Novembro começa com encerramentos de operações, mudanças de linhas e trocas de empresas de ônibus; São José dos Campos mantém atuais operadoras
Publicado em: 1 de novembro de 2026
Rio de Janeiro terá saída da Mobi-Rio de linha por decisão judicial e prevê novas conexões com metrô e aeroporto; Campina Grande registra mudanças em quatro linhas e encerramento das operações da Viação Cabral e Santa Rosa após 61 anos; Distrito Federal amplia atendimentos
ADAMO BAZANI
O mês de novembro de 2026 começa com uma série de mudanças no transporte coletivo por ônibus em cidades brasileiras, incluindo encerramentos de operações, substituições de empresas, alterações de itinerários e previsão de novas ligações. No Rio de Janeiro (RJ), a Mobi-Rio deixa neste domingo, 1º de novembro, a linha 634, entre Bananal e Saens Peña, por determinação judicial, com o atendimento passando integralmente ao Consórcio Internorte. A capital fluminense também tem duas novas conexões programadas para 7 de novembro, ligando a Ilha do Governador e o Aeroporto Internacional do Galeão ao metrô Del Castilho.
Em Campina Grande (PB), quatro linhas municipais têm mudanças de itinerário a partir deste domingo, enquanto a Viação Cabral e Santa Rosa encerra sua trajetória operacional após 61 anos de atuação. Em São José dos Campos (SP), a situação é de manutenção das atuais operadoras: a Prefeitura prorrogou até outubro de 2027 os contratos com Viação Saens Peña, Joseense Transporte de Passageiros e Expresso Maringá, garantindo a continuidade dos serviços durante a preparação do novo modelo de transporte coletivo.
As mudanças mostram diferentes situações enfrentadas pelo setor. Enquanto algumas operações são encerradas ou transferidas, outras são mantidas por meio de prorrogações contratuais, e novas ligações são planejadas para ampliar as opções de deslocamento dos passageiros.
Rio de Janeiro: Mobi-Rio deixa linha 634 e Consórcio Internorte assume operação
A partir deste domingo, 1º de novembro, o Consórcio Internorte volta a ser o responsável integral pela operação da linha 634, que liga Bananal, na Ilha do Governador, à Praça Saens Peña, na Tijuca.
A mudança ocorre por determinação judicial e encerra a participação da Mobi-Rio no atendimento.
A empresa municipal havia assumido a operação em maio de 2026, depois de uma intervenção determinada pela Prefeitura do Rio de Janeiro diante de problemas atribuídos à prestação do serviço.
A Transportes Paranapuan, integrante do Consórcio Internorte, era uma das empresas historicamente responsáveis pela ligação.
Com a intervenção, a Mobi-Rio colocou 25 ônibus novos no atendimento, equipados com ar-condicionado, e estabeleceu uma programação de funcionamento durante 24 horas.
O serviço também passou a integrar experiências de ampliação do pagamento eletrônico, sem recebimento de dinheiro em espécie dentro dos ônibus.
A retomada da operação pelas empresas privadas foi marcada por disputas administrativas e judiciais.
Em agosto, veículos de empresas integrantes do Consórcio Internorte voltaram a atender a ligação em uma operação compartilhada com a Mobi-Rio.
Participaram dessa etapa empresas como Paranapuan, Ideal, Caprichosa e Pavunense.
Agora, a determinação judicial estabelece a saída da empresa municipal e a transferência integral da responsabilidade operacional ao consórcio.
A linha 634 atende deslocamentos entre a Ilha do Governador e regiões como Fundão, Bonsucesso, Benfica, São Cristóvão, Praça da Bandeira e Tijuca, além de áreas próximas à Rodoviária Novo Rio.
Para os passageiros, a principal questão será a manutenção da regularidade das viagens, dos intervalos e das condições dos veículos.
A saída da Mobi-Rio da linha não representa o encerramento das atividades da empresa municipal, que continua responsável por outros serviços de transporte na cidade.
Rio prevê duas novas conexões a partir de 7 de novembro
Além da troca de operador na linha 634, o Rio de Janeiro tem previsão de implantação de duas novas ligações no sábado, 7 de novembro.
A programação apresentada para a Mobi-Rio contempla as linhas Conexão 91 e Conexão 95, com uma frota total de 17 ônibus e atendimento previsto entre 4h e 23h.
A Conexão 91 deverá ligar Bananal, na Ilha do Governador, à estação de metrô Del Castilho, na Zona Norte.
Estão previstos dez ônibus para a operação.
Entre os principais pontos de interesse do percurso estão a Estação das Barcas de Cocotá, o Terminal BRT Fundão, a Estação de Trem de Bonsucesso e a estação Del Castilho do metrô.
A linha 901 aparece como referência para a nova ligação, com quatro ônibus na programação comparativa.
A proposta representa, portanto, um acréscimo de seis veículos em relação à frota indicada para o serviço de referência.
Já a Conexão 95 deverá ligar o Aeroporto Internacional do Galeão à estação de metrô Del Castilho.
A previsão é de sete ônibus.
O itinerário proposto contempla a Área de Apoio do Galeão, os terminais 1 e 2 do aeroporto, o Terminal BRT Aroldo Melodia, a Estação de Trem de Bonsucesso e o metrô Del Castilho.
A linha 915 foi utilizada como referência para a nova operação, com dois veículos, diante dos sete previstos para a Conexão 95.
Somadas, as duas ligações terão 17 ônibus previstos, em comparação com os seis indicados para os serviços atuais utilizados como referência.
O acréscimo proposto é de 11 veículos.
A principal vantagem para os passageiros será a ampliação das possibilidades de deslocamento entre a Ilha do Governador, o aeroporto e outras regiões da cidade, com acesso a estações de trem, metrô, BRT e barcas.
A conexão física entre os sistemas, entretanto, não significa necessariamente integração tarifária gratuita.
Os horários específicos de partida, os intervalos e as regras de pagamento ainda dependem da programação operacional definitiva.
A data de 7 de novembro consta do planejamento divulgado, mas o início efetivo das operações deverá ser confirmado pela administração municipal.
Campina Grande: mudanças em quatro linhas e fim da operação da Cabral e Santa Rosa
Em Campina Grande (PB), o início de novembro também é marcado por mudanças no transporte coletivo.
A Superintendência de Trânsito e Transportes Públicos (STTP) anunciou alterações nos itinerários das linhas 200, 910, 500 e 505, com início programado para este domingo, 1º de novembro.
Como mostrou o Diário do Transporte, as mudanças atingem o atendimento aos bairros Jardim Continental, Bento Figueiredo e Mirante.
A linha 200 passa a atender o Jardim Continental nos dois sentidos, ampliando o acesso a serviços como a Unidade de Pronto Atendimento Manoel Tavares, o Atacadão, o Senac e o Terminal de Integração.
A linha 910 deixa de passar pelo Jardim Continental e segue pelas ruas Quinze de Novembro e Paris.
Já a linha 500, que liga o Centro à Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), retoma seu percurso original e deixa de atender o bairro Bento Figueiredo.
O atendimento dessa região passa a ser ampliado pela linha 505, que liga Rodoviária, Centro, Araxá e UFCG.
A 505 também passa a circular pela Rua Fernandes Vieira, no bairro Mirante, nas proximidades da Escola Estadual Nenzinha Cunha Lima e da faculdade Cesrei.
Paralelamente, a Viação Cabral e Santa Rosa encerrou suas operações no sábado, 31 de outubro, depois de 61 anos de atividades no transporte coletivo de Campina Grande.
Fundada em 1965, a empresa começou com dois ônibus e ampliou gradualmente sua presença no transporte municipal.
Nos últimos anos, enfrentou dificuldades financeiras e passou por uma redução significativa de suas atividades.
Em junho de 2024, a Transnacional, integrante do Grupo A. Cândido, assumiu oito linhas anteriormente operadas pela Cabral e Santa Rosa: 500, 505, 555, 077, 092, 922, 902 e 903-B.
A empresa permaneceu vinculada ao atendimento da linha 910, conhecida como Jenipapo.
O encerramento das operações marca o fim de uma trajetória de mais de seis décadas no transporte coletivo da cidade, período em que a empresa acompanhou a expansão urbana de Campina Grande e integrou a rotina de milhares de passageiros.
A saída também envolve questões relacionadas à continuidade do atendimento da linha remanescente, à situação dos trabalhadores e aos procedimentos administrativos decorrentes do encerramento operacional.
São José dos Campos mantém três empresas e prorroga contratos até outubro de 2027
Em São José dos Campos (SP), na Região Metropolitana do Vale do Paraíba e Litoral Norte, o cenário é de manutenção das atuais operadoras.
A Prefeitura prorrogou os contratos com Viação Saens Peña, Joseense Transporte de Passageiros e Expresso Maringá até 21 de outubro de 2027.
Os aditamentos foram assinados em 21 de outubro de 2026 e permitem a continuidade do transporte coletivo enquanto o município prepara a implantação de um novo modelo operacional.
Os contratos possuem cláusula que permite encerramento antecipado, conforme o desenvolvimento da transição.
A mudança planejada envolve a substituição gradual do atual sistema por uma estrutura baseada na locação de ônibus elétricos e na contratação separada dos serviços de operação.
O projeto contempla 400 ônibus elétricos, com financiamento de R$ 879,4 milhões aprovado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), dentro de um investimento total de aproximadamente R$ 1,139 bilhão na renovação da frota.
Os veículos são produzidos pela Eletra, fabricante brasileira sediada em São Bernardo do Campo (SP).
A programação atualizada prevê a entrega de 24 ônibus articulados até o fim de novembro e outros 65 veículos até dezembro de 2026.
O restante da frota deverá ser entregue gradualmente, com conclusão prevista para junho de 2027.
O planejamento original previa a conclusão das entregas em setembro de 2026, mas o cronograma passou por adiamentos.
A implantação do novo sistema também depende da contratação da futura operadora.
Assim, embora exista uma transformação estrutural em preparação, não há substituição imediata das três empresas neste início de novembro.
A prorrogação contratual busca evitar descontinuidade no atendimento enquanto o município organiza a transição.
Distrito Federal começa novembro com ampliação de atendimentos
No Distrito Federal, os passageiros entram em novembro com alterações operacionais anunciadas pela Secretaria de Transporte e Mobilidade em outubro.
Entre as novidades está a linha 963.2, que liga o Terminal da M Norte, Ceilândia Centro, Condomínio Vista Bela e Terminal do Setor O.
O serviço foi programado para atender especialmente deslocamentos noturnos, com uma viagem diária, partindo do Terminal da M Norte às 22h10.
A tarifa anunciada é de R$ 2,70, com operação pela BsBus.
Também foram programadas ampliações nas linhas 0.963, que atende a região da QNR e o Condomínio Ikeda, e 929.3, no Sol Nascente.
Na 0.963, a programação passou de quatro para sete viagens diárias.
Na 929.3, a oferta prevista aumentou de dez para 16 viagens por dia, com atendimento aos trechos II e III e ao Condomínio Vitória.
Em Brazlândia, a linha 406.1 teve alteração de itinerário para atender o Setor de Oficinas.
A linha 0.450 recebeu duas viagens noturnas adicionais, passando de 50 para 52 viagens diárias.
Também foram anunciados ajustes nos horários da 402.5.
Essas alterações foram programadas para outubro e não representam implantações específicas de novembro, mas integram a oferta disponível aos passageiros neste início de mês.
Mudanças de linhas e empresas exigem atenção à continuidade do transporte
As situações registradas no início de novembro mostram diferentes formas de reorganização do transporte coletivo brasileiro.
No Rio de Janeiro, a mudança da linha 634 decorre de uma determinação judicial e transfere a responsabilidade operacional, sem extinguir o serviço.
As conexões previstas para 7 de novembro representam uma proposta de ampliação da rede, com novos trajetos e maior quantidade de veículos.
Em Campina Grande, as alterações de itinerários procuram reorganizar o atendimento em diferentes bairros, enquanto o encerramento das operações da Viação Cabral e Santa Rosa marca o fim da atuação de uma empresa com mais de seis décadas de história no transporte municipal.
Em São José dos Campos, a prorrogação dos contratos demonstra que a preparação de um novo modelo operacional pode exigir a manutenção temporária das empresas atuais.
Já no Distrito Federal, o aumento de viagens e as alterações de itinerários ampliam a oferta em áreas específicas.
Para os passageiros, o principal desafio é garantir que essas mudanças representem melhoria efetiva do atendimento, com regularidade, segurança, acessibilidade, horários adequados e informações claras.
Para os trabalhadores, substituições de empresas e encerramentos de operações também podem envolver questões trabalhistas e necessidade de definição sobre os vínculos de emprego.
É importante distinguir o encerramento de uma operação do fechamento definitivo de uma empresa, assim como a mudança de operador não significa necessariamente a extinção de uma linha.
O Diário do Transporte continuará acompanhando as mudanças programadas para novembro, os efeitos sobre os passageiros e as decisões dos gestores públicos responsáveis pelos sistemas municipais e metropolitanos.
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes


