Ceará reduz acidentes de motos, mas casos se tornam mais graves

Gravidade e violência dos acidentes com motos no Ceará mistura imprudência, uso de álcool e a não utilização de capacetes. Principais vítimas são jovens entre 20 e 30 anos

ALEXANDRE PELEGI

Acidentes envolvendo motocicletas conformam hoje a grande tragédia do trânsito brasileiro. Os números são assustadores, impactando não só o sistema de saúde pública, como as vidas de milhares de famílias em todo o país.

Como já citamos aqui, as mortes em ocorrências de trânsito envolvendo motocicletas só são comparáveis à tragédia da escravidão no país. Esta analogia foi feita pelo engenheiro Eduardo Vasconcellos, especialista na análise de dados sobre o trânsito nas cidades e consultor da ANTP, além de importantes organizações internacionais. (Relembre: https://diariodotransporte.com.br/2017/05/13/numero-de-acidentes-cresce-nas-marginais-e-doria-escolhe-restricao-a-motocicletas-como-alvo-primordial/)

Nas regiões Norte e Nordeste do país os números são mais graves.

Dados de 2014 apontavam, apenas na região Nordeste, que 13.430 pessoas havia morrido, sendo que mais da metade dessas mortes – 6.849 – haviam envolvido motociclistas. Esse número representava à época 41,6% do total de mortes em acidentes de motocicletas em todo o país.

O estado do Ceará tem uma quase boa notícia: conseguiu reduzir o número de acidentes com motos em 34 % nos últimos três anos. O “quase” fica por conta da gravidade dos acidentes, que se tornaram ainda mais violentos.

Parte da explicação para a gravidade e a violência dos acidentes é velha conhecida: imprudência, álcool e a não utilização de itens de segurança, como capacetes.

Dados do DPVAT – o seguro por danos pessoais causados por veículos automotores de via terrestre – apontam que no estado do Ceará, apenas em 2016, foram pagas 1.752 indenizações por morte em acidentes de trânsito. Do total de indenizações pagas por morte no estado cearense, os acidentes envolvendo motociclistas representaram 68% (1.192 acidentes). Desse total de óbitos 906 pilotavam a moto, 155 eram caronas e 131 foram atropelados por motocicletas.

O Serviço Social do Instituto Doutor José Frota (IJF), hospital referência no Estado do Ceará em traumatologia, aponta que apenas em 2017 já registrou mais de 4 mil vítimas de acidente com motocicletas. Detalhe: a maioria estava alcoolizada, não usava capacete e estava na faixa de idade entre 20 e 30 anos – jovens, em plena idade produtiva. O hospital registra uma média de 5 mortes diárias de motociclistas.

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transporte

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