Integração na região metropolitana de Curitiba completa 26 anos
Publicado em: 20 de março de 2015

Integração entre sistema municipal de Fazenda Rio Grande e o metropolitano ampliou a oferta de transportes para a cidade que começou a crescer depois do aperfeiçoamento dos serviços de mobilidade urbana. Arquivo/Leblon
Integração na região metropolitana de Curitiba completa 26 anos
História revela que mobilidade é fundamental para o desenvolvimento das cidades
ADAMO BAZANI – CBN
Quando os transportes coletivos são bem geridos e operados, com a participação conjunta de empresas de ônibus, poder público e população, o desenvolvimento social e econômico de uma determinada região é quase que uma consequencia natural.
É o que revela a história das integrações no transporte de Curitiba e região metropolitana.
As primeiras cidades que começaram a oferecer um transporte mais organizado, com melhor estrutura e com menor custo de deslocamento sentiram logo nos primeiros meses um crescimento populacional.
Foi o que ocorreu com em Fazenda Rio Grande, distrito de Mandirituba, até sua emancipação em 26 de janeiro de 1990.
A região foi a primeira a oferecer transporte com integração tarifária, servindo de modelo para toda estruturação da MRIT – Rede Integrada de Transporte Metropolitano, que por sua vez, inspirou sistemas até mesmo de outros países.
Em 1988, o então prefeito de Mandirituba, Geraldo Cartário, decidiu implantar transporte gratuito entre Fazenda Rio Grande e a capital Curitiba.
Na ocasião, duas empresas de ônibus faziam o trajeto. No sentido Sul, ao lado direito da rodovia Régis Bittencourt – BR 116, os serviços eram prestados pela Leblon Transporte de Passageiros. No lado esquerdo, o transporte regular ficava a cargo da empresa Reunidas.
Os ônibus da prefeitura passaram, no mesmo período, a concorrer com as empresas que já operavam.
A demanda de passageiros começou a crescer expressivamente e os ônibus da prefeitura não davam contam de tanta gente.
O poder público municipal não conseguia arcar com a gratuidade e não tinha condições de ampliar a frota de ônibus da prefeitura.
Após negociações entre o então governador Álvaro Dias, o prefeito de Curitiba, Roberto Requião, e o prefeito Geraldo Cartário, no final de 1988, com o objetivo de beneficiar a população que morava em Fazenda Rio Grande e trabalhava gerando impostos para a Capital, foi elaborado um modelo de integração conectando pela primeira vez uma cidade da região metropolitana à RIT – Rede Integrada de Transporte de Curitiba.

Ônibus de Fazenda Rio Grande foram os primeiros a oferecer conexões metropolitanas com a RIT da capital paranaense. Veículos feitos pela Mafersa eram inovadores para a época. Arquivo/Leblon
A Reunidas acabou não fazendo parte deste acordo e passaria à Leblon a incumbência de atender os dois lados da BR 116.
A RIT foi idealizada em 1974 pelo prefeito de Curitiba, Jaime Lerner, arquiteto e urbanista, e representou um avanço significativo nos transportes e na qualidade de vida dos cidadãos. Foi concebido um sistema de corredores de ônibus que priorizava o transporte coletivo no espaço urbano.
Em 12 de março de 1989, entrava em vigor de fato a integração que deu origem ao sistema MRIT – Rede Integrada de Transportes Metropolitanos, com um serviço alimentador municipal de Fazenda Rio Grande complementando a linha integrada metropolitana.
Os serviços se tornaram mais ágeis, além de os passageiros contarem com mais opções de linhas internas na região de Fazenda Rio Grande, favorecendo o crescimento habitacional, como explica, o diretor-presidente da Leblon Transporte, Haroldo Isaak
“Entre 1989 e 1992, houve um boom de crescimento em Fazenda Rio Grande. Várias pessoas se viram atraídas a morar na cidade e consequentemente este processo contribuiu para a emancipação do município. Isso ajudou a economia local, mesmo a cidade tendo a característica de dormitório. A arrecadação aumentou e com mais população, aos poucos a infraestrutura da cidade ia se aperfeiçoando”.
Apesar de a integração ter comprovado que o transporte foi um dos indutores do desenvolvimento da região de Fazenda Rio Grande, somente em 1996 é que foi consolidada a integração da região metropolitana com a entrada de novos municípios.
O sistema de integração que hoje é referência nacional em transportes, facilitando o ir e vir das pessoas, teve origem em Curitiba com os serviços urbanos e em Fazenda Rio Grande com os metropolitanos.
No entanto, todo este avanço que foi se aperfeiçoando com o passar do tempo e atendendo uma das exigências para uma oferta real de mobilidade urbana, que é diminuir o custo para o passageiro, já está sendo abalado por causa de desentendimentos políticos entre o governador do Paraná. Beto Richa, e o prefeito de Curitiba, Gustavo Fruet.
A desintegração financeira do sistema da RIT foi a primeira conseqüência desta falta de entendimento partidário. Os recursos para os ônibus municipais e para os metropolitanos agora são geridos de maneira separada.
Um cartão que era usado em 14 cidades vai se resumir a Curitiba. As demais cidades, para os ônibus metropolitanos, já adotam um sistema diferente. Inicialmente com vale de papel e depois uma bilhete eletrônico separado.
Além disso, algumas linhas que eram integradas, como em Pinhais, foram isoladas da RIT e os passageiros precisam pagar duas tarifas.
Por questões político-partidárias, a expansão em poucos anos da integração ficou mesmo apenas na memória e no sonho.
Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes



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