BRT Metropolitano da Grande Belém completa um ano com 40 ônibus elétricos Eletra e se torna referência para novos projetos no Brasil
Publicado em: 29 de outubro de 2026
Sistema reúne 265 ônibus e integração entre municípios do Pará; durante a COP30, o Diário do Transporte conheceu a operação e entrevistou representantes da Eletra e autoridades brasileiras e japonesas, que destacaram o potencial do modelo para novos investimentos em mobilidade
ADAMO BAZANI
O BRT Metropolitano da Grande Belém, no Pará, completa um ano de inauguração neste sábado, 31 de outubro de 2026, com uma frota de 265 ônibus, dos quais 40 são elétricos fabricados pela brasileira Eletra, e uma estrutura de integração que ampliou as possibilidades de deslocamento entre municípios da região. Inaugurado em 31 de outubro de 2025 e colocado em operação assistida a partir de novembro daquele ano, o sistema reúne corredores, terminais, estações e intervenções na BR-316. O empreendimento ganhou projeção internacional durante a COP30 e passou a ser apontado como referência para o financiamento e a implantação de outros projetos de transporte metropolitano no Brasil.
Durante a conferência climática, realizada em Belém em novembro de 2025, o Diário do Transporte conheceu o sistema, visitou o Terminal de Marituba e entrevistou autoridades e representantes da Eletra, que teve participação no fornecimento dos veículos e no apoio técnico à implantação da eletromobilidade. Na ocasião, o ministro das Cidades, Jader Filho, defendeu a multiplicação de experiências semelhantes em outras regiões brasileiras, enquanto o embaixador do Japão no Brasil, Teiji Hayashi, conheceu os ônibus elétricos e a infraestrutura do corredor. O projeto paraense recebeu financiamento da agência japonesa JICA e investimentos federais para a renovação da frota.
A operação é realizada pela BRT Amazônia, com 40 ônibus elétricos Eletra destinados às linhas troncais e 225 veículos novos a diesel Euro 6 utilizados nas linhas alimentadoras, responsáveis pelas conexões entre bairros, municípios e terminais de integração.
A estrutura reúne 13 estações, dois terminais de integração, 12 passarelas e quatro passagens inferiores. O projeto também incluiu intervenções de pavimentação, drenagem, iluminação, calçadas, ciclovias e melhorias de circulação na BR-316, um dos principais acessos à capital paraense.
Eletra participou da implantação da eletromobilidade e levou experiência de corredores metropolitanos
A participação da Eletra no BRT Metropolitano da Grande Belém envolveu o fornecimento dos 40 ônibus elétricos e o apoio técnico ao processo de implantação da tecnologia no sistema.
A fabricante brasileira possui experiência em projetos de transporte coletivo de média e alta capacidade, com atuação associada à trajetória do Grupo ABC, que opera serviços metropolitanos, incluindo o Corredor ABD, na Região Metropolitana de São Paulo.
Durante a COP30, a diretora-presidente da Eletra Industrial, Milena Romano, explicou ao Diário do Transporte que a experiência da companhia contribuiu para o desenvolvimento das soluções aplicadas no projeto paraense.
“Por ter origem em um grupo operador de transportes de 115 anos, com forte atuação em corredores metropolitanos, inclusive no Corredor ABD, que foi ‘case’ também na COP30, a Eletra tem todo o conhecimento, não apenas dos veículos, mas técnico de implantação e como melhor operar os BRTs elétricos Brasil afora”, afirmou Milena Romano.
A utilização de ônibus elétricos nos serviços troncais permite concentrar a tecnologia de emissão zero pelo escapamento nas ligações de maior demanda, enquanto as linhas alimentadoras ampliam o alcance territorial da rede.
A tração elétrica também proporciona redução de ruídos e vibrações, características que contribuem para o conforto dos passageiros e para a diminuição dos impactos ambientais associados à circulação dos coletivos.
Milena Romano destacou ainda a importância da fabricação nacional, tanto pelo desenvolvimento tecnológico quanto pela geração de empregos e renda no Brasil.
Durante a COP30, parte dos veículos elétricos também foi utilizada no transporte de participantes credenciados da conferência, antes de sua incorporação aos serviços regulares.
Ministro das Cidades defendeu que modelo de Belém seja multiplicado pelo Brasil
A implantação do BRT Metropolitano paraense também ganhou destaque nas discussões sobre financiamento e planejamento da mobilidade urbana brasileira.
Em entrevista exclusiva ao Diário do Transporte, concedida em 14 de novembro de 2025, o ministro das Cidades, Jader Filho, afirmou que a experiência deveria servir de referência para outros projetos.
“Queremos que esse exemplo de Belém possa se multiplicar pelo Brasil”, declarou.
Na ocasião, o ministro destacou a importância de investimentos em sistemas metropolitanos capazes de integrar diferentes municípios e oferecer alternativas de transporte coletivo para quem precisa se deslocar diariamente em busca de trabalho, educação, saúde e outros serviços.
Jader Filho também relacionou a experiência paraense aos programas federais de financiamento de infraestrutura e renovação de frotas.
Segundo os dados apresentados pelo ministro durante a conferência, o Governo Federal havia destinado aproximadamente R$ 45 bilhões do Novo PAC a projetos de mobilidade, envolvendo BRTs, VLTs e metrôs, além de R$ 10,5 bilhões para renovação de veículos.
O ministro também mencionou a aprovação de mais R$ 8 bilhões para mobilidade pelo Conselho Curador do FGTS.
A experiência de Belém foi destacada por reunir intervenções viárias, aquisição de veículos, regulamentação dos serviços, integração tarifária e participação do governo estadual na organização do transporte entre municípios.
Financiamento japonês e investimentos de R$ 1,3 bilhão deram dimensão internacional ao projeto
O BRT Metropolitano da Grande Belém recebeu investimentos de aproximadamente R$ 1,3 bilhão, considerando infraestrutura, estudos e aquisição de veículos.
Parte da infraestrutura contou com financiamento da Agência de Cooperação Internacional do Japão, a JICA.
Já a aquisição dos 265 ônibus, incluindo os 40 elétricos Eletra, envolveu aproximadamente R$ 389 milhões, com recursos do programa federal Pró-Transporte e contrapartida estadual.
Durante a COP30, o projeto despertou interesse pela possibilidade de utilização de soluções semelhantes em outras regiões brasileiras.
Em 19 de novembro de 2025, o embaixador do Japão no Brasil, Teiji Hayashi, realizou uma visita técnica ao sistema, conhecendo a estrutura dos terminais, os veículos e as condições de operação.
O diplomata destacou características como o ar-condicionado, a acessibilidade e o embarque em nível nas estações.
A visita ocorreu em um contexto de avaliação de novas oportunidades de cooperação e financiamento de corredores metropolitanos de ônibus no Brasil.
O projeto paraense passou a representar uma experiência de combinação entre recursos internacionais, financiamento federal, investimentos estaduais e tecnologia brasileira para o transporte coletivo.
Integração ampliou alternativas para moradores que enfrentavam viagens caras e demoradas
Além da eletrificação, uma das mudanças proporcionadas pelo BRT Metropolitano foi a organização de uma rede de transporte entre municípios da Grande Belém.
Durante a visita do Diário do Transporte ao Terminal de Marituba, em novembro de 2025, o diretor-geral da Agência de Regulação e Controle dos Serviços Públicos do Estado do Pará, Eduardo de Castro Ribeiro, explicou que moradores de municípios como Santa Isabel do Pará, Santa Bárbara do Pará e Castanhal enfrentavam dificuldades de acesso à capital.
Parte da população dependia de serviços rodoviários convencionais, vans e diferentes meios de transporte, com custos elevados para deslocamentos frequentes.
“Existia uma série de municípios na Região Metropolitana que não tinham um serviço de transporte metropolitano. Eles eram servidos através do transporte rodoviário, ou seja, uma tarifa mais elevada”, afirmou Eduardo Ribeiro.
O dirigente mencionou o caso de estudantes que precisavam chegar à Universidade Federal do Pará e podiam gastar até R$ 38 em deslocamentos, considerando a utilização de diferentes serviços.
Com o BRT, passaram a contar com uma alternativa metropolitana integrada, cuja tarifa informada durante a entrevista era de R$ 4,60.
A implantação também exigiu a estruturação de uma regulamentação específica para a operação metropolitana, com definição das responsabilidades do poder público e da concessionária.
A integração permite que os passageiros utilizem linhas alimentadoras e prossigam viagem nos serviços troncais, conforme as regras tarifárias do sistema.
A expectativa apresentada na implantação era de atendimento potencial de até 3,8 milhões de passageiros mensais com a operação integral da rede.
Novos R$ 150 milhões foram destinados à infraestrutura de recarga e melhorias viárias
Os investimentos no BRT Metropolitano tiveram continuidade após a COP30.
Em fevereiro de 2026, o Governo Federal formalizou a garantia de uma operação de crédito de R$ 150 milhões entre o Governo do Pará e a Caixa Econômica Federal, destinada ao Programa de Mobilidade Urbana e Infraestrutura.
Entre as aplicações previstas estão investimentos na infraestrutura de recarga para ônibus elétricos e intervenções viárias na Região Metropolitana de Belém.
A ampliação da estrutura de carregamento é uma das condições para a consolidação da eletromobilidade em sistemas de transporte coletivo, especialmente nas operações metropolitanas, que envolvem viagens de maior extensão e necessidade de disponibilidade regular dos veículos.
O planejamento da recarga precisa considerar o número de ônibus, a programação das linhas, o tempo de carregamento e a capacidade de fornecimento de energia elétrica.
A aplicação de novos recursos também reforça a importância de associar a compra de ônibus elétricos aos investimentos necessários para sua operação e manutenção ao longo dos anos.
Corredor também trouxe intervenções de segurança para pedestres e ciclistas
O projeto do BRT Metropolitano incluiu obras destinadas à reorganização da circulação na BR-316.
A rodovia concentra tráfego intenso de ônibus, veículos particulares, motocicletas e caminhões, além de deslocamentos de pedestres e ciclistas.
As intervenções envolveram passarelas, passagens inferiores, calçadas, ciclovias, iluminação, drenagem e pavimentação.
Durante a cobertura realizada na COP30, o diretor-geral da Arcon, Eduardo Ribeiro, destacou a importância dessas mudanças para reduzir conflitos entre pedestres e veículos.
No balanço de aniversário divulgado pelo Governo do Pará nesta quinta-feira, 29 de outubro de 2026, passageiros também relataram alterações nas condições de deslocamento.
A assistente administrativa Ana Cláudia Rodrigues destacou a segurança proporcionada pelas passarelas.
“Antes, tínhamos que correr atravessando a pista na frente dos carros, agora atravesso com segurança”, relatou.
O ciclista Giovane Santiago chamou atenção para as estruturas destinadas às bicicletas.
“Melhorou a segurança para nós ciclistas, é importante, só de pensar no ciclismo foi muito bom”, afirmou.
O empreendimento inclui ainda um Centro de Controle Operacional, na Avenida Augusto Montenegro, em Belém, destinado ao acompanhamento da circulação dos veículos, das estações e dos terminais.
O edifício utiliza sistemas digitais e câmeras de monitoramento, além de soluções ambientais, como painéis solares, aproveitamento de iluminação natural e reutilização da água da chuva.
Em fevereiro de 2026, o centro recebeu a certificação ambiental LEED Gold, relacionada a critérios de eficiência e sustentabilidade na construção e operação de edificações.
Um ano depois, experiência de Belém reúne tecnologia nacional, integração e planejamento metropolitano
O primeiro ano do BRT Metropolitano da Grande Belém marca a implantação de uma rede que combina veículos elétricos e diesel de tecnologia Euro 6, corredores, terminais de integração e regulamentação estadual dos serviços.
A participação da Eletra representa a aplicação de tecnologia brasileira de tração elétrica em um sistema metropolitano estruturado, com ônibus destinados às ligações de maior demanda.
A experiência também reforça a importância de considerar a eletromobilidade como parte de um projeto mais amplo de transporte público, que envolve planejamento de linhas, infraestrutura de recarga, organização tarifária, manutenção e operação.
Para os passageiros, a proposta está relacionada à ampliação das alternativas de deslocamento, à integração entre municípios e à melhoria das condições de acesso aos serviços públicos e ao mercado de trabalho.
Para o setor de transportes, o projeto da Grande Belém reúne elementos que podem orientar investimentos em outras regiões brasileiras, especialmente pela combinação de financiamento, infraestrutura e participação da indústria nacional.
A experiência apresentada durante a COP30 e o interesse manifestado por autoridades brasileiras e japonesas ampliaram a visibilidade do sistema e da tecnologia desenvolvida pela Eletra.
Um ano após a inauguração, o BRT Metropolitano paraense permanece como uma referência para a discussão sobre expansão de corredores de ônibus, integração entre municípios e eletrificação do transporte coletivo no Brasil.
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes
Cobertura especial do Diário do Transporte para rever vídeos e entrevistas da COP30:
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Financiamento de R$ 150 milhões para infraestrutura de recarga
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes


