Mobilidade entra em semana decisiva com Janela da ANTT, disputas na Justiça, novas linhas de ônibus e volta do rodízio em São Paulo; veja o que esperar até o fim de 2026
Publicado em: 2 de novembro de 2026
Período de 3 a 8 de novembro terá movimentações envolvendo transporte rodoviário, fretamento por aplicativos, mudanças de operadoras, novos serviços no Rio de Janeiro e expansão de frotas elétricas; Congresso, concessões e investimentos também estarão no radar da reta final do ano
ADAMO BAZANI
A primeira semana útil de novembro de 2026 começa com uma série de assuntos que podem influenciar diretamente os transportes públicos urbanos, metropolitanos e rodoviários no Brasil. Entre terça-feira (3) e domingo (8), os principais destaques são a continuidade da Janela Extraordinária da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), os desdobramentos de disputas judiciais envolvendo empresas de ônibus, a retomada do rodízio municipal de veículos em São Paulo (SP) e a previsão de novas linhas de transporte coletivo no Rio de Janeiro (RJ).
O mês também abre a reta final de um ano marcado por mudanças no mercado de transportes, decisões de tribunais, ampliação dos investimentos em ônibus elétricos e reestruturações de empresas. Até dezembro, o setor ainda terá pela frente definições sobre autorizações de linhas interestaduais, concessões, financiamentos, renovação de frotas e propostas legislativas que podem alterar a organização e o financiamento dos serviços.
O Diário do Transporte reúne os principais acontecimentos que devem ser acompanhados nesta semana e os assuntos que podem ganhar novos capítulos nas próximas semanas, diferenciando prazos oficiais, mudanças já anunciadas e questões que ainda dependem de decisões administrativas, políticas ou judiciais.
Janela Extraordinária da ANTT: semana será importante para empresas disputarem mercados interestaduais
Um dos principais acontecimentos do transporte rodoviário neste mês de novembro é a continuidade da etapa de lances da Janela Extraordinária nº 01/2024, conduzida pela Superintendência de Serviços de Transporte Rodoviário de Passageiros (SUPAS), da ANTT.
O processo é estratégico para a reorganização de mercados interestaduais, pois envolve pedidos de autorização para ligações entre diferentes cidades brasileiras, incluindo mercados atualmente atendidos por apenas uma empresa e outros considerados desatendidos.
O Comunicado SUPAS nº 46, de 23 de outubro de 2026, estabeleceu que a etapa de apresentação dos lances, iniciada em 26 de outubro, permanecerá aberta até 13 de novembro.
Portanto, durante toda a semana de 3 a 6 de novembro, as transportadoras participantes poderão continuar registrando suas propostas nos mercados submetidos à seleção.
O prazo originalmente anunciado terminaria em 6 de novembro, mas foi prorrogado por mais uma semana após modificações na relação de mercados e solicitações decorrentes do cumprimento de decisões judiciais.
Entre as empresas envolvidas em processos judiciais que motivaram o reprocessamento estão a Auto Viação Progresso, a Kandango Transportes e Turismo e a Viação Amarelinho.
A ANTT precisou promover bloqueios de mercados, reinclusões e exclusões de solicitações, com possíveis alterações na situação de ligações anteriormente classificadas.
A agência esclareceu que essas modificações não representam uma revisão geral dos critérios originalmente utilizados, mas o cumprimento de determinações judiciais específicas.
Para os passageiros, os efeitos da Janela Extraordinária não serão necessariamente imediatos.
O encerramento da etapa de lances não significa que todas as empresas participantes poderão começar a transportar passageiros no dia seguinte. Ainda serão necessárias a consolidação dos resultados e as providências regulatórias aplicáveis às autorizações e aos esquemas operacionais.
A expectativa do mercado é de que a definição dos pedidos e das disputas possa abrir espaço para novas operações e maior concorrência em determinadas ligações interestaduais.
O resultado também interessa às empresas tradicionais, às transportadoras de menor porte e aos grupos que pretendem ampliar sua presença nacional.
Outra questão importante é a fiscalização: a ANTT já ressaltou que as operações autorizadas deverão respeitar os esquemas operacionais cadastrados, incluindo pontos de embarque e desembarque.
Assim, além da disputa por mercados, novembro poderá ser um período importante para avaliar como a agência garantirá o cumprimento das condições autorizadas.
Itapemirim, Suzantur e Águia Branca: Justiça pode definir próximos passos de disputa que envolve passageiros e credores
Outro assunto que deverá concentrar atenções é a disputa envolvendo a massa falida do Grupo Itapemirim, a Suzantur e a Viação Águia Branca.
Conforme revelou com exclusividade o Diário do Transporte, o Ministério Público de São Paulo apresentou, em 30 de outubro, manifestação contrária à minuta do edital para alienação da Unidade Produtiva Isolada (UPI) relacionada à operação rodoviária da Itapemirim.
O Ministério Público também defendeu a ratificação imediata do arrendamento provisório em favor da Águia Branca.
A questão central é a impossibilidade de tratar autorizações públicas de transporte rodoviário interestadual como bens privados que poderiam ser automaticamente transferidos ao vencedor de um leilão judicial.
Cabe à ANTT autorizar a prestação dos serviços, observadas as condições regulatórias.
A manifestação do Ministério Público não representa uma decisão definitiva da Justiça. O posicionamento ainda deverá ser apreciado no processo de falência.
O próximo movimento judicial poderá influenciar a continuidade do arrendamento atualmente explorado pela Suzantur, a eventual entrada da Águia Branca, o formato da futura alienação e a preservação dos interesses dos credores.
Para os passageiros, o aspecto mais importante é que qualquer substituição de operadora precisa preservar os serviços, os horários, os bilhetes comercializados e a continuidade das viagens.
Para os trabalhadores, estão em discussão questões envolvendo a transição operacional e a organização dos vínculos de emprego.
Já para os credores, uma nova demora na definição do leilão pode representar prolongamento da espera por recursos, embora a realização de uma venda juridicamente vulnerável também possa provocar novos litígios.
Não há, entretanto, uma data de julgamento confirmada para a semana de 3 a 6 de novembro. O processo permanece entre os principais assuntos judiciais a acompanhar.
STF e aplicativos de fretamento: caso Buser continua no radar
O julgamento sobre as regras para o transporte rodoviário de passageiros por aplicativos em Minas Gerais também permanece entre as principais questões jurídicas do setor.
O Supremo Tribunal Federal (STF) analisa, no Recurso Extraordinário nº 1.506.410, a constitucionalidade de normas mineiras relativas ao fretamento de ônibus, incluindo a exigência de operação em circuito fechado.
A discussão envolve a competência para legislar sobre transporte, a livre iniciativa, a livre concorrência e os limites entre serviços de fretamento e transporte regular de passageiros.
No circuito fechado, a organização do serviço pressupõe um grupo previamente definido de passageiros, com regras específicas para a viagem de ida e volta.
Já o transporte regular atende linhas e mercados autorizados, com venda individual de passagens e obrigações operacionais próprias.
O debate pode ter reflexos sobre plataformas digitais, transportadoras parceiras, empresas que operam linhas regulares e órgãos responsáveis pela fiscalização.
O processo esteve incluído na programação de outubro do STF, e seu andamento deverá continuar sendo observado em novembro.
Uma eventual decisão poderá influenciar a interpretação de regras aplicáveis aos serviços organizados por plataformas tecnológicas. Entretanto, os efeitos dependerão do conteúdo final do julgamento e de seu alcance jurídico.
São Paulo: rodízio volta na terça-feira (3) após feriado de Finados
Na cidade de São Paulo, a mudança mais imediata para os motoristas será a retomada prevista do rodízio municipal de veículos na terça-feira, 3 de novembro.
A restrição ficou suspensa nesta segunda-feira (2), feriado de Finados, quando os automóveis com placas finais 1 e 2 puderam circular normalmente no Centro Expandido.
Com o retorno da regra habitual, a terça-feira terá restrição para automóveis com placas finais 3 e 4.
O rodízio funciona das 7h às 10h e das 17h às 20h, nos dias úteis, e abrange o Centro Expandido da capital paulista.
Na quarta-feira (4), a restrição corresponde às placas finais 5 e 6; na quinta-feira (5), aos finais 7 e 8; e, na sexta-feira (6), aos finais 9 e 0.
A multa pelo descumprimento é de R$ 130,16, com quatro pontos na Carteira Nacional de Habilitação.
O retorno ocorre após o feriado prolongado, período de movimentação intensa nas rodovias e nos acessos à capital.
A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) também deverá acompanhar a normalização do trânsito, especialmente nas marginais Tietê e Pinheiros e nas principais ligações com as rodovias.
O rodízio de automóveis não deve ser confundido com as regras específicas aplicáveis a caminhões, fretados, faixas exclusivas e corredores de ônibus.
Rio de Janeiro prevê novas linhas em 7 de novembro, com conexões ao metrô e ao Aeroporto do Galeão
Uma das novidades mais concretas previstas para a semana está no transporte coletivo do Rio de Janeiro.
A programação da Prefeitura do Rio de Janeiro contempla a implantação, no sábado, 7 de novembro, de duas novas ligações operadas pela Mobi-Rio: Conexão 91 e Conexão 95.
A Conexão 91 deverá ligar Bananal, na Ilha do Governador, à estação Del Castilho do metrô.
O atendimento planejado contempla dez ônibus e conexões com pontos importantes da rede, incluindo a Estação das Barcas de Cocotá, o Terminal BRT Fundão e a Estação de Trem de Bonsucesso.
A Conexão 95 deverá ligar o Aeroporto Internacional Tom Jobim, o Galeão, à estação Del Castilho, também com passagem por pontos de integração com o BRT e os trens urbanos.
Estão previstos sete ônibus nessa segunda ligação.
Somadas, as duas linhas deverão utilizar 17 veículos, ampliando a oferta em relação aos serviços considerados como referência pela administração municipal.
O funcionamento está programado para o intervalo entre 4h e 23h, com horários específicos e detalhes operacionais sujeitos à confirmação.
A implantação poderá ampliar as alternativas de acesso ao aeroporto e à Ilha do Governador, sobretudo para passageiros que dependem de conexões entre ônibus, metrô, trens e BRT.
A data anunciada, entretanto, ainda exige a confirmação efetiva do início das operações.
As novidades ocorrem poucos dias depois de outra mudança importante no Rio: a saída da Mobi-Rio da linha 634, entre Bananal e Saens Peña, determinada judicialmente.
Desde 1º de novembro, a operação integral dessa ligação passou ao Consórcio Internorte.
A continuidade do atendimento, a regularidade das viagens e as condições dos ônibus serão os principais aspectos a serem observados nessa transição.
São José dos Campos: 400 ônibus elétricos, contratos prorrogados e entregas até dezembro
A renovação de frota também estará entre os destaques da reta final de 2026.
Em São José dos Campos (SP), a aprovação de R$ 879,4 milhões em financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para a aquisição de 400 ônibus elétricos com tecnologia nacional Eletra deu novo impulso ao projeto de eletrificação do transporte municipal.
O investimento total relacionado à aquisição é de aproximadamente R$ 1,139 bilhão.
Os ônibus serão disponibilizados em um modelo de locação à Urbanizadora Municipal (Urbam), enquanto a operação das linhas ficará a cargo das empresas contratadas para a prestação dos serviços.
O cronograma atualizado contempla 24 ônibus articulados até o fim de novembro e outros 65 veículos até dezembro de 2026.
O restante da frota deverá ser entregue gradualmente, com conclusão prevista para junho de 2027.
Paralelamente, a Prefeitura prorrogou até outubro de 2027 os contratos das atuais operadoras Viação Saens Peña, Joseense Transporte de Passageiros e Expresso Maringá, com possibilidade de encerramento antecipado durante a transição.
A medida demonstra que a renovação da frota e a substituição do modelo operacional são processos distintos.
Embora a cidade esteja preparando a eletrificação de sua rede, a implantação não representa uma troca imediata de todas as empresas ou a retirada simultânea dos ônibus convencionais.
A entrega dos veículos, a infraestrutura de recarga, os pátios e a organização dos serviços serão fatores decisivos para o andamento do projeto.
O caso também será acompanhado por outras cidades interessadas na separação entre propriedade da frota e operação dos ônibus.
Congresso Nacional: marco regulatório, transporte por aplicativos e financiamento estão entre as pautas para a reta final do ano
O Congresso Nacional também retoma suas atividades após o feriado de Finados, com sessão deliberativa do Senado Federal prevista para terça-feira (3), às 14h.
A agenda legislativa até dezembro será importante para o transporte, embora nem todas as matérias de interesse do setor tenham votação marcada nesta primeira semana de novembro.
Entre as propostas que merecem acompanhamento está o novo Marco Regulatório do Transporte Público Coletivo, voltado à atualização das regras de organização, financiamento, contratação e gestão dos sistemas de transporte urbano.
O debate envolve questões estruturais, como a divisão das responsabilidades entre União, estados e municípios, o financiamento da operação, a transparência dos custos e a relação entre tarifas pagas pelos passageiros e recursos públicos.
Um dos pontos centrais é a necessidade de estabelecer fontes permanentes de financiamento que permitam melhorar a oferta e a qualidade do serviço.
A discussão também se relaciona à ampliação das políticas de Tarifa Zero, adotadas por diferentes municípios brasileiros, e à necessidade de definir quem paga pela operação quando a arrecadação tarifária é reduzida ou eliminada.
A gratuidade não elimina os custos com motoristas, manutenção, combustível, eletricidade, garagens e renovação da frota.
Outra frente legislativa envolve a regulamentação dos serviços intermediados por aplicativos, incluindo as condições de trabalho e proteção social de motoristas e entregadores.
Embora o transporte individual por aplicativos e o fretamento de ônibus tenham regimes jurídicos distintos, ambos integram um debate mais amplo sobre plataformas tecnológicas e a prestação de serviços de transporte.
No transporte rodoviário, propostas relacionadas aos direitos dos passageiros, acessibilidade e condições de segurança também continuam no radar.
Uma das discussões é a possibilidade de assegurar assentos lado a lado para mulheres que viajam desacompanhadas em ônibus rodoviários, tema que ganhou espaço no Senado em outubro.
As proposições precisam cumprir as respectivas etapas de tramitação antes de qualquer mudança obrigatória para as empresas.
Outro compromisso central do Legislativo na reta final de 2026 será a análise do Orçamento da União para 2027.
A discussão interessa diretamente aos programas federais de investimentos, financiamento e infraestrutura, incluindo iniciativas relacionadas à renovação de frotas, mobilidade urbana e transporte ferroviário.
Não está confirmada, para esta semana, votação específica em plenário de todos esses projetos. A realização das deliberações dependerá das pautas publicadas e das decisões das presidências das Casas e das comissões.
Curitiba: licitação de R$ 3,9 bilhões continua suspensa e novembro poderá ter novas decisões
Em Curitiba (PR), um dos principais assuntos da reta final do ano é a licitação para a nova concessão do transporte coletivo municipal.
O projeto elaborado pela Prefeitura, com participação do BNDES, prevê aproximadamente R$ 3,9 bilhões em investimentos e a reorganização da operação em cinco lotes.
O calendário original atualizado previa o recebimento das propostas em 17 de novembro e o leilão na B3, em São Paulo (SP), em 26 de novembro.
Entretanto, uma nova decisão do Tribunal de Contas do Estado do Paraná (TCE-PR), proferida em 28 de outubro, suspendeu integralmente o procedimento.
A determinação alcança os cinco lotes e impede o recebimento das propostas e a realização do leilão enquanto estiver em vigor.
O tribunal apontou a necessidade de aprofundar a análise de aspectos relacionados às regras da disputa, à remuneração das concessionárias e à distribuição de riscos contratuais.
Essa nova suspensão ocorreu depois de uma decisão judicial que havia permitido o prosseguimento da concorrência.
O resultado é que o calendário inicialmente divulgado para novembro não pode ser tratado como confirmado.
A principal expectativa agora é de novas manifestações administrativas, judiciais ou do próprio tribunal de contas capazes de definir as condições para uma eventual retomada.
A licitação também interessa à indústria de ônibus, porque contempla renovação de frota e expansão da eletromobilidade nos próximos anos.
São Paulo: Transwolff, contratos de ônibus e financiamento do transporte
Na capital paulista, a situação dos lotes D10 e D11, anteriormente operados pela Transwolff, continuará exigindo acompanhamento.
O sistema reúne aproximadamente 1.206 ônibus e 111 linhas, que atendem áreas importantes da cidade.
Após a intervenção municipal iniciada em abril de 2024, os serviços passaram por diferentes etapas de reorganização, com participação da SPTrans na gestão operacional.
Uma decisão judicial de 30 de outubro suspendeu o encerramento do contrato com a Transwolff, criando mais um capítulo na discussão sobre as responsabilidades contratuais e a continuidade da prestação dos serviços.
As consequências administrativas e operacionais dessa decisão deverão ser acompanhadas pela Prefeitura e pela SPTrans.
O cenário também envolve questões trabalhistas, manutenção da frota, contratos de apoio à operação e garantias de atendimento aos passageiros.
Para o usuário, a principal preocupação permanece sendo a regularidade das viagens, especialmente nas linhas das regiões Sul e Leste da cidade.
A reta final do ano também será marcada pelo debate sobre os recursos destinados ao sistema municipal.
A proposta de orçamento para 2027 prevê aproximadamente R$ 7,35 bilhões em compensações tarifárias, além de R$ 2,19 bilhões para eletrificação e gestão do transporte e R$ 500 milhões relacionados à renovação de veículos com utilização de biometano.
Esses recursos ainda dependem das etapas de análise e aprovação legislativa.
O tema ganha importância depois de sucessivas suplementações realizadas em outubro de 2026, que elevaram as dotações destinadas às compensações tarifárias.
A discussão vai além dos valores: envolve verificar como o dinheiro público é convertido em viagens efetivamente realizadas, confiabilidade, renovação de frota e qualidade do transporte.
Frota nova: Eletra, Mercedes-Benz, Caio e outras fabricantes entram na reta final com encomendas para 2027
A renovação das frotas de ônibus também deve continuar movimentando o setor industrial nos dois últimos meses de 2026.
Fabricantes de chassis, carrocerias, sistemas elétricos e componentes trabalham com encomendas destinadas a programas de eletrificação e substituição de veículos convencionais.
Entre os destaques está a Eletra, fabricante brasileira sediada em São Bernardo do Campo (SP), que participa de projetos de eletrificação em diferentes regiões do País.
Além da encomenda de São José dos Campos, a empresa tem projetos relacionados às frotas de São Paulo e de municípios mineiros, incluindo Belo Horizonte e Montes Claros.
O crescimento das encomendas ocorre paralelamente aos investimentos em expansão da capacidade produtiva e desenvolvimento de novos veículos.
Outras fabricantes, como Caio, Marcopolo, Comil, Busscar, Mascarello e Irizar, além de fornecedores de chassis e sistemas de propulsão, também participam das movimentações do mercado de ônibus urbanos e rodoviários.
No segmento de chassis, Mercedes-Benz, Volkswagen Caminhões e Ônibus, Scania, Volvo e fabricantes de plataformas elétricas integram a cadeia de renovação de frotas.
A Mercedes-Benz, por exemplo, amplia sua atuação na eletromobilidade brasileira com a família eO500 e projetos de expansão de sua oferta de ônibus elétricos.
A reta final do ano será importante para acompanhar novas entregas, contratos, investimentos e preparação de linhas de produção para 2027.
Entretanto, encomendas anunciadas não devem ser confundidas com ônibus já entregues e colocados em operação.
Para os passageiros, a modernização somente produz efeitos concretos quando os veículos começam a cumprir viagens regulares, com estrutura de manutenção, carregamento e operação adequada.
Belo Horizonte, Recife e outras capitais: eletrificação depende de obras, infraestrutura e entrega de veículos
Outras cidades brasileiras também devem ocupar espaço no noticiário sobre frotas de ônibus.
Belo Horizonte (MG) prepara a incorporação de 96 ônibus elétricos com tecnologia Eletra, carrocerias Caio e plataformas Mercedes-Benz, em um investimento de aproximadamente R$ 307,68 milhões.
O projeto envolve ainda a infraestrutura necessária ao carregamento dos veículos.
No Recife (PE), a programação de renovação contempla cem ônibus elétricos, com investimentos relacionados à aquisição da frota e à implantação dos equipamentos de recarga.
No Rio de Janeiro, a expansão da eletromobilidade também está associada a projetos de concessão e infraestrutura específica para ônibus elétricos.
Essas iniciativas representam oportunidades para a indústria e para a reorganização dos serviços municipais, mas seu sucesso depende de fatores que vão além da compra dos veículos.
A disponibilidade de energia elétrica, a capacidade das garagens, a formação dos trabalhadores e a definição dos responsáveis pela manutenção estão entre os aspectos que precisam acompanhar a renovação.
Até dezembro, o mercado deverá observar o cumprimento dos cronogramas anunciados e a transformação dos investimentos em veículos efetivamente disponíveis aos usuários.
Campinas e outras cidades: renovação de ônibus convencionais também continua
A modernização do transporte não está limitada aos veículos elétricos.
Em Campinas (SP), o sistema municipal passa por uma etapa de renovação de frota com ônibus convencionais novos.
Desde agosto, as concessionárias anunciaram sucessivas incorporações, incluindo um lote de 70 veículos e a programação de mais 25 unidades.
O processo ocorre em um cenário de indefinições sobre a futura concessão do transporte coletivo, depois da revogação de uma licitação.
A situação também envolve o histórico de propostas de renovação apresentadas durante o processo licitatório, incluindo uma oferta de 320 veículos pela Sancetur.
O acompanhamento das próximas semanas deverá mostrar quantos ônibus novos foram efetivamente incorporados, quais regiões foram beneficiadas e como a renovação se relaciona com o futuro modelo de contratação do serviço.
Em diferentes cidades, as substituições de frota continuam sendo instrumentos para reduzir a idade média dos ônibus, melhorar a acessibilidade e ampliar o conforto dos passageiros.
Empresas de ônibus: aquisições, mudanças de marca e reorganizações devem continuar movimentando o mercado
O mercado empresarial também chega aos últimos dois meses de 2026 em transformação.
Entre os acontecimentos recentes está a reorganização de concessões rodoviárias em Minas Gerais, incluindo a transferência de operação ligada à Viação Sertaneja para a Gontijo.
A operação representa um movimento de expansão de um dos grupos tradicionais do transporte rodoviário brasileiro.
Outro exemplo é o Grupo Comporte, que anunciou a adoção da marca Penha pela tradicional Princesa do Norte, dentro de uma estratégia de integração empresarial.
O conglomerado da família Constantino também ampliou sua atuação para segmentos como transporte ferroviário, metroviário e energia.
Esses movimentos demonstram que a consolidação empresarial não acontece apenas pela compra de veículos ou pela abertura de novas linhas.
Ela envolve concessões, reorganização societária, integração operacional, marcas e diversificação de atividades.
Até dezembro, novas movimentações poderão ocorrer, mas mudanças de controle, aquisições e substituições de empresas deverão ser tratadas como concluídas somente quando houver os respectivos atos e confirmações.
Feriados, Enem e viagens de fim de ano: planejamento de ônibus ganha importância
Além das decisões regulatórias e empresariais, o calendário de novembro traz demandas imediatas de transporte para a população.
O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), os próximos feriados e a aproximação das férias escolares exigirão planejamento de linhas, horários e oferta de veículos.
Em cidades que possuem políticas de Tarifa Zero, será importante observar as regras específicas de gratuidade e os reforços programados para atender estudantes.
O feriado nacional da Proclamação da República, em 15 de novembro, cairá em um domingo.
Já o Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra, em 20 de novembro, será uma sexta-feira, criando a possibilidade de maior movimentação em viagens rodoviárias durante o fim de semana prolongado.
A proximidade de dezembro também aumenta a necessidade de planejamento das empresas para as viagens de Natal, Ano-Novo e férias de verão.
Tradicionalmente, esses períodos exigem atenção à disponibilidade de frota, à manutenção dos veículos, à fiscalização e à autorização de viagens adicionais quando aplicável.
As empresas poderão ajustar a oferta conforme a demanda, observadas as exigências regulatórias.
Para os passageiros, a orientação é acompanhar alterações de horários, pontos de embarque e regras para remarcações e cancelamentos, além de verificar as condições dos serviços contratados.
O que ainda pode acontecer até 31 de dezembro?
A reta final de 2026 reúne acontecimentos com diferentes graus de definição.
Há prazos oficialmente estabelecidos, como o encerramento dos lances da Janela Extraordinária em 13 de novembro, e iniciativas com datas anunciadas, como as novas conexões de ônibus previstas para 7 de novembro no Rio de Janeiro.
Existem também situações que dependem de novas decisões, como a disputa judicial envolvendo Itapemirim, Suzantur e Águia Branca, o andamento do julgamento sobre fretamento por aplicativos no STF e a licitação suspensa do transporte de Curitiba.
Outro conjunto de assuntos envolve o cumprimento dos investimentos anunciados, principalmente na renovação das frotas.
Em São José dos Campos, a programação de entregas até dezembro é uma referência concreta a ser acompanhada. Nas demais cidades, a execução dos projetos dependerá dos contratos e respectivos cronogramas.
O Congresso e as câmaras municipais também entram no período decisivo de discussão dos orçamentos para 2027, com reflexos sobre subsídios, investimentos e planejamento dos transportes públicos.
A combinação desses fatores mostra que novembro e dezembro não serão apenas meses de encerramento administrativo.
Serão também um período de preparação para mudanças que poderão repercutir ao longo de 2027.
Para passageiros, trabalhadores, empresários e gestores públicos, a questão central é saber quais decisões resultarão em melhorias efetivas do transporte e quais projetos permanecerão dependentes de providências jurídicas, financeiras e operacionais.
O Diário do Transporte continuará acompanhando as movimentações na ANTT, nas instâncias judiciais, no Congresso Nacional, nos governos estaduais, nas prefeituras e nas empresas, com atenção especial à continuidade dos serviços e aos efeitos concretos para quem depende do transporte coletivo.
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes


