Belo Horizonte reorganiza fiscalização do BRT Amazonas, projeto de mais de R$ 22 milhões que prepara novo corredor do Move e integração com metrô
Publicado em: 30 de outubro de 2026
Prefeitura altera equipe responsável pelo acompanhamento dos estudos de engenharia financiados pelo Banco Mundial; contrato iniciado em 2025 recebeu dois aditivos, enquanto implantação do corredor e terminal de integração integra planejamento de obras até 2030
ADAMO BAZANI
A Prefeitura de Belo Horizonte (MG) reorganizou a equipe responsável pela fiscalização dos estudos e projetos de engenharia do BRT Amazonas, futuro corredor de ônibus do sistema Move previsto para atender a Avenida Amazonas e conectar a Região Oeste ao Centro da capital. A mudança foi publicada no Diário Oficial desta quinta-feira, 29 de outubro de 2026, e envolve profissionais da Superintendência de Desenvolvimento da Capital (Sudecap), Superintendência de Mobilidade (Sumob), BHTrans e Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana. O empreendimento integra um programa financiado pelo Banco Mundial e tem projetos contratados em 2025, cujo valor atualizado chegou a aproximadamente R$ 22,28 milhões após dois aditivos.
A alteração administrativa ocorre enquanto o município desenvolve os projetos do novo corredor e prepara a implantação de um terminal de integração com a Linha 2 do metrô de Belo Horizonte. O cronograma divulgado pela administração municipal prevê a conclusão da etapa de estudos em agosto de 2027 e execução das obras principais entre 2028 e 2030. Para os passageiros, o objetivo do empreendimento é ampliar a prioridade ao transporte coletivo em um dos principais eixos de circulação da cidade, com intervenções que deverão envolver a operação dos ônibus, estações, acessibilidade e conexões com outros sistemas.
A atualização foi formalizada por uma portaria conjunta envolvendo a Secretaria Municipal de Obras e Infraestrutura, Sudecap, Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana, Sumob e BHTrans.
O documento altera a composição do comitê encarregado de acompanhar a execução do contrato de estudos e projetos do BRT Amazonas.
A organização reúne profissionais das áreas de engenharia, estudos de transporte, planejamento financeiro, circulação viária, comunicação e participação social.
A fiscalização dos projetos é uma etapa importante antes da contratação e da execução das obras, porque permite acompanhar a qualidade das soluções apresentadas, os levantamentos técnicos e o cumprimento das obrigações da empresa responsável pelos estudos.
Contrato de projetos começou em R$ 20,5 milhões e chegou a R$ 22,28 milhões com aditivos
Os estudos e projetos de mobilidade urbana do BRT Amazonas são desenvolvidos por um consórcio contratado pela Prefeitura de Belo Horizonte em março de 2025.
O valor inicial foi de R$ 20.537.672,41, com prazo contratual de 32 meses e período de execução previsto de 28 meses.
O consórcio foi originalmente identificado nos documentos municipais como Oficina–ITDP–Pitmen–GPA&A. Em publicações posteriores, a identificação aparece como Oficina–ITDP–Lareda–GPA&A.
A contratação reúne empresas e instituições com atuação em engenharia, planejamento de transportes e arquitetura.
O valor do contrato sofreu duas alterações financeiras em 2026.
Em julho, houve acréscimo de R$ 124.810,21, equivalente a aproximadamente 0,61% do valor original.
Naquele momento, a administração municipal justificou a alteração pela necessidade de reorganizar os segmentos do projeto e adequar os produtos previstos para medição.
Em outubro, um segundo termo aditivo acrescentou R$ 1.619.145,05, equivalente a aproximadamente 7,88% do valor inicial.
Esse segundo aumento foi publicado em 6 de outubro e teve como finalidade a inclusão de levantamentos, sondagens e ensaios necessários ao desenvolvimento dos projetos.
Com as duas alterações, o contrato passou a somar R$ 22.281.627,67, aumento acumulado de aproximadamente 8,49% sobre o valor inicialmente contratado.
O Diário do Transporte mostrou, em 7 de outubro, que a Prefeitura de Belo Horizonte havia avaliado a possibilidade de contratar separadamente os serviços adicionais de levantamento e sondagem.
A alternativa exigiria novo procedimento de contratação, mobilização de outra empresa e coordenação entre atividades diretamente relacionadas.
A decisão foi incorporar os serviços ao contrato existente, para permitir sua execução dentro do planejamento dos projetos.
Histórico inclui rescisão do primeiro contrato e convocação do segundo colocado
O desenvolvimento do BRT Amazonas passou por uma mudança de empresa responsável pelos estudos.
O primeiro contrato, firmado com o Consórcio Certare–Architectus–TTC, foi rescindido em dezembro de 2024.
Segundo informações encaminhadas pela Sudecap à Câmara Municipal de Belo Horizonte em 2025, a rescisão decorreu de descumprimento das obrigações contratuais.
Documentos relacionados ao financiamento do Banco Mundial registraram problemas de cumprimento do cronograma e de gestão do projeto.
Depois da rescisão, a Prefeitura de Belo Horizonte consultou o organismo financiador sobre a possibilidade de convocar o segundo colocado na seleção.
O Banco Mundial admitiu a solução, desde que o consórcio mantivesse interesse e disponibilidade e fosse utilizado o preço correspondente à proposta apresentada na concorrência.
Com isso, a administração municipal formalizou, em março de 2025, o novo contrato para elaboração dos estudos técnicos.
A contratação também foi acompanhada pela Câmara Municipal, que aprovou pedidos de informação sobre os critérios utilizados.
Esse histórico ajuda a explicar a atenção sobre o acompanhamento dos trabalhos técnicos e sobre a necessidade de compatibilizar os estudos com o planejamento das futuras obras.
Veja quem passa a acompanhar os estudos e projetos do BRT Amazonas
A nova composição do comitê mantém Daniel Garcia Toscano Barreto, diretor de Infraestrutura da Sudecap, como gestor do contrato.
A fiscalização técnica fica distribuída entre três profissionais da mesma superintendência.
| Responsável | Função no acompanhamento |
|---|---|
| Daniel Garcia Toscano Barreto | Gestor do contrato |
| Maria Clara Ferreira Vasconcelos | Primeira fiscal técnica |
| Fernanda Fórneas Moreira Araújo | Segunda fiscal técnica |
| Ivan Alves da Trindade Júnior | Terceiro fiscal técnico |
As designações dos três fiscais técnicos produzem efeitos a partir de 5 de outubro de 2026.
O comitê também inclui representantes de áreas responsáveis por analisar os efeitos do empreendimento sobre o transporte coletivo, a circulação e o planejamento municipal.
Entre eles estão Adilson Elpídio Daros, da Gerência de Estudos Econômicos do Transporte da Sumob, e Luciano Aparecido Chagas, da Gerência de Estudos de Mobilidade Coletiva.
A BHTrans participa por meio de Bruno Maduro, assessor da Diretoria de Planejamento, Gestão e Finanças, além de Péricles Simbera, da Gerência de Ação Regional Barreiro-Oeste, e Vinícius de Magalhães, da Gerência de Estudos de Circulação e Projetos.
A estrutura inclui ainda Patrícia Margarete Siqueira Barros, da área de Comunicação e Marketing, Tomás Alexandre Ahouagi, da Gerência de Monitoramento da Mobilidade, e Suzana Lúcia Silva Belo, da Gerência de Mobilização Social.
A participação dessas diferentes áreas está relacionada à abrangência dos projetos.
A implantação de um corredor BRT envolve decisões sobre engenharia viária, circulação, integração entre serviços, reorganização de linhas, impacto nas regiões atendidas e condições de acesso às estações.
O trabalho de fiscalização deve permitir que essas questões sejam analisadas durante a elaboração dos projetos.
Como será o BRT Amazonas e qual a relação com o Move existente
O BRT Amazonas, também denominado Move BH Amazonas, foi planejado para ampliar a prioridade ao transporte coletivo na Avenida Amazonas e nas vias que compõem o eixo de acesso às regiões Oeste e Barreiro.
A proposta integra o planejamento de expansão da rede de transporte de média capacidade de Belo Horizonte.
A cidade já possui corredores do Move, implantados principalmente nas avenidas Antônio Carlos, Pedro I e Cristiano Machado.
O novo projeto pretende ampliar o alcance desse conceito para uma região com grande concentração de deslocamentos por ônibus.
A Avenida Amazonas constitui um dos principais corredores viários de Belo Horizonte e recebe fluxos de veículos provenientes da Região Oeste, do Barreiro e de municípios da Região Metropolitana.
O atendimento por ônibus nessa área envolve tanto linhas municipais quanto serviços metropolitanos.
A implantação de infraestrutura prioritária busca reduzir a interferência do trânsito geral na circulação dos ônibus.
O projeto prevê estudos para implantação de faixas exclusivas, estações, estruturas de embarque e desembarque, adequações viárias e soluções de acessibilidade.
O detalhamento da infraestrutura depende dos projetos contratados, que precisam estabelecer a configuração dos trechos, as intervenções em cruzamentos e a organização dos pontos de atendimento.
Uma diferença importante entre um corredor BRT e uma faixa convencional de ônibus é a integração entre infraestrutura, operação, estações, controle de circulação e planejamento da oferta.
A melhoria do tempo de viagem depende da combinação desses elementos, especialmente nos pontos em que há cruzamentos, conversões e concentração de veículos.
Integração com a Linha 2 do metrô faz parte do planejamento
Uma das frentes do BRT Amazonas é a implantação de um terminal de integração com a Linha 2 do metrô de Belo Horizonte.
O equipamento integra o planejamento de conexão entre o transporte sobre pneus e o sistema ferroviário.
Em abril de 2025, a Prefeitura de Belo Horizonte publicou manifestação de interesse para selecionar uma empresa de consultoria responsável pelos estudos e projetos de engenharia do terminal e das intervenções viárias do entorno.
O escopo também contempla estudos ambientais e projetos relacionados às áreas necessárias à implantação do empreendimento.
A previsão de execução dos serviços de consultoria divulgada naquela etapa era de até 22 meses.
A integração é uma parte importante do planejamento porque permite organizar o acesso de passageiros que utilizam ônibus para alcançar a rede de metrô.
A Linha 2 é um dos projetos de expansão do sistema ferroviário da capital mineira, com atendimento previsto à região do Barreiro.
A conexão com o BRT Amazonas deverá ser definida conforme a localização e as condições operacionais do terminal.
A implantação de uma estrutura de integração exige planejamento dos acessos de ônibus, circulação de pedestres, travessias, acessibilidade e áreas destinadas à operação.
Também é necessário compatibilizar o funcionamento dos diferentes sistemas, considerando frequência, capacidade de atendimento e distribuição dos passageiros.
Banco Mundial participa do financiamento de programa de US$ 100 milhões
O BRT Amazonas integra o Programa de Mobilidade e Inclusão Urbana de Belo Horizonte.
A estrutura financeira divulgada pela Prefeitura de Belo Horizonte prevê investimento de US$ 100 milhões, sendo US$ 80 milhões de financiamento do Banco Mundial, por meio do Banco Internacional para Reconstrução e Desenvolvimento (BIRD), e US$ 20 milhões de contrapartida municipal.
O programa contempla intervenções de mobilidade e projetos de requalificação urbana.
Entre seus componentes estão os estudos e a implantação do BRT Amazonas, intervenções na Vila Cabana do Pai Tomás, preparação de projetos estratégicos e fortalecimento institucional.
A participação do Banco Mundial estabelece procedimentos próprios para seleção de empresas, acompanhamento dos contratos e utilização dos recursos.
A administração municipal também precisa cumprir as exigências nacionais aplicáveis às contratações, à execução orçamentária e à prestação de contas.
O financiamento é destinado ao programa como um todo, e os valores de cada contrato devem ser acompanhados individualmente.
Em maio de 2026, a Prefeitura de Belo Horizonte anunciou novos procedimentos para a implantação do terminal de integração do BRT Amazonas e do sistema viário do entorno.
Os chamamentos incluíram a seleção de empresa para execução dos serviços e obras e a contratação de consultoria para acompanhamento da execução contratual.
Os procedimentos fazem parte da preparação das intervenções previstas no programa.
Cronograma prevê conclusão dos projetos em 2027 e obras entre 2028 e 2030
O planejamento municipal organiza o empreendimento em duas etapas principais.
A primeira é a elaboração dos estudos e projetos, com previsão de conclusão em agosto de 2027.
A segunda corresponde à contratação e execução das obras do corredor.
Segundo o cronograma divulgado pela Prefeitura de Belo Horizonte, uma nova licitação para a implantação das obras principais está prevista para 2027, com execução estimada ao longo de três anos, entre 2028 e 2030.
A administração municipal apresentou anteriormente uma estimativa preliminar de aproximadamente R$ 262 milhões para implantação do BRT Amazonas, calculada com base em valores de setembro de 2022.
O orçamento definitivo depende da conclusão dos projetos executivos e da definição das soluções de engenharia.
Esses documentos deverão permitir o dimensionamento de obras, materiais, intervenções viárias e demais serviços necessários à implantação.
O cronograma também precisa considerar as etapas de contratação, licenciamento e preparação das frentes de trabalho.
Fiscalização reúne engenharia, circulação e participação social
A publicação de 29 de outubro altera a estrutura de acompanhamento dos estudos e projetos em andamento.
A nova composição reúne equipes encarregadas de verificar a execução técnica e representantes de áreas que serão diretamente afetadas pelas decisões de projeto.
O trabalho envolve a avaliação dos produtos de engenharia apresentados pelo consórcio contratado, a verificação do cumprimento das obrigações e a coordenação das diferentes especialidades.
Para os passageiros, a principal consequência deverá aparecer quando os estudos forem transformados em infraestrutura e operação.
O novo corredor poderá alterar a circulação dos ônibus na Avenida Amazonas, a organização das paradas e as conexões com outras linhas, conforme as soluções aprovadas e implantadas.
O acompanhamento dos projetos é uma etapa para que essas mudanças sejam planejadas com base nas necessidades de deslocamento e nas condições reais da via.
Com a reorganização do comitê, a Prefeitura de Belo Horizonte mantém uma estrutura de fiscalização para acompanhar o contrato de aproximadamente R$ 22,28 milhões e preparar a implantação do BRT Amazonas, prevista no planejamento municipal para os próximos anos.
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes


