Câmara de São Paulo terá nova audiência sobre orçamento de 2027 em 28 de outubro, com participação da Mobilidade; ônibus têm R$ 7,35 bilhões previstos em subsídios
Publicado em: 27 de outubro de 2026
Debate será realizado na quarta-feira, das 10h às 12h, e reunirá transportes, meio ambiente e mudanças climáticas; proposta da Prefeitura prevê ainda R$ 2,19 bilhões para eletrificação e gestão e R$ 500 milhões para renovação de ônibus com biometano
ADAMO BAZANI
A Câmara Municipal de São Paulo realizará na próxima quarta-feira, 28 de outubro de 2026, uma nova audiência pública sobre o orçamento municipal de 2027, desta vez reunindo as áreas de mobilidade urbana, meio ambiente e mudanças climáticas. O encontro está marcado para as 10h, no Auditório Prestes Maia, na sede do Legislativo paulistano, e terá participação prevista da Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana e Transporte. Entre os temas relacionados à pasta estão os recursos destinados ao sistema de ônibus, à eletrificação da frota, à renovação de veículos e às medidas para reduzir os impactos ambientais dos deslocamentos na capital.
A discussão ocorre durante a tramitação da proposta orçamentária enviada pelo prefeito Ricardo Nunes, que prevê aproximadamente R$ 13,96 bilhões para a Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana e Transporte. O projeto contempla R$ 7,35 bilhões em compensações tarifárias para os ônibus, considerando também a parcela vinculada à Educação, além de R$ 2,19 bilhões para eletrificação e melhoria da gestão do transporte coletivo e R$ 500 milhões relacionados à renovação com veículos movidos a biometano. Os valores ainda poderão ser modificados pelos vereadores antes da aprovação definitiva do orçamento.
A audiência faz parte do calendário de debates públicos organizado pela Câmara Municipal para discutir as prioridades e a distribuição dos recursos de 2027.
A reunião de 28 de outubro será a quarta audiência temática do calendário e terá como assunto central as mudanças climáticas.
Além da Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana e Transporte, estão previstas as participações da Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente e da Secretaria Executiva de Mudanças Climáticas.
Quando e onde será a audiência pública
| Informação | Detalhes |
|---|---|
| Data | Quarta-feira, 28 de outubro de 2026 |
| Horário | Das 10h às 12h |
| Local | Câmara Municipal de São Paulo |
| Auditório | Prestes Maia, 1º andar |
| Endereço | Viaduto Jacareí, 100 |
| Tema | Mudanças Climáticas |
| Participantes previstos | Mobilidade Urbana e Transporte, Verde e Meio Ambiente e Secretaria Executiva de Mudanças Climáticas |
O calendário integra a discussão da proposta de Lei Orçamentária Anual para 2027, que estabelece a previsão de receitas e a autorização de despesas municipais para o próximo exercício.
As audiências permitem o debate público das prioridades de investimento e das dotações destinadas aos serviços da cidade.
Subsídios aos ônibus podem chegar a R$ 7,35 bilhões em 2027
Como mostrou o Diário do Transporte em 1º de outubro, a proposta orçamentária prevê R$ 7.347.161.964 para compensações tarifárias do sistema municipal de ônibus.
Esse valor está distribuído entre duas secretarias.
| Compensações tarifárias — 2027 | Valor proposto |
|---|---|
| Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana e Transporte | R$ 7.244.158.849 |
| Secretaria Municipal de Educação | R$ 103.003.115 |
| Total previsto | R$ 7.347.161.964 |
Os subsídios ajudam a financiar a diferença entre a arrecadação das tarifas e as despesas reconhecidas do sistema, conforme o modelo de remuneração e as políticas tarifárias municipais.
Também permitem financiar benefícios e gratuidades, dentro das condições estabelecidas pela administração.
A proposta para 2027 representa um aumento de aproximadamente 18% em comparação com os R$ 6,225 bilhões originalmente previstos no orçamento de 2026.
Essa diferença, entretanto, diminui quando são considerados os créditos adicionais publicados ao longo deste mês.
Somente em outubro, dois decretos acrescentaram aproximadamente R$ 665,61 milhões às dotações de compensações tarifárias.
Considerando a dotação inicial de 2026 e esses reforços, o total chega a aproximadamente R$ 6,891 bilhões.
Nessa comparação, o orçamento proposto para 2027 supera o montante em cerca de 6,6%.
O fechamento de 2026 será necessário para estabelecer o valor efetivamente executado durante todo o exercício, incluindo outras alterações orçamentárias que possam ocorrer.
Veja a cobertura:
Eletrificação e biometano estarão entre os temas relacionados às mudanças climáticas
A realização de uma audiência que reúne mobilidade e mudanças climáticas ocorre em um momento de transformação tecnológica do transporte coletivo paulistano.
A Prefeitura estabeleceu políticas para a redução das emissões dos ônibus, incluindo a substituição gradual dos veículos movidos exclusivamente a diesel.
A eletrificação exige investimentos que vão além da compra dos ônibus.
É necessário disponibilizar infraestrutura de recarga nas garagens, garantir fornecimento de energia elétrica, adaptar instalações e preparar as equipes responsáveis pela manutenção e operação.
Também precisam ser considerados os custos associados aos veículos, às baterias, aos equipamentos e à infraestrutura elétrica.
A proposta de orçamento de 2027 prevê aproximadamente R$ 2,19 bilhões para eletrificação da frota e melhoria da gestão do transporte coletivo.
A classificação orçamentária reúne essas duas finalidades e não permite considerar automaticamente todo o montante como destinado exclusivamente à compra de ônibus elétricos.
Outro destaque é a previsão de R$ 500 milhões relacionada à renovação com veículos movidos a biometano.
O combustível pode ser produzido a partir do tratamento de resíduos orgânicos, como os provenientes de aterros sanitários e outras atividades capazes de gerar biogás.
Sua utilização no transporte coletivo depende de aspectos como disponibilidade de combustível, infraestrutura de abastecimento, características dos veículos e condições econômicas de operação.
A inclusão desses recursos na proposta orçamentária permite que os vereadores discutam a viabilidade e o cronograma das medidas, bem como seus efeitos ambientais e financeiros.
Câmara já discutiu orçamento dos transportes em 14 de outubro
A audiência de 28 de outubro será mais uma oportunidade para tratar do orçamento relacionado à mobilidade.
No dia 14, a Câmara Municipal realizou uma audiência específica sobre os recursos previstos para o setor de transportes em 2027.
Na ocasião, a programação contemplava a participação da Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana e Transporte, da SPTrans, da Companhia de Engenharia de Tráfego e de outras áreas da administração.
Como mostrou o Diário do Transporte, a proposta reúne despesas relacionadas à operação do transporte coletivo, políticas tarifárias, renovação da frota, infraestrutura e administração dos serviços.
A discussão sobre os subsídios também envolve o crescimento da participação de recursos públicos no financiamento do sistema municipal de ônibus.
O aumento das dotações torna ainda mais importante avaliar os resultados oferecidos à população.
Para os passageiros, a ampliação dos recursos precisa ser acompanhada por indicadores relacionados à regularidade das viagens, ao tempo de espera, à acessibilidade, à conservação dos veículos e à qualidade do atendimento.
No campo ambiental, os resultados dependem também da efetiva entrada em operação de veículos menos poluentes e das condições necessárias para sua utilização.
Veja a reportagem:
Orçamento ainda depende de votação
O projeto da Lei Orçamentária Anual para 2027 continua em discussão no Legislativo municipal.
As audiências públicas integram essa etapa de análise e permitem que representantes da administração, vereadores, entidades e cidadãos debatam os valores propostos e as prioridades de aplicação dos recursos.
Depois dessa fase, o orçamento ainda deverá passar pelas etapas de deliberação previstas na Câmara.
A votação definirá as dotações autorizadas para o próximo ano, que posteriormente poderão sofrer alterações nos limites permitidos pela legislação.
A audiência de 28 de outubro será particularmente relevante para examinar a relação entre os investimentos em mobilidade, a melhoria dos serviços de ônibus e as metas ambientais da capital.
O desafio será conciliar o financiamento da operação cotidiana com a necessidade de renovar a frota, ampliar a eficiência do sistema e reduzir as emissões de poluentes, mantendo condições adequadas de atendimento aos passageiros.
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes


