São Paulo prepara projeto de zonas de baixa emissão, com possibilidade de restringir circulação a veículos elétricos e transporte público
Publicado em: 6 de novembro de 2026
Representante da Prefeitura confirmou que proposta está em elaboração durante reunião sobre políticas climáticas; localização das áreas, prazos e regras ainda não foram definidos
ADAMO BAZANI
A Prefeitura de São Paulo está preparando um projeto para criar zonas de baixa emissão, com a possibilidade de estabelecer regiões da cidade nas quais a circulação de veículos seja limitada, priorizando modelos elétricos e o transporte público. A informação foi apresentada durante reunião do Conselho Municipal do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (CADES), cuja ata foi publicada no Diário Oficial desta sexta-feira, 6 de novembro de 2026.
A proposta ainda está em elaboração e não há anúncio de bairros, ruas, datas de implantação ou regras para motoristas e passageiros. A discussão integra os esforços municipais para reduzir a poluição e as emissões do transporte, setor apontado durante a reunião como um dos principais desafios climáticos da capital paulista.
A informação foi apresentada por Alessandro Bender, representante da Secretaria Executiva de Mudanças Climáticas (SECLIMA), durante a 45ª Reunião Plenária Extraordinária do CADES, realizada em 28 de outubro.
Segundo ele, a administração municipal está organizando um projeto que permita começar a estabelecer regiões com restrições para veículos mais poluentes.
O representante mencionou como possibilidades a circulação de veículos elétricos e do transporte público nessas áreas.
A fala ocorreu em meio ao debate sobre a revisão do Plano de Ação Climática e as prioridades para reduzir as emissões na cidade.
Transporte está entre os principais desafios
Alessandro Bender afirmou durante a reunião que o transporte já representa mais de 60% das emissões da cidade, conforme os dados mencionados por ele.
O representante também destacou o elevado número de automóveis e as dificuldades para ampliar a utilização do transporte público.
A questão vai além da substituição de veículos a combustão por elétricos.
A redução das emissões também depende da capacidade do transporte coletivo de atrair passageiros, oferecendo viagens mais rápidas, frequentes, confiáveis e confortáveis.
Nesse sentido, corredores de ônibus, redes de trilhos, terminais de integração e prioridade de circulação fazem parte da discussão sobre uma mobilidade de menor impacto ambiental.
Como poderiam funcionar as zonas
Zonas de baixa emissão são áreas urbanas em que a circulação de determinados veículos pode ser restringida de acordo com critérios ambientais.
As regras variam conforme cada cidade e podem considerar o tipo de combustível, a tecnologia de propulsão, a categoria do veículo e outras condições.
No caso de São Paulo, o projeto mencionado na reunião ainda não apresenta definição pública sobre abrangência territorial, exceções, fiscalização ou eventuais penalidades.
Também não foi anunciado se as restrições abrangeriam automóveis particulares, motocicletas, veículos de carga e serviços por aplicativo da mesma maneira.
Relação com a eletrificação dos ônibus
São Paulo vem ampliando o uso de ônibus elétricos no transporte municipal, em um processo que envolve a substituição gradual de veículos movidos a diesel, investimentos em infraestrutura de recarga e adequações nas garagens.
A discussão sobre zonas de baixa emissão acrescenta uma dimensão territorial a essa política, ao considerar não apenas a tecnologia dos veículos, mas também a forma como eles ocupam e circulam pelo espaço urbano.
Para os passageiros, o resultado dependerá das condições efetivas de acesso ao transporte coletivo nas áreas abrangidas.
O projeto ainda precisará ser detalhado pela Prefeitura antes que seja possível avaliar seus efeitos sobre a circulação e sobre os serviços de transporte.
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes


