralisacao-do-corredor-de-onibus-da-radial-leste-trecho-1-e-trecho-2/

Neste caso específico, a SPTrans diz que trabalha um novo projeto de corredor e licitação para a ligação entre a região da Avenida Aricanduva, na zona Leste, e o Parque Dom Pedro II, no centro de São Paulo.

Há outros projetos de corredores emperrados também, como o corredor Leste – Aricanduva, parado desde a gestão do ex-prefeito Fernando Haddad, e o corredor João Dias – Capelinha, este, segundo a SPTrans, em fase de captação de recursos do BNDES – Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social.

A requalificação do corredor João Dias – Capelinha, que espera as verbas do BNDES, é o “Rapidão”, projeto de BRT anunciado por Doria para ficar pronto no final de março de 2017.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2017/01/28/doria-deve-comecar-a-testar-onibus-rapidao-na-zona-sul-nos-proximos-tres-meses/

Apesar de ônibus circularem nas vias que devem ser contempladas com o Asfalto Novo, na prática, o maior beneficiado com as transferências deve ser do transporte individual, já que os carros ocupam mais o espaço na cidade, apesar de transportarem menos passageiros, segundo o Inventário de Emissões Atmosféricas do Transporte Rodoviário de Passageiros no Município de São Paulo, lançado em 23 de maio do ano passado, pelo Instituto de Energia e Meio Ambiente – Iema.

Com base na Pesquisa Origem – Destino do Metrô o estudo mostra que os carros transportam apenas 30% das pessoas na cidade, mas ocupam 88% do espaço das vias. Os ônibus municipais, por sua vez, transportam 40% dos cidadãos, mas só ocupam 3% das vias.

Em relação à poluição, os carros e as motos prejudicam muito mais a cidade que os ônibus.

Ainda de acordo com o estudo do Iema, os carros de passeio transportam apenas 30% das pessoas em São Paulo, mas são responsáveis por 72,6% das emissões de gases de efeito estufa do setor de transportes.

Já os ônibus municipais, de acordo com a pesquisa de Origem e Destino, transportam em média 40% das pessoas que se deslocam pela cidade, mas são responsáveis apenas por 3,1% das emissões na capital paulista (isso com a tecnologia Euro III de motores predominante, cerca da metade da frota atual de ônibus é Euro V, que polui menos).

Levando em consideração as emissões por passageiro por quilômetro, os carros e motos continuam sendo os campeões de poluição. Os carros emitem 65,8% de dióxido de carbono, as motocicletas são responsáveis por 35,6% e os ônibus municipais lançam no ar 17%.

A reportagem do Diário do Transporte questionou o fato de com quase 1 ano e quatro meses, a gestão Doria ainda implantou nenhuma faixa de ônibus na cidade.

A SPTrans diz que juntamente com a CET – Companhia de Engenharia de Tráfego estuda a possibilidade de novos espaços deste tipo, mas não informou nenhuma previsão.

Em resposta ao Diário do Transporte, a SPTrans disse que os remanejamentos de recursos são dentro do limite estabelecido por lei, que o programa Asfalto Novo também beneficia as linhas de ônibus e que neste ano, a Prefeitura utilizou até o momento, R$ 35,77 milhões  (R$ 35.776.074,00) para qualificação e construção de corredores de ônibus, do total de R$ 240 milhões (R$ 240.083.123,83) reservados no Orçamento para todo o ano de 2018.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2018/03/27/prefeitura-de-sao-paulo-diz-que-corredores-de-onibus-contarao-com-r-240-milhoes-neste-ano-dos-quais-r-35-milhoes-ja-foram-empenhados/

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

1 comentário em Corredores de ônibus perderam R$ 716 milhões na gestão Doria

  1. O ministerio publico tem que agir pous essas operacoes em favor do automovel conflitam co a priorizacao do Transporte publico prevista na lei da mobilidade urbana. Pide ensejar acao judicial pir improbidade.

1 Trackback / Pingback

  1. Prefeitura de São Paulo remaneja hoje mais recursos milionários que seriam para intervenções para mobilidade urbana, terminais e corredores de ônibus – Diário do Transporte

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