Ônibus climatizados são distribuídos de forma desigual em linhas do Rio de Janeiro

Enquanto ônibus de algumas linhas circulam com toda a frota climatizada, em outras não há sequer um carro com o equipamento

ALEXANDRE PELEGI

Desde 2012 os cariocas aguardam pelo cumprimento da promessa feita pelo então prefeito Eduardo Paes de equipar toda a frota municipal com ar-condicionado.

Em cerimônia no Palácio da Cidade, Paes inclui a meta no Plano Estratégico do município (2013-2016).

A meta deveria ter sido cumprida até o último mandato do prefeito, mas não foi o que se viu. A cidade do Rio conta com 8,1 mil ônibus, sendo que 43% de sua frota convencional tem hoje ar-condicionado. Mas a distribuição desses ônibus é desigual nas linhas que servem a cidade.

Enquanto ônibus de algumas linhas circulam com toda a frota climatizada, em outras não há sequer um carro com equipamento de ar-condicionado.

O Consórcio Santa Cruz, que atende a Zona Oeste do Rio, é o que tem o maior número de linhas sem refrigeração: 51.

O levantamento foi feito pelo jornal carioca Extra, que levou em conta apenas as linhas de ônibus convencional (sem BRT e sistema executivo – frescão). Pelas contas da Secretaria Municipal de Transportes do Rio existem 5.522 ônibus com ar e 3.070 sem ar, mas inclui nessa conta tanto os BRTs quanto os frescões.

Pela planilha da prefeitura, obtida pelo jornal, o consórcio com mais linhas totalmente refrigeradas é o Internorte, com 51, seguido por Intersul e Santa Cruz com 42 e Transcarioca, com 35.

A planilha da prefeitura do Rio, atualizada em 23 de outubro, cita que 170 linhas são totalmente climatizadas e outras 72 parcialmente refrigeradas. A informação contrasta com informação de passageiros de algumas dessas linhas, que reclamam de nunca terem visto um ônibus com ar-condicionado nas ruas, embora a Secretaria municipal de Transportes afirme que elas existam.

NOVELA DO AR-CONDICIONADO:

Um ano após o prefeito Eduardo Paes prometer climatizar toda a frota até 2016 o Ministério Público estadual ingressou com ação civil pública condicionando a demolição do Elevado da Perimetral à apresentação de um plano de modernização da frota. E incluiu nesse processo a obrigatoriedade da climatização de toda a frota até o fim do mandato do prefeito.

Mais tarde o MP questionou o reajuste de tarifas de 2015, concedido acima do percentual previsto em contrato. Foi por conta desta ação que a Justiça determinou em agosto deste ano a redução do valor da passagem dos R$ 3,80 para R$ 3,60. A irregularidade na fixação do percentual do aumento, segundo questionou o MP na ação, foi o pretexto para os R$ 0,20 adicionais: eles seriam utilizados para acelerar a implantação de ar-condicionado nos ônibus e subsidiar gratuidades.

Como a climatização nos ônibus não cumpriu nenhum prazo, o MP, no início deste ano, estipular em audiência pública que a prefeitura apresentasse um cronograma de urgência com as linhas prioritárias para receberem refrigeração. O planejamento deveria levar em consideração o número de passageiros transportados e a quilometragem da viagem.

A Procuradoria-Geral do Município informou no mês de agosto que o cronograma foi apresentado em juízo, com climatização de 196 ônibus, já cumprida.

OPERAÇÃO PONTO FINAL E CONGELAMENTO DE TARIFA:

No meio da história dois fatos vieram complicar a questão da climatização da frota, que acabou se tornando um pequeno detalhe na enorme crise que vive hoje o setor de transporte público da cidade do Rio de Janeiro.

O primeiro deles aconteceu com a mudança de gestão. O novo prefeito, Marcelo Crivella, e seu secretário Municipal de Transportes, Fernando Mac Dowell (também vice-prefeito), mesmo antes de assumir seus cargos, se posicionaram contra o reajuste da tarifa de ônibus na cidade, que deveria ser reajustada conforme determinava o contrato de concessão assinado em 2010.

O prefeito Eduardo Paes, que já concedera o reajuste nos últimos dias de dezembro de 2016 (a tarifa subiria para R$ 3,95), decidiu cancelar o reajuste para “respeitar a decisão do prefeito eleito Marcelo Crivella e sua equipe”, conforme divulgou em nota no dia 30 de dezembro de 2016. Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2016/12/30/eduardo-paes-suspende-decisao-sobre-aumento-da-tarifa-de-onibus-no-rio-de-janeiro/

Foi um enorme baque para as empresas de ônibus, que já alegavam problemas financeiros, inclusive com a possibilidade de fechamento de mais viações em 2017. Entre 2015 e 2016, seis companhias de ônibus faliram.

O segundo fato foi a Operação Ponto Final, que desmontou um esquema gigantesco de pagamento de propinas envolvendo empresários de ônibus e autoridades do estado do Rio de Janeiro. Ela surgiu justamente no momento em que as empresas de ônibus do Rio de Janeiro se queixavam de dificuldades financeiras, inclusive com o fechamento de algumas viações, quando reclamavam do congelamento da tarifa na capital pela gestão do prefeito Marcelo Crivella e debatiam com prefeitura e Ministério Público sobre o atraso na meta de implantação de 100% da frota na cidade do Rio de Janeiro com ar-condicionado.

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transporte

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Comentários

Comentários

  1. Paulo Gil disse:

    Amigos, boa tarde.

    PREVISIVELLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLL

    Desigualdade é o forte do Barsil, em tudo.

    Att,

    Paulo Gil

  2. Wilson disse:

    Desigualdade? Existe porque políticos ficaram com o dinheiro cobrado dos impostos. Dinheiro tem, mas ele não chega onde deveria ser aplicado. ai os mesmos políticos dizem :Rico não anda de ônibus e não anda mesmo porque pagou imposto e o mesmo foi parar em paraíso fiscais, relógios, joias e etc caríssimo, fazendas, investimentos no exterior………. corrupção. RICO NÃO ANDA DE ÔNIBUS SOMENTE DE JATINHO, HELICÓPTERO. e/ou as vezes exibe carrinho importado tipo BMW ou FERRARI

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