Transporte clandestino em São Paulo: Mototáxis atuam na zona sul, e usam Uber como modelo tarifário

Serviço de mototáxi está regulamentado em várias cidades do país. No estado de Tocantins várias cidades já regulamentaram a atividade, e existe até programa de financiamentos a mototaxistas (MotoBem) por iniciativa do Governo estadual

Preço e agilidade de serviço clandestino de transporte conquista passageiros mesmo diante do alto risco. Na capital uma a cada três mortes no trânsito envolve motocicleta

ALEXANDRE PELEGI

Mototáxis ilegais invadiram as ruas de bairros como Grajaú e Interlagos, na zona Sul da capital. Usando o fator preço e a agilidade como chamariz, o serviço clandestino de transporte tem conquistado passageiros mesmo diante do alto risco. Basta lembrar que acidentes evolvendo motocicletas têm representado um dos mais graves problemas do trânsito já há alguns anos. Em São Paulo uma a cada três mortes no trânsito envolveu uma motocicleta, no período entre janeiro e outubro deste ano. Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2017/12/05/acidentes-de-transito-mais-de-duas-pessoas-morreram-por-dia-em-sp-entre-janeiro-e-outubro-aponta-infosiga/

Apesar da existência de uma lei federal de 2009, que instituiu regras para o funcionamento dos mototáxis, as prefeituras precisam antes fazer a regulamentação da atividade, algo que a capital reluta a fazer por motivos de segurança viária.

Matéria do jornal Agora aponta que o serviço com motocicletas na zona sul já funciona há cerca de quatro meses, com pontos nas portas dos terminais Grajaú e Interlagos, da estação Primavera-Parelheiros da CPTM. O serviço funciona ainda por meio de WhatsApp.

A reportagem descreve um grupo de 18 motociclistas, a maioria ex-motoboys, que operam na região.

Para definir o preço das corridas, os mototaxistas se baseiam no aplicativo da Uber. Sobre essa tabela, eles dão cerca de 10% de desconto sobre a tarifa do “concorrente”, mas aceitam negociação.

A atividade promete crescer com rapidez, ainda mais se não houver fiscalização. E pode repetir o boom do transporte clandestino vivido na capital nos anos 90, com o surgimento dos serviços de vans ilegais, que roubavam passageiros do transporte coletivo regular.

Um forte atrativo para o crescimento da atividade está nos ganhos imediatos que ela tem trazido para o grupo da Zona Sul: em média, cada um dos 18 mototaxistas tem conseguido faturar cerca de R$ 120 líquidos por dia, sem impostos, nem qualquer prestação de contas.

Uma corrida do terminal Grajaú até a estação Primavera-Interlagos, dentro do bairro, sai por R$ 7, conferiu a reportagem do jornal Agora.

Já uma corrida de 38 minutos do Grajaú até Santa Cecília, no centro, após negociação sai por R$ 35. Pela tabela do aplicativo Uber, essa corrida sairia por R$ 58.

Velocidade excessiva, desrespeito à sinalização, alto risco de acidente, tudo isso parece ser menos importante que o custo baixo e a pressa de chegar.

O Departamento de Transportes Públicos (DTP), órgão municipal a quem cabe fiscalizar esse tipo de transporte, afirma que a legislação proíbe os serviços de mototáxis em São Paulo. E diz apenas que os usuários podem denunciar pelo telefone 156, informando placa do veículo, data, hora e local da infração.

Já a Polícia Militar repassa a responsabilidade pela fiscalização para a prefeitura.

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transporte

4 comentários em Transporte clandestino em São Paulo: Mototáxis atuam na zona sul, e usam Uber como modelo tarifário

  1. Absurdo, como pode ?
    Se nem regulamentado é o serviço pela Prefeitura da Capital, logo todos são ilegais
    Aonde está a fiscalização ?
    Engraçado que para autuar os permissionários e os concessionários de transporte público existe a fiscalização.
    Será que essa notícia chega aos ouvidos do Exmo Sr Secretário de Transportes e do Prefeito ?
    Hoje é a Zona Sul amanhã será em toda a cidade.
    O que falta nesse País e coragem e aplicar o rigor da Leí.
    É ilegal ?
    Prenda-se o veículo e aplique pena ao condutor.
    E nada de Liminar pois a regulamentação é de alçada do Poder Executivo do Município.

    • Vagner Alexandre Abreu // 8 de dezembro de 2017 às 20:12 // Responder

      Isso é um vácuo na verdade. Todo vácuo acaba sendo ocupado por algo, legal ou ilegal.

      Se há operação e demanda, a oferta aparece. Então dá nisso.

      Sinceramente sou contra mototaxis em SP, mas se houvesse triciclos ou motos cabinadas (tipo C1 da BMW), seria mais favorável.

  2. estava demorando…
    e agora?
    viva a modernidade, não é mesmo?
    por whatssap não pode, com motoboy não pode???
    via uber pode, com liminar pode…
    uma empresa americana que invade o pais, com pé na porta, destrói uma categoria e ninguém faz nada…
    agora motoboys que fazem mototaxi incomodam???

    como já diz a música…
    “todos iguais, todos iguais, mas uns mais iguais que os outros…”

    • Vagner Alexandre Abreu // 8 de dezembro de 2017 às 20:13 // Responder

      Infelizmente aqui o problema é que quem se “acha igual” também se acha “mais igual”. A própria matéria diz que há muitos abusos dos motociclistas, ultrapassando limites de velocidade e não zelando pela segurança do passageiro. O que incomoda não é o mototáxi per si, mas a atitude dos condutores. Pense sobre.

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