Buser completa duas viagens. ANTT desta vez não impediu rota interestadual
Publicado em: 24 de março de 2018
Em Minas Gerais, partida para Ipatinga teve 14 passageiros e, para Uberlândia, não houve demanda
ADAMO BAZANI
O aplicativo de fretamento coletivo Buser informou nesta manhã que conseguiu completar neste sábado, 24 de março de 2018, duas viagens que tiveram início ontem.
Uma rota foi intermunicipal, em Minais Gerais, entre Belo Horizonte e Ipatinga, e outra interestadual, entre Belo Horizonte e São Paulo.
O aplicativo teve origem no ano passado, em Minas Gerais.
No caso da viagem dentro de Minas Gerais, 21 passageiros confirmaram a partida pela plataforma tecnológica, mas 14 efetivamente compareceram.
A viagem Belo Horizonte – São Paulo teve 21 passageiros embarcados, dos 44 que fizeram reserva.
Estava programada uma viagem entre Uberlândia e Belo Horizonte, mas não houve demanda suficiente.
A atuação da Buser tem sido polêmica desde a criação do aplicativo que se intitula de “Uber do Ônibus”.
Em Minas Gerais, desde julho do ano passado, uma liminar em favor das empresas de ônibus de linhas regulares, impedia a Buser de intermediar as viagens, mas no dia 14 de março de 2018, o juiz Ricardo Machado Rabelo da 3ª Vara Federal de Minas Gerais, derrubou a liminar e liberou as viagens.
Relembre:
https://diariodotransporte.com.br/2018/03/14/justica-libera-buser-para-atuar-em-minas-gerais/
Quanto às viagens interestaduais, não havia impedimento jurídico, mas a ANTT – Agência Nacional de Transportes Terrestres, do Governo Federal, alegando que a Buser não apenas freta ônibus, mas vende passagens e, por isso, cometia irregularidades, impediu no dia 9 de março saída de São Paulo para Belo Horizonte e de Belo Horizonte para São Paulo.
Na semana seguinte, a agência informou ao Diário do Transporte que estuda regulamentar aplicativos de viagens por ônibus como o Buser, e que está em contato com a AGU – Advocacia Geral da União, para estudar o serviço do ponto de vista jurídico.
Relembre:
Um dos fundadores da Buser, Marcelo Abritta, disse ao Diário do Transporte na manhã deste sábado, que mesmo com a lotação dos ônibus não sendo total, o deslocamento para cada passageiro saiu mais barato que em linhas convencionais.
“As duas viagens de hoje foram possíveis devido à proteção que a Justiça Federal de Minas Gerais nos garantiu, entendendo que cumprimos as regras do fretamento eventual. Mesmo com apenas 21 passageiros confirmados, o rateio da viagem de Ipatinga já seria mais econômico que a passagem convencional. No caso de BH para São Paulo, em que tivemos 44 confirmações, o rateio em ônibus semi leito sai por metade do valor da passagem em ônibus convencional. É uma revolução.” – comentou Abritta.
A Abrati, associação que representa as empresas de linhas regulares não se pronunciou oficialmente sobre a Buser. Informalmente, empresários do setor dizem que a concorrência é desleal, porque a Buser não paga as mesmas taxas cobradas das viações e não transporta passageiros com gratuidades, como idosos, pessoas com deficiência e jovens de baixa renda, o que encarece as tarifas.
Os empresários ainda afirmam que enquanto a Buser pode não realizar a viagem proposta se não houver lotação que deixe o fretamento do ônibus vantajoso, as viações regulares têm de fazer as partidas, mesmo que só com um passageiro.
“UBER” DE ÔNIBUS URBANO:
O conceito de transporte sob demanda por aplicativo, uma das características do Uber (transporte individual) também começa a fazer parte dos sistemas coletivos urbanos.
São Bernardo do Campo, no ABC Paulista, estreia no dia 28 de maio o UBus, que vai oferecer vans em rotas predeterminadas. O passageiro seleciona a van e reserva seu assento pelo celular. O pagamento é feito por celular também com cartão de crédito e débito e é gerado um código QRCode (bidimensional). O código é encostado numa espécie de leitor ótico dentro da van para validar a viagem. Serão inicialmente duas linhas e quatro vans, todas com bancos de couro reclinável, ar-condicionado, wi-fi e monitores com programação de TV.
A diferença em relação ao Buser, é que além de ser para o transporte urbano, o UBus foi contratado pela empresa concessionária regular do sistema, a SBCTrans, do Grupo ABC, da família Setti & Braga, que opera transportes na região há 106 anos.
O grupo em vez de se queixar da possiblidade de aplicativos de transportes coletivos urbanos, cada vez mais próxima, se antecipou e, com a autorização da prefeitura dentro do contrato de concessão, passará a oferecer os serviços dentro de São Bernardo do Campo.
Por ser um negócio separado da SBCTrans, o UBus pode ser contratado por outras empresas de ônibus, mesmo as que não pertençam ao Grupo ABC.
O UBus é a plataforma tecnológica de intermediação com o passageiro, cobrança, gestão do serviço e comunicação com o motorista. Os veículos devem ser de responsabilidade dos operadores.
Relembre matéria:
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes




Já está na hora dos grandes empresários admitirem que os tempos mudaram. A tecnologia permite esse e outros avanços que com certeza podem baratear o valor das passagens. Quanto às gratuidades, esses empresários nunca reclamam com muita veemência, porque os valores são sempre repassados aos passageiros pagantes. O transporte rodoviário não tem concorrência efetiva, como acontece com o aéreo, e portanto as empresas não se sentem tentadas a promover descontos nas passagens. Pode ser que agora comecem a pensar mais no passageiro, o verdadeiro patrão.
Meus parabéns , excelente comentário, mas já tem empresas de ônibus do transporte regular com aplicativos que farão concorrência com o Buser …..empresários com certeza irão abaixar os preços
Concordo contigo, Edson Profeta… só discordo da parte da concorrência do transporte aéreo, pois os órgãos regulamentadores impõem muitas dificuldades para a entrada de novas empresas/linhas aéreas. O dia que houver livre concorrêcia na aviação aí sim a população vai pagar passagens baratas e poder exercer seu direito de ir e vir com facilidade.