Doria diz que em cidades civilizadas não há mais cobradores de ônibus

Prefeito estima que até 2020 não haverá mais esta profissão em São Paulo. Concessão dos transportes deve ser de 10 anos

ADAMO BAZANI

O prefeito de São Paulo, João Doria, promete acabar com cobradores de ônibus na cidade de São Paulo até 2020. No entanto, disse que os atuais profissionais não serão demitidos e sim realocados em outras funções.

Em entrevista ao jornal Folha de São Paulo, Doria disse que cidades civilizadas não possuem mais cobradores nos ônibus.

“Não faz sentido no século 21 preservar cobradores em ônibus. Nenhuma cidade civilizada do mundo tem cobrador dentro de ônibus e isso representa um custo altíssimo [R$ 800 mi/ano]. Nosso entendimento é que isso vai ser feito ao longo desses quatro anos, gradualmente. Nenhum cobrador será desempregado. Os cobradores, treinados, poderão ser motoristas ou atuar no plano administrativo.
O Bilhete Único representa 92% de toda utilização do serviço. Só 8% das pessoas pagam em dinheiro na catraca. Não faz sentido gastar R$ 800 milhões por 8% de um serviço que pode ser 0%.”

Como informou o Diário do Transporte, em primeira mão, 576-C 10  – Metrô Jabaquara/ Terminal Santo Amaro, da Mobibrasil, que opera na zona sul de São Paulo, já opera em forma de testes autorizados pela prefeitura sem nenhum cobrador. No lugar onde ficava o profissional, agora foram colocados um banco e materiais para divisão entre a área não paga e o restante do salão dos passageiros no ônibus – Relembre: https://diariodotransporte.com.br/2017/03/29/onibus-em-sao-paulo-ja-rodam-sem-cobradores-aceitando-apenas-bilhete-unico/

São Paulo atualmente possui em torno de 19 mil cobradores e 33 mil motoristas. Diversas linhas das empresas do subsistema local, que surgiram nas cooperativas, já operam sem cobradores, mas os condutores recebem o dinheiro para o pagamento da passagem.

A intenção de Doria é eliminar o dinheiro de dentro dos ônibus.

Na entrevista, o prefeito também disse que pretende reduzir para 10 anos o prazo de concessão às empresas de transporte coletivo, previsto na próxima licitação do sistema, que deve ser lançado até maio.

O edital apresentado em 2015 pela gestão anterior de Fernando Haddad, que foi bloqueado pelo TCM – Tribunal de Contas do Município e liberado só em julho de 2016, previa 20 anos de contrato, renováveis por mais 20 atualmente.

Os contratos atuais são de 10 anos, assinados em 2003, portanto, venceram pelo tempo  regular em 2013, mas pelo fato de a licitação não ter sido realizada ainda, estão sendo  renovados por meio de aditivos, ou no caso das ex cooperativas e na área 4 do sistema estrutural, por contratações emergenciais.

Estamos preparados para fazer o que estamos fazendo: estudando e analisando com cuidado, compartilhando com as empresas, levando em conta que a cidade tem uma grande concessão para ser renovada. Já determinei inclusive que ela será de dez anos, a metade do período atual. Vinte anos é um tempo demasiadamente grande para oferecer um serviço desse tipo. Entre outras medidas, isso não é polêmico porque há uma equação que está sendo feita, para gradualmente reduzir cobradores dentro dos ônibus.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes