Doria suspende obras em 28 bairros da periferia e alega falta de dinheiro; Corredor Radial Leste e Terminal Jardim Ângela na lista

Para Caio Megale, secretário da Fazenda, é normal que as obras suspensas estejam na periferia, onde há maior demanda.

ALEXANDRE PELEGI

A gestão João Doria (PSDB) suspendeu por quatro meses pelo menos 37 obras em 28 bairros da cidade de São Paulo, todos na periferia. Dentre essas obras, a área de transportes públicos, uma das mais sensíveis e difíceis para os moradores da periferia, também foi afetada. Na lista estão o prolongamento da Radial Leste  a implantação do corredor de ônibus e melhorias no terminal de ônibus Jardim Ângela, na zona sul da cidade.

Para o secretário da Fazenda, Caio Megale, é “normal” que as obras suspensas estejam na periferia, onde há maior demanda.

Num levantamento realizado pelas jornalistas Regiane Soares e Aline Mazeo, do Agora SP, em publicações do “Diário Oficial” entre março e abril, os cortes da gestão Doria atingem obras de transporte e de drenagem, além de 18 creches, 2 escolas, 1 hospital, 6 UPAs (Unidades de Pronto Atendimento), 3 UBSs (Unidades Básicas de Saúde) e 2 CEUs (Centros de Educação Unificado)

O secretário da Fazenda do município alega que o Orçamento está apertado, jogando a culpa na queda de receita devido à crise econômica, ao lado do aumento das despesas, fatos que somados levaram à decisão de suspender obras. Agora, sempre com um olho no caixa, Megale diz que será preciso critério para retomar as obras mais relevantes. Quais seriam e nem o prazo para isso ainda não se sabe.

 

Mas Megale dá algumas pistas: a prefeitura pretende retomar, primeiro, as obras que estão mais perto da conclusão, além de priorizar regiões onde a demanda pelo serviço é maior.

Corredores

De acordo com o site da Prefeitura de SP, o Corredor Radial Leste terá 14 km de extensão (entre o Terminal Carrão, Av. Dezenove de Janeiro, Avenida Itaquera, Avenida Líder), com faixa exclusiva à esquerda com pavimento rígido em toda a sua extensão, nos dois sentidos. Com o objetivo de aumentar a mobilidade dos coletivos, os pontos de parada devem ser complementados com faixas adicionais para ultrapassagem, executadas em pavimento rígido. O projeto prevê ainda a implantação de viadutos no cruzamento da Av. Itaquera com Av. Aricanduva, o que possibilitará tanto ao Corredor Itaquera quanto ao Corredor Aricanduva, maior fluidez neste trecho que hoje é um grande ponto de congestionamento”, informa o site oficial.

Os recursos para a realização da obra, estimados em R$ R$ 225 milhões no total, teriam um investimento de R$ 150 milhões, provenientes do PAC-MOBILIDADE URABANA, e de R$ 75 milhões da Prefeitura.

Como se pode ler em matéria publicada pelo Diário do Transporte no início deste mês de abril (dia 3), as obras de 13 corredores de ônibus em São Paulo estão paradas ou sequer começaram. Leia aqui: https://diariodotransporte.com.br/2017/04/03/obras-de-13-corredores-de-onibus-em-sao-paulo-estao-paradas-ou-sequer-comecaram/

A matéria lembra os corredores de ônibus cujas obras começaram e tiveram de ser interrompidas, como da Estada M Boi Mirim, na zonal, e Radial Leste, além do terminal Jardim Ângela, na zona Sul. Os três empreendimentos custariam em torno de R$ 1 bilhão. No caso do trecho de 12 km do Corredor da Radial Leste, o Tribunal de Contas da União suspendeu as obras em 2016, alegando irregularidades na licitação e sobrepreço. Isso impediu a aprovação da liberação de recursos do PAC – Programa de Aceleração do Crescimento. A prefeitura terá de arcar com recursos próprios o corredor da Radial e busca também dinheiro para concluir o corredor da Estrada do M Boi Mirim.

Promessas:

Em recente visita à Seul, Doria prometeu mudanças tecnológicas importantes para o setor dos transportes públicos, como o uso de celular para o pagamento da tarifa de ônibus. Doria anunciou uma parceria com a empresa Samsung para realizar testes em celulares em pelo menos duas linhas de ônibus até  final do mês de maio e início do mês de junho.

Outra promessa anunciada pelo prefeito Doria em reiteradas oportunidades é a extinção da figura do cobrador (ele chegou a firmar que iria transformá-los em motorista; agora afirma que os atuais profissionais serão reaproveitados em outras funções do setor de transportes).

Leia aqui sobre a viagem de ônibus “surpresa” feita ontem por Doria em um ônibus da ligação 9501-10 entre Vila Nova Cachoeirinha e Largo do Paissandu: https://diariodotransporte.com.br/2017/04/26/doria-fala-em-fim-do-cartao-do-bilhete-unico-e-dos-cobradores-andando-de-onibus-pela-3a-vez/

 

Quanto aos corredores de BRTs, Doria prometeu também por várias oportunidades que serão compostos por ônibus biarticulados, com ar condicionado e wi-fi gratuito. Mas tudo isso depende do edital de licitação dos transportes, que deve ser lançado entre final de maio e início de junho.

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes