BRT Radial Leste: CET formaliza contrato para desvios durante obras de corredor prometido para fevereiro de 2026 e que segue em construção
Publicado em: 29 de outubro de 2026
Consórcio responsável pelo primeiro lote terá apoio técnico para mudanças no trânsito; projeto de 9,8 km prevê 12 estações, atendimento a 400 mil passageiros por dia e redução de até 50% no tempo de viagem; implantação acumula mudanças de cronograma desde as primeiras contratações
ADAMO BAZANI
A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) de São Paulo formalizou um contrato com o Consórcio Corredor Radial para a elaboração e implantação de projetos de desvio de trânsito e sinalização viária necessários às obras do BRT Radial Leste, na Zona Leste da capital paulista. A medida, publicada no Diário Oficial desta quinta-feira, 29 de outubro de 2026, está relacionada ao primeiro lote do empreendimento, entre o Terminal Parque Dom Pedro II e a Rua Almirante Brasil, e ocorre em meio à continuidade das intervenções de um corredor cuja primeira entrega chegou a ser prometida para fevereiro deste ano.
O BRT Radial Leste é um dos principais projetos de transporte coletivo previstos para a ligação entre o Centro e a Zona Leste. A primeira fase contempla aproximadamente 9,8 quilômetros, 12 estações e capacidade projetada para atender cerca de 400 mil passageiros diariamente, com promessa de reduzir em até 50% o tempo de viagem. Apesar das previsões anteriores, a Prefeitura de São Paulo ainda executa as obras e contratou, em julho de 2026, dois novos lotes de construção, com prazo de 18 meses contado a partir de 31 de julho. A segunda fase, entre a Penha e Itaquera, também teve o prazo de elaboração dos projetos técnicos estendido até junho de 2027.
O novo instrumento foi formalizado em 28 de outubro de 2026 e envolve o Consórcio Corredor Radial, inscrito no CNPJ 53.144.743/0001-00, formado pelas empresas FBS Construção Civil e Pavimentação, Construtora Augusto Velloso e Zetta Infraestrutura.
A contratação estabelece a participação da CET na elaboração e assessoria técnica de Projetos de Desvio de Tráfego, conhecidos pela sigla PDDT, além de projetos de sinalização viária relacionados à execução das obras.
Também estão previstos estudos, relatórios e a produção de materiais informativos, incluindo a arte-final de folhetos destinados à orientação sobre as intervenções.
Os serviços estão vinculados ao primeiro lote do BRT, que se estende do Terminal Parque Dom Pedro II até a Rua Almirante Brasil. Nesse segmento, as intervenções ocorrem em uma área de intensa circulação de ônibus, automóveis, motocicletas e veículos comerciais, exigindo medidas para organizar o trânsito durante a implantação da infraestrutura.
Obras exigem desvios e reorganização do trânsito na Radial Leste
A necessidade de projetos específicos de circulação está relacionada às características da Avenida Alcântara Machado, principal eixo utilizado na implantação do corredor.
A Radial Leste concentra deslocamentos entre bairros da Zona Leste e a região central de São Paulo, funcionando como uma das principais ligações viárias da cidade.
A construção de um BRT nesse ambiente exige intervenções no pavimento, na geometria da via, nos cruzamentos, nos canteiros centrais e nos espaços destinados às futuras estações.
Para executar esses serviços, diferentes trechos precisam passar por mudanças temporárias na circulação. Os projetos de desvio definem as condições de funcionamento das pistas enquanto as frentes de obras ocupam parte da avenida.
Também podem envolver alterações de faixas, mudanças de sinalização, orientações aos motoristas, ajustes semafóricos e medidas para preservar a circulação do transporte coletivo.
Em julho e agosto de 2026, como acompanhou o Diário do Transporte, a CET implantou interdições parciais na Avenida Alcântara Machado para permitir a continuidade das obras.
Uma das intervenções começou em 27 de julho, no segmento entre a Rua Almirante Brasil e a Rua Doutor Fomm.
A formalização agora publicada integra essa estrutura de acompanhamento técnico das obras e da circulação viária durante a construção.
O desafio é executar um corredor de alta capacidade em uma avenida que continua recebendo diariamente grande volume de veículos e passageiros.
Como será o BRT Radial Leste: estações, faixas exclusivas, pavimento e integração
O projeto prevê um sistema de ônibus de maior capacidade e velocidade operacional, com infraestrutura própria e características diferentes das faixas exclusivas convencionais.
Na primeira fase, o corredor deverá ligar o Terminal Parque Dom Pedro II à região da Penha, passando por aproximadamente 9,8 quilômetros da Radial Leste.
Estão previstas 12 estações de embarque e desembarque, com estrutura para proporcionar mais rapidez e acessibilidade aos passageiros.
O BRT terá faixas exclusivas junto ao canteiro central, pavimento rígido de concreto dimensionado para a circulação de ônibus pesados, possibilidade de ultrapassagem nas estações e plataformas de embarque em nível.
Outro elemento importante é a cobrança antecipada da tarifa, realizada antes da entrada do passageiro nos ônibus. Essa característica permite reduzir o tempo de parada dos veículos nas estações.
A previsão também inclui intervenções de drenagem, acessibilidade, sinalização, ciclovia, videomonitoramento, equipamentos de controle operacional, sistemas inteligentes de transporte e reorganização de cruzamentos.
O planejamento contempla conexões com a rede metroferroviária, incluindo as regiões das estações Belém, Tatuapé e Carrão, por meio de passarelas e estruturas de acesso.
Também está prevista uma ciclopassarela junto ao Viaduto Pires do Rio.
A demanda estimada pela administração municipal é de aproximadamente 400 mil passageiros por dia.
A redução de até 50% no tempo de viagem é uma projeção do projeto, associada à prioridade de circulação, ao tratamento das paradas e à organização operacional do sistema.
A implantação da infraestrutura também deverá permitir maior regularidade dos ônibus, reduzindo a exposição dos coletivos aos congestionamentos que atualmente afetam a ligação entre o Centro e a Zona Leste.
Primeira fase foi dividida em três lotes de obras
A implantação do BRT Radial Leste I foi organizada em três lotes de construção.
O primeiro contempla o segmento entre o Terminal Parque Dom Pedro II e a Rua Almirante Brasil, com aproximadamente 2,8 quilômetros.
O segundo compreende a ligação entre a Rua Almirante Brasil e a Rua Armando Gardenghi, com aproximadamente 3,1 quilômetros.
O terceiro segue da Rua Armando Gardenghi até a região da Rua Professor Miguel Russiano, nas proximidades da Estação Penha, com aproximadamente 3,84 quilômetros.
Essa divisão permite a contratação e a execução de diferentes frentes de trabalho, embora o funcionamento do BRT dependa da integração entre os segmentos e da implantação dos sistemas necessários à operação.
O lote 1 foi contratado em agosto de 2024 com o Consórcio Corredor Radial, pelo valor inicial de R$ 108.876.607,23.
Naquele momento, a administração municipal estabeleceu prazo de execução de 18 meses, entre 22 de agosto de 2024 e 21 de fevereiro de 2026.
A data de fevereiro de 2026 passou a ser uma das referências públicas para a conclusão da primeira etapa de construção.
Em janeiro de 2025, durante o anúncio de novas intervenções na Avenida Alcântara Machado, a Prefeitura voltou a apresentar fevereiro de 2026 como previsão de entrega.
No entanto, ao longo de 2026, a implantação continuou exigindo novas intervenções viárias e medidas administrativas.
Contratos dos lotes 2 e 3 receberam ordens de início em 2026 e somam R$ 302,9 milhões em valores atualizados
Em 31 de julho de 2026, a Prefeitura formalizou os contratos e os aditamentos dos lotes 2 e 3 do BRT Radial Leste I.
O lote 2 foi contratado com o Consórcio BRT Radial Leste I, formado pelas empresas Tríade Pavimentação e Construções S.A., ERA Técnica Engenharia, Construções e Serviços Ltda. e Almeida Sapata Engenharia e Construções Ltda.
O valor inicial foi de R$ 141.725.840,08, posteriormente atualizado para R$ 155.900.603,04.
O lote 3 ficou sob responsabilidade do Consórcio SEA – Radial Leste I, integrado pelas empresas Souza Compec Engenharia e Construções Ltda., Arvek Técnica e Construções Ltda. e Construtora Etama Ltda.
Nesse caso, o contrato passou de R$ 135.393.333,05 para R$ 147.037.918,49, após atualização financeira de 8,60%.
Somados, os contratos atualizados dos lotes 2 e 3 representam R$ 302.938.521,53.
As ordens de início estabeleceram prazo de 18 meses para os dois lotes, contado a partir de 31 de julho de 2026. Dessa forma, o prazo contratual aponta para o início de 2028.
Esses valores se referem especificamente aos lotes 2 e 3 da primeira fase, enquanto o lote 1 possui contratação própria.
A diferença entre os prazos evidencia como o empreendimento passou por diferentes etapas de contratação e execução, apesar de a entrega inicial do primeiro lote ter sido anunciada para fevereiro de 2026.
Governo federal formalizou financiamento de R$ 386 milhões
Outro marco acompanhado pelo Diário do Transporte ocorreu em 6 de julho de 2026, quando foi publicado o extrato referente ao financiamento federal de R$ 386 milhões para implantação da primeira fase do BRT Radial Leste.
A operação envolve recursos contratados por meio da Caixa Econômica Federal e destinados ao empreendimento.
O financiamento integra a estrutura financeira necessária para executar as intervenções previstas ao longo do corredor.
Em 28 de outubro, o Diário do Transporte também mostrou que a Prefeitura reservou R$ 1 milhão para juros e encargos relacionados ao financiamento do BRT Radial Leste.
A medida financeira foi divulgada em meio a novas licitações e movimentações referentes a outros corredores da Zona Leste, como Celso Garcia e Itaquera–Líder.
A execução do BRT reúne, portanto, diferentes despesas: obras civis, projetos, fiscalização, sinalização, sistemas operacionais e encargos associados ao financiamento.
Segunda fase até Itaquera teve prazo dos projetos prorrogado para junho de 2027
O BRT Radial Leste está planejado para ir além da Penha e alcançar a região de Corinthians-Itaquera.
Essa continuidade corresponde ao BRT Radial Leste II, cujos estudos e projetos técnicos são acompanhados pela Secretaria Municipal de Infraestrutura Urbana e Obras e pela São Paulo Obras (SPObras).
Em agosto de 2026, a Prefeitura corrigiu o prazo dos serviços de consolidação do estudo funcional e elaboração dos projetos básico e executivo, estabelecendo a data de 30 de junho de 2027.
A mudança foi posteriormente formalizada por aditamento assinado em 28 de setembro e divulgado em outubro.
A contratação original dos serviços técnicos, firmada em setembro de 2024, tinha valor de R$ 29,55 milhões e prazo inicialmente previsto de nove meses.
A ampliação do prazo até junho de 2027 demonstra que a segunda etapa continua em preparação técnica enquanto os serviços de construção da primeira seguem em execução.
O planejamento municipal também prevê integração com outros eixos de transporte da Zona Leste, especialmente o BRT Aricanduva.
A proposta é formar uma rede estruturada de corredores, permitindo deslocamentos entre bairros e conexões com o metrô e outros serviços de ônibus.
Histórico: dos primeiros estudos em 2018 à promessa de entrega em 2026
O BRT Radial Leste faz parte de um planejamento que atravessa diferentes administrações municipais.
Em 2018, houve chamamento para estudos relacionados à implantação de um sistema de ônibus de alta capacidade na Radial Leste.
Em dezembro de 2022, a SPObras lançou a licitação para execução das obras da primeira fase.
Em julho de 2023, foi publicada a licitação dos estudos e projetos da segunda etapa.
Durante 2024, ocorreram contratações relacionadas à implantação do primeiro lote e ao desenvolvimento técnico da continuidade até Itaquera.
Em agosto daquele ano, a administração municipal formalizou o contrato de R$ 108,8 milhões do primeiro lote e estabeleceu prazo de execução até fevereiro de 2026.
Em janeiro de 2025, ao divulgar novas intervenções na avenida, a Prefeitura reiterou a expectativa de entrega naquele prazo.
Já em 2026, o empreendimento registrou novas contratações, liberações financeiras, ordens de início, prorrogações de serviços técnicos e mudanças na circulação de veículos.
O Programa de Metas 2025–2028 da Prefeitura prevê colocar a primeira fase em operação e iniciar as obras da segunda etapa até o fim do período.
Em 23 de outubro de 2026, uma reunião do Conselho Municipal de Trânsito e Transporte (CMTT), com participação prevista da SPObras e da SPTrans, colocou na pauta o andamento das obras, os impactos ambientais, as intervenções urbanas e a integração do BRT com outros transportes.
A formalização do contrato da CET, nesta quinta-feira, acrescenta uma nova etapa de organização técnica ao empreendimento.
Para a população que depende do transporte coletivo na Zona Leste, a principal expectativa permanece associada à entrega de um sistema que proporcione viagens mais rápidas, acessíveis e regulares.
A comparação entre as promessas anteriores, os prazos atuais e a execução dos contratos mostra que o desafio envolve não apenas construir as estações e as pistas exclusivas, mas também concluir a infraestrutura e preparar todos os sistemas necessários para o BRT funcionar de maneira integrada.
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes


