Belo Horizonte contrata FGV por R$ 31 mil para acompanhar índice de custos dos ônibus em meio a discussões sobre financiamento e concessões

Contrato da Sumob permite acesso ao Índice Ônibus Urbano, que acompanha a evolução de despesas do setor; medida ocorre enquanto Prefeitura também prepara estudo sobre possível desequilíbrio financeiro dos contratos desde 2008

ADAMO BAZANI

A Prefeitura de Belo Horizonte contratou a Fundação Getulio Vargas (FGV), por R$ 31.005,70, para ter acesso a uma base de indicadores econômicos que inclui o Índice Ônibus Urbano, utilizado no acompanhamento da evolução dos custos do transporte coletivo. O contrato, formalizado pela Superintendência de Mobilidade do Município de Belo Horizonte (Sumob), foi assinado em 27 de outubro de 2026 e tem vigência de um ano, de 29 de outubro de 2026 a 28 de outubro de 2027, conforme documentos publicados no Diário Oficial.

A contratação ganha importância em um momento no qual a administração municipal também discute o financiamento dos ônibus, os subsídios às concessionárias e a análise de um possível desequilíbrio econômico-financeiro acumulado entre 2008 e julho de 2023. Embora a aquisição do índice não represente um reajuste de tarifa nem uma decisão sobre pagamentos às empresas, ela fornece informações econômicas que podem auxiliar o poder público no acompanhamento dos custos da operação.

O contrato GRP nº 002788/2026 estabelece o licenciamento de uso, sem exclusividade, da base de dados on-line FGV SELECT, disponibilizada pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV IBRE).

O serviço compreende o acesso ao indicador Setorial de Transporte Urbano – Índice Ônibus Urbano.

O que é o Índice Ônibus Urbano e por que ele importa

Os sistemas de transporte coletivo possuem despesas que variam de acordo com a evolução da economia.

O diesel é um dos exemplos mais conhecidos, mas existem outros componentes relevantes, como a mão de obra, as peças de reposição, os equipamentos e os custos associados à manutenção e à renovação da frota.

Índices econômicos setoriais permitem acompanhar como determinados grupos de custos evoluem ao longo do tempo.

Na prática, esses indicadores podem subsidiar estudos de planejamento, avaliações financeiras e análises técnicas relacionadas à operação de ônibus.

Entretanto, um índice isolado não representa necessariamente a variação integral do custo de um sistema de transporte.

Cada cidade possui características próprias, como quantidade de veículos, quilômetros percorridos, velocidade comercial, demanda de passageiros, condições dos corredores e estrutura contratual.

Por isso, a utilização desses indicadores deve considerar as características locais e as condições estabelecidas nos contratos.

Quem vai acompanhar a contratação da FGV

A Sumob designou o diretor de Planejamento e Economia dos Transportes, Gustavo Fonseca de Oliveira, como gestor do contrato.

A gerente de Estudos Econômicos do Transporte, Samira Cristina Silva de Almeida, foi indicada como fiscal titular.

Os profissionais integram a estrutura técnica responsável por acompanhar informações econômicas do transporte coletivo municipal.

O acesso à base FGV SELECT poderá apoiar o trabalho dessas áreas durante a vigência do contrato.

A contratação tem valor de R$ 31.005,70, correspondente ao licenciamento do serviço, e não à elaboração de um novo estudo de revisão de tarifas.

Contratação ocorre durante discussão sobre 15 anos de concessões

Na última quarta-feira, 28 de outubro, o Diário do Transporte noticiou que a Prefeitura contratou a consultoria TransporteIntel por R$ 325 mil para avaliar a existência de eventual desequilíbrio econômico-financeiro nos contratos de ônibus desde 2008.

A contratação está ligada a uma mesa de conciliação no Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais.

O trabalho busca examinar o período até julho de 2023, quando foi regulamentada a legislação municipal que modificou a estrutura de financiamento dos serviços.

A aquisição dos indicadores da FGV constitui uma contratação diferente, com objeto próprio.

Ainda assim, as duas medidas estão inseridas no mesmo contexto de acompanhamento dos custos e da sustentabilidade financeira do transporte coletivo.

Para os passageiros, essa discussão tem consequências práticas: os custos de operação influenciam a necessidade de recursos para manter a frota em circulação, cumprir horários e preservar a qualidade do atendimento.

A definição de tarifas e subsídios, por sua vez, envolve decisões administrativas, regras contratuais, critérios técnicos e a disponibilidade de recursos públicos.

A contratação da FGV acrescenta uma ferramenta de acompanhamento econômico à estrutura municipal responsável por essas análises.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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