Grupo Comporte obtém enquadramento federal para financiar R$ 14,3 bilhões em investimentos nas linhas 11, 12 e 13 de trens de São Paulo

Ministério das Cidades autoriza projeto da Trivia Trens a captar recursos por debêntures incentivadas; concessionária prevê R$ 3,5 bilhões nessa modalidade, obras de expansão até 2034 e benefícios para 4,6 milhões de moradores

ADAMO BAZANI

O Ministério das Cidades aprovou o enquadramento como prioritário do projeto de modernização e ampliação das linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade, incluindo o Expresso Aeroporto, sob responsabilidade da Trivia Trens, concessionária controlada pelo Grupo Comporte. A decisão, publicada no Diário Oficial da União desta terça-feira, 3 de novembro de 2026, permite que o empreendimento, estimado em R$ 14,3 bilhões, seja utilizado para a emissão de debêntures com benefícios fiscais, uma alternativa de financiamento para os investimentos previstos ao longo da concessão.

Do total estimado para o projeto, a empresa pretende captar R$ 3,5 bilhões por meio desses títulos. A iniciativa abrange o transporte ferroviário da zona leste de São Paulo, do Alto Tietê e de Guarulhos, com expansão da rede, modernização das instalações e melhorias operacionais. O documento federal calcula que aproximadamente 4,6 milhões de moradores das regiões atendidas poderão ser beneficiados e prevê a conclusão dos empreendimentos de longo prazo até 2034.

Investimentos previstos nas linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade

O empreendimento faz parte da concessão do chamado Lote Alto Tietê, formalizada pelo Governo de São Paulo em maio de 2025 e assumida operacionalmente pela Trivia Trens em julho de 2026.

O contrato tem prazo de 25 anos e prevê investimentos para ampliar a capacidade, recuperar estruturas existentes e modernizar a operação ferroviária.

Segundo as informações divulgadas pelo Governo de São Paulo e pela agência reguladora estadual, a concessão contempla a ampliação de aproximadamente 22,6 quilômetros de rede, além de intervenções na via permanente, sinalização, alimentação elétrica, estações e sistemas operacionais.

Na Linha 11-Coral, que liga a região central da capital ao Alto Tietê, os projetos incluem a extensão de aproximadamente quatro quilômetros de Estudantes até César de Souza, em Mogi das Cruzes (SP).

A linha também deverá receber reformas, reconstruções e novas estações, de acordo com as obrigações previstas no contrato.

Na Linha 12-Safira, o planejamento contempla a expansão de cerca de 2,7 quilômetros entre Calmon Viana e Suzano, além de intervenções para melhorar a infraestrutura e a capacidade operacional.

Na Linha 13-Jade, estão previstas expansões em direção a Bonsucesso, em Guarulhos, e à futura estação Gabriela Mistral, na capital paulista.

As obras previstas nessa linha deverão ampliar a integração entre Guarulhos, a zona leste de São Paulo e o sistema metropolitano de transporte sobre trilhos.

O contrato também inclui o Expresso Aeroporto, serviço que atende o Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos.

A demanda projetada para o conjunto das linhas é de aproximadamente 1,3 milhão de passageiros por dia útil em 2040.

O que muda com a autorização do Ministério das Cidades?

A publicação federal não representa a assinatura de um novo contrato de concessão nem a aprovação de um repasse direto de R$ 14,3 bilhões à concessionária.

O investimento global já integra o planejamento econômico da concessão estadual.

A novidade está na possibilidade de utilização de um instrumento específico de captação de recursos no mercado financeiro, com benefícios fiscais previstos na legislação federal para projetos prioritários de infraestrutura.

As debêntures são títulos de dívida emitidos por empresas para captar recursos junto a investidores, com compromisso de remuneração e pagamento nas condições contratadas.

No caso das debêntures incentivadas, a legislação estabelece tratamento tributário diferenciado para determinadas aplicações em infraestrutura, buscando facilitar o financiamento de empreendimentos de longo prazo.

A autorização ministerial é uma etapa necessária para enquadrar o projeto nessa modalidade. A efetiva emissão dos títulos, a procura por investidores e as condições financeiras dependerão das operações realizadas posteriormente.

Documento prevê R$ 3,5 bilhões, mas percentual informado precisa de esclarecimento

Um detalhe da publicação chama a atenção.

O anexo do Ministério das Cidades informa que os investimentos totais estão estimados em R$ 14,3 bilhões e que R$ 3,5 bilhões deverão ser captados por debêntures.

Entretanto, o mesmo documento afirma que essa captação representa 18,21% dos recursos financeiros.

Considerando os dois valores divulgados, a proporção seria de aproximadamente 24,5%.

A diferença pode decorrer da utilização de outra base financeira não explicitada no quadro ou de uma inconsistência material no percentual publicado.

Para fins de informação sobre o empreendimento, os valores de R$ 14,3 bilhões e R$ 3,5 bilhões foram preservados conforme a publicação federal. O percentual de participação da captação depende de esclarecimento do Ministério das Cidades ou da concessionária.

O enquadramento foi formalizado pela Portaria MCID nº 1.484, de 29 de outubro de 2026.

Grupo Comporte amplia presença no transporte sobre trilhos

A Trivia Trens S.A. é controlada integralmente pela Comporte Participações S.A., segundo o documento publicado pelo Ministério das Cidades.

O grupo empresarial, historicamente ligado ao transporte rodoviário de passageiros e à família Constantino, vem ampliando sua atuação em diferentes segmentos de infraestrutura e mobilidade.

A concessão das linhas 11, 12 e 13 representa uma das principais operações ferroviárias do conglomerado na região metropolitana de São Paulo.

O projeto é relevante para o mercado porque combina a experiência do grupo no setor de transportes com investimentos ferroviários de grande escala, em um contrato que envolve operação, manutenção e expansão da rede.

Para os passageiros, os benefícios esperados incluem melhoria da regularidade, ampliação da capacidade, estações modernizadas e novas possibilidades de deslocamento entre os municípios atendidos.

O documento federal informa que o projeto se encontra na fase de detalhamento do cronograma de investimentos e registra que ainda não havia obras de expansão em andamento na data das informações encaminhadas para o enquadramento.

A autorização financeira, portanto, representa uma etapa de estruturação dos investimentos, que deverão se materializar ao longo dos próximos anos.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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