Eletromobilidade

BRT-ABC: Alesp pauta proposta de deputada para depoimento de presidente da Next e de secretário de Tarcísio sobre atrasos e futuro de contrato que também reúne ônibus e trólebus

Requerimento será apreciado nesta terça-feira, 27 de outubro; concessionária aponta interferências de redes, licenciamento e mudanças de projeto, enquanto eventual rompimento exige preservar os serviços existentes e organizar a continuidade das obras

ADAMO BAZANI

A Assembleia Legislativa de São Paulo colocou na pauta desta terça-feira, 27 de outubro de 2026, o pedido para ouvir o secretário de Parcerias em Investimentos, Rafael Benini, e a diretora-presidente da Next Mobilidade, Milena Braga Romano, sobre os atrasos do BRT-ABC e as medidas previstas em caso de rompimento da concessão. A discussão envolve a ABC Sistema de Transporte SPE S.A., razão social da Next, responsável por um contrato que reúne o novo corredor, o Corredor Metropolitano ABD e linhas intermunicipais já utilizadas pelos passageiros.

A Next sustenta que a avaliação dos atrasos precisa considerar intervenções em redes de serviços públicos, licenciamento ambiental, desapropriações e alterações de engenharia. A empresa afirma ter aproximadamente dez quilômetros preparados para uma operação inicial, nove estações e 20 ônibus elétricos disponíveis. Uma eventual extinção contratual exigiria definir quem concluiria as obras, como seriam aproveitados os investimentos e de que maneira os ônibus e trólebus existentes continuariam atendendo à população durante a transição.

O requerimento da deputada Ana Carolina Serra será apreciado pela Comissão de Assuntos Metropolitanos e Municipais, com reunião marcada para as 15h30, no Plenário Tiradentes. A proposta busca explicações sobre as causas dos atrasos e as providências que o Estado adotaria caso decidisse encerrar a concessão.

A tramitação ocorre depois de a Artesp abrir, em outubro, processo administrativo de caducidade, modalidade de extinção da concessão por descumprimento contratual. A análise envolve a defesa da empresa e posterior encaminhamento à Secretaria de Parcerias em Investimentos.

Next pede avaliação das causas dos atrasos e das responsabilidades de cada envolvido

Em manifestações acompanhadas pelo Diário do Transporte, a Next afirma que as obras continuam e que a conclusão do empreendimento permanece como prioridade. A concessionária defende a análise individual dos acontecimentos que afetaram o cronograma, incluindo a atuação de órgãos públicos e empresas responsáveis por interferências no traçado.

A empresa argumenta que assumir riscos contratuais exige considerar sua natureza e seus limites, especialmente diante de acontecimentos extraordinários e de mudanças posteriores à contratação.

Entre os obstáculos relatados estão remanejamentos de redes da Enel, passagem por áreas ferroviárias, dutos, drenagem e liberação de terrenos. Em documento divulgado em outubro, a Next apresentou os seguintes exemplos:

Intervenção Prazo descrito pela Next
Rua Abrahão Braga Serviço concluído com 455 dias
Praça dos Andarilhos Serviço concluído com 428 dias
Rua do Grito Serviço concluído com 421 dias
Região das transmissões do Delamare Serviço concluído com 304 dias

Os números expressam os prazos apresentados pela concessionária para essas intervenções. Como diferentes frentes podem ocorrer simultaneamente, sua soma não corresponde ao atraso total do corredor.

A Enel, em posicionamento anterior registrado pela cobertura, afirmou manter reuniões com os responsáveis pelo empreendimento e executar os trabalhos conforme as prioridades estabelecidas.

Outro ponto da argumentação da Next é o licenciamento. Segundo a cronologia apresentada pela empresa, os procedimentos ambientais começaram em 2021, e a autorização de instalação da segunda fase foi emitida em 31 de janeiro de 2024. A concessionária relaciona esse intervalo à possibilidade de executar a parte mais complexa do projeto.

Também cita a ampliação do Terminal São Bernardo, de aproximadamente cinco mil para 11 mil metros quadrados, após discussões sobre a circulação dos ônibus no entorno. Para a empresa, mudanças dessa dimensão exigiram revisão de soluções e do planejamento dos trabalhos.

A avaliação dessas justificativas deve relacionar cada ocorrência às atividades que dependiam dela, aos compromissos assumidos e às providências exigidas de cada responsável.

Empresa propõe utilizar o trecho preparado enquanto prossegue a implantação

A Next informou ter solicitado autorização para uma operação assistida, experimental e gratuita entre a Parada Metrópole e a Vila Império.

Segundo a concessionária, o segmento possui licença de operação da Cetesb, infraestrutura para atendimento inicial e 20 ônibus elétricos articulados. A garagem de São Bernardo do Campo recebeu estrutura com capacidade de recarga de até 14 veículos simultaneamente.

Em proposta anteriormente apresentada, o serviço funcionaria inicialmente das 9h às 15h. A continuidade até Tamanduateí seria feita por transbordo em outro ônibus da Next, passando por Sacomã, sem cobrança de segunda tarifa.

A entrada em funcionamento depende das autorizações operacionais e das condições estabelecidas para o atendimento.

Preparação informada pela Next Característica
Trecho inicial Metrópole–Vila Império
Extensão aproximada 10 quilômetros
Estações Nove
Frota disponibilizada 20 ônibus elétricos articulados a bateria
Comprimento dos veículos 21,5 metros
Recarga na garagem Até 14 veículos simultaneamente
Operação solicitada Assistida, experimental e gratuita

Contrato reúne obras novas e serviços que precisam funcionar todos os dias

O arranjo definido em 2021 prorrogou a concessão do Corredor ABD até 2046, vinculando a extensão a investimentos, modernização e implantação do BRT.

O contrato também incorporou linhas metropolitanas da antiga Área 5 da EMTU. Por isso, a discussão sobre a concessão alcança serviços com veículos, garagens, trabalhadores, sistemas de arrecadação e rotinas de manutenção em funcionamento.

Na prática, uma troca de responsável exige uma programação de transição. É necessário identificar os recursos indispensáveis ao atendimento, estabelecer responsabilidades pela operação e manutenção e assegurar que os passageiros encontrem os ônibus nos horários e trajetos previstos.

Nas obras, a transição acrescentaria tarefas como levantamento dos serviços executados, conferência de projetos, avaliação das estruturas, preservação dos canteiros e definição das contratações necessárias à conclusão.

São riscos que precisam ser considerados na decisão: uma desmobilização seguida de nova mobilização pode consumir tempo e recursos, enquanto instalações parcialmente executadas exigem proteção e conservação.

O prolongamento dos atrasos também tem consequências. Mantém adiada a oferta de transporte prevista, estende interferências viárias e pode exigir atualização de custos e contratos. A comparação entre alternativas precisa considerar quanto tempo cada solução levaria para entregar o corredor completo.

Caducidade exige defesa, apuração dos investimentos e planejamento da transição

A Lei Federal de Concessões prevê processo administrativo, comunicação detalhada dos descumprimentos, oportunidade de correção e ampla defesa para a declaração de caducidade.

A eventual indenização depende da apuração dos investimentos vinculados a bens reversíveis e das regras contratuais, com descontos de multas e danos cabíveis. Na caducidade, o pagamento prévio não é condição para a extinção.

Questão jurídica Consequência para a decisão
Responsabilidade pelos atrasos Exige confrontar obrigações, provas e efeitos de cada ocorrência
Direito de defesa Integra o procedimento anterior à decisão
Investimentos e bens reversíveis Precisam ser identificados e avaliados
Multas e danos Podem integrar os descontos na indenização cabível
Continuidade do transporte Exige organização da assunção do serviço pelo poder concedente

Divergências sobre responsabilidade, investimentos e validade da decisão podem chegar à Justiça. Esse risco recomenda uma instrução técnica consistente e uma solução operacional preparada para o período de transição.

A posição da Artesp é de que o prazo contratual de conclusão, em 30 de novembro de 2024, foi descumprido. A agência também considerou que o empreendimento não teria condições de ser integralmente entregue até 31 de outubro de 2026, data prevista no plano de ação da concessionária.

A Next contesta uma avaliação concentrada nas datas e pede consideração das circunstâncias de implantação. É essa divergência, com seus efeitos sobre os passageiros e sobre as obras, que o requerimento parlamentar pretende discutir.

BRT prevê ligação do ABC com Tamanduateí e Sacomã

O projeto foi estruturado para conectar São Bernardo do Campo, Santo André e São Caetano do Sul à capital, com integração aos trilhos e ao Expresso Tiradentes.

Característica Previsão do projeto
Extensão de referência divulgada pela EMTU 17,3 quilômetros
Municípios do traçado São Bernardo do Campo, Santo André, São Caetano do Sul e São Paulo
Paradas 16
Terminais São Bernardo, Tamanduateí e Sacomã
Demanda inicial estimada 173 mil passageiros por dia
Frota prevista 92 ônibus elétricos
Configuração divulgada pela concessionária 20 a bateria e 72 E-Trol
Tecnologia E-Trol Combinação de alimentação por rede aérea e baterias
Embarque Em nível, com pagamento nas estações
Serviços previstos Parador, semiexpresso e expresso
Integração em Tamanduateí Linhas 2-Verde e 10-Turquesa
Integração em Sacomã Linha 2-Verde e Expresso Tiradentes

A infraestrutura prevista inclui estações fechadas, climatização, informação ao passageiro e controle da operação. A expectativa divulgada pela EMTU em janeiro de 2025 era de aproximadamente 40 minutos para o serviço expresso.

O BRT substituiu a proposta da Linha 18-Bronze de monotrilho. Desde então, o empreendimento passou por mudanças de projeto e sucessivas reprogramações.

Em 23 de outubro, a Artesp renovou por um ano o cadastro da ABC Sistema para serviços metropolitanos regulares. A renovação mantém a regularidade cadastral da operadora, enquanto a discussão sobre as obrigações e o futuro da concessão segue em procedimento próprio.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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Comentários

Comentários

  1. Maria do socorro Carvalho disse:

    Isso vai virar pizza

  2. Maria do socorro Carvalho disse:

    Na realidade vão deixar como esta e essa empresa vai ficar mas de 10 anos para concluir e a única coisa que sabem fazer é demitir funcionários sem motivos

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