SPTrans formaliza R$ 30,24 milhões em contratos de manutenção dos ônibus da antiga Transwolff

Foto: Guilherme Estevan/Ônibus Brasil

Razi Motors e Oficina do Nene integram contratação de R$ 53,88 milhões já autorizada; serviços sustentam a operação dos lotes D10 e D11 enquanto nova concessão não é concluída

ADAMO BAZANI

A SPTrans publicou dois contratos que somam R$ 30,24 milhões para manutenção dos ônibus utilizados nas linhas anteriormente concedidas à Transwolff, na zona sul de São Paulo. Os serviços incluem reparos preventivos, corretivos e assistência técnica, com fornecimento de peças novas originais ou genuínas, por 12 meses.

Os contratos com a Razi Motors e a Oficina do Nene integram a licitação de R$ 53,88 milhões cuja autorização foi noticiada pelo Diário do Transporte em 13 de outubro. A formalização atende à estrutura dos lotes D10 e D11, mantida pela SPTrans após a crise da antiga concessionária e a desistência da Sancetur, enquanto segue pendente a escolha de novos operadores por licitação.

Os R$ 30,24 milhões não constituem um acréscimo ao total de R$ 53,88 milhões anteriormente autorizado. São a publicação dos contratos correspondentes a duas das três empresas contempladas naquele resultado.

Dois contratos têm prazo contado a partir de 21 de outubro

Contratada Lotes de manutenção Valor contratado
Razi Motors Centro Técnico de Reparação Automotiva Ltda. 3 e 6 R$ 8.520.000,00
Oficina do Nene Ltda. 4, 7, 8, 9, 11, 12, 13, 14 e 15 R$ 21.720.000,00
Total dos contratos publicados — R$ 30.240.000,00

Ambos foram assinados em 21 de outubro, com duração de 12 meses contados dessa data. O contrato da Razi Motors utiliza setembro de 2026 como referência de preços; o da Oficina do Nene, outubro.

A Razi Motors está inscrita no CNPJ 12.330.997/0001-80. A Oficina do Nene tem CNPJ 26.822.928/0001-45.

Os números dos lotes de manutenção identificam grupos de serviços mecânicos. D10 e D11 são os lotes operacionais que reúnem as linhas atendidas pelos ônibus.

Contratação abrange freios, transmissão e sistemas necessários à circulação

Conforme o resultado anteriormente acompanhado pelo Diário do Transporte, a Razi Motors ficou responsável por serviços em componentes de freio, volante de motor e eixos cardan.

A Oficina do Nene recebeu grupos que incluem sistema pneumático e mecanismos de portas, radiadores, câmbio, eixo traseiro, diferencial, alternadores, motores de partida, tapeçaria e ar-condicionado, entre outros componentes previstos na divisão da disputa.

A autorização global também contemplou a Truck — Center Ferreirense, por R$ 23,64 milhões, para motores, direção, cubos de roda, funilaria e pintura. O lote de eixos dianteiros foi declarado fracassado naquela etapa.

A documentação da contratação prevê possibilidade de encerramento antecipado quando for concluída a nova concessão e celebrados os contratos com os operadores substitutos.

Para o passageiro, a manutenção interfere na disponibilidade e nas condições dos ônibus. A assinatura dos ajustes assegura instrumentos para contratar os serviços, mas os resultados dependem da execução, da fiscalização e do controle sobre os reparos realizados.

Origem na Cooperpam deixou uma estrutura complexa de veículos e proprietários

A Transwolff se consolidou a partir da estrutura da Cooperpam, formada por operadores do transporte coletivo. A passagem para o modelo empresarial preservou a participação de proprietários individuais de ônibus.

Assim, a operação passou a reunir trabalhadores contratados, direção empresarial e frotistas com vínculos distintos. Essa composição ajuda a explicar as dificuldades de reorganizar veículos, fornecedores e responsabilidades após o afastamento da antiga administração.

A intervenção municipal começou em abril de 2024, após a Operação Fim da Linha, que apura suspeitas de lavagem de dinheiro relacionada ao PCC. A empresa nega vínculo institucional com atividades criminosas.

As investigações tiveram novos desdobramentos em 2026, incluindo a apuração de um núcleo de segurança privada e a Operação Vectura Corrupta. São procedimentos criminais distintos das contratações de manutenção publicadas agora.

Desistência da Sancetur manteve a SPTrans à frente das necessidades da operação

A Prefeitura decretou a caducidade dos contratos da Transwolff em dezembro de 2025 e tentou contratar uma substituta emergencial.

A Sancetur assinou contrato em 26 de janeiro de 2026, mas informou dois dias depois que não conseguiria assumir plenamente a operação prevista para fevereiro.

Com a desistência, permaneceram sob responsabilidade municipal as providências para manter os serviços. Além de mecânica e peças, esse conjunto inclui vigilância, conservação das instalações e atendimento às necessidades dos empregados.

Em junho, uma proposta de edital para os D10 e D11 foi encaminhada ao Tribunal de Contas. A administração anunciou reorganização prévia da malha, com transferência de parte das linhas a outras operadoras.

A nova concessão ainda não foi concluída. Até sua efetivação, contratos como os agora formalizados sustentam a manutenção de uma frota cuja circulação não pode aguardar o encerramento das disputas administrativas e judiciais.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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