BRT-ABC: Alesp pauta proposta de deputada para depoimento de presidente da Next e de secretário de Tarcísio sobre atrasos e futuro de contrato que também reúne ônibus e trólebus
Publicado em: 26 de outubro de 2026
Requerimento será apreciado nesta terça-feira, 27 de outubro; concessionária aponta interferências de redes, licenciamento e mudanças de projeto, enquanto eventual rompimento exige preservar os serviços existentes e organizar a continuidade das obras
ADAMO BAZANI
A Assembleia Legislativa de São Paulo colocou na pauta desta terça-feira, 27 de outubro de 2026, o pedido para ouvir o secretário de Parcerias em Investimentos, Rafael Benini, e a diretora-presidente da Next Mobilidade, Milena Braga Romano, sobre os atrasos do BRT-ABC e as medidas previstas em caso de rompimento da concessão. A discussão envolve a ABC Sistema de Transporte SPE S.A., razão social da Next, responsável por um contrato que reúne o novo corredor, o Corredor Metropolitano ABD e linhas intermunicipais já utilizadas pelos passageiros.
A Next sustenta que a avaliação dos atrasos precisa considerar intervenções em redes de serviços públicos, licenciamento ambiental, desapropriações e alterações de engenharia. A empresa afirma ter aproximadamente dez quilômetros preparados para uma operação inicial, nove estações e 20 ônibus elétricos disponíveis. Uma eventual extinção contratual exigiria definir quem concluiria as obras, como seriam aproveitados os investimentos e de que maneira os ônibus e trólebus existentes continuariam atendendo à população durante a transição.
O requerimento da deputada Ana Carolina Serra será apreciado pela Comissão de Assuntos Metropolitanos e Municipais, com reunião marcada para as 15h30, no Plenário Tiradentes. A proposta busca explicações sobre as causas dos atrasos e as providências que o Estado adotaria caso decidisse encerrar a concessão.
A tramitação ocorre depois de a Artesp abrir, em outubro, processo administrativo de caducidade, modalidade de extinção da concessão por descumprimento contratual. A análise envolve a defesa da empresa e posterior encaminhamento à Secretaria de Parcerias em Investimentos.
Next pede avaliação das causas dos atrasos e das responsabilidades de cada envolvido
Em manifestações acompanhadas pelo Diário do Transporte, a Next afirma que as obras continuam e que a conclusão do empreendimento permanece como prioridade. A concessionária defende a análise individual dos acontecimentos que afetaram o cronograma, incluindo a atuação de órgãos públicos e empresas responsáveis por interferências no traçado.
A empresa argumenta que assumir riscos contratuais exige considerar sua natureza e seus limites, especialmente diante de acontecimentos extraordinários e de mudanças posteriores à contratação.
Entre os obstáculos relatados estão remanejamentos de redes da Enel, passagem por áreas ferroviárias, dutos, drenagem e liberação de terrenos. Em documento divulgado em outubro, a Next apresentou os seguintes exemplos:
| Intervenção | Prazo descrito pela Next |
|---|---|
| Rua Abrahão Braga | Serviço concluído com 455 dias |
| Praça dos Andarilhos | Serviço concluído com 428 dias |
| Rua do Grito | Serviço concluído com 421 dias |
| Região das transmissões do Delamare | Serviço concluído com 304 dias |
Os números expressam os prazos apresentados pela concessionária para essas intervenções. Como diferentes frentes podem ocorrer simultaneamente, sua soma não corresponde ao atraso total do corredor.
A Enel, em posicionamento anterior registrado pela cobertura, afirmou manter reuniões com os responsáveis pelo empreendimento e executar os trabalhos conforme as prioridades estabelecidas.
Outro ponto da argumentação da Next é o licenciamento. Segundo a cronologia apresentada pela empresa, os procedimentos ambientais começaram em 2021, e a autorização de instalação da segunda fase foi emitida em 31 de janeiro de 2024. A concessionária relaciona esse intervalo à possibilidade de executar a parte mais complexa do projeto.
Também cita a ampliação do Terminal São Bernardo, de aproximadamente cinco mil para 11 mil metros quadrados, após discussões sobre a circulação dos ônibus no entorno. Para a empresa, mudanças dessa dimensão exigiram revisão de soluções e do planejamento dos trabalhos.
A avaliação dessas justificativas deve relacionar cada ocorrência às atividades que dependiam dela, aos compromissos assumidos e às providências exigidas de cada responsável.
Empresa propõe utilizar o trecho preparado enquanto prossegue a implantação
A Next informou ter solicitado autorização para uma operação assistida, experimental e gratuita entre a Parada Metrópole e a Vila Império.
Segundo a concessionária, o segmento possui licença de operação da Cetesb, infraestrutura para atendimento inicial e 20 ônibus elétricos articulados. A garagem de São Bernardo do Campo recebeu estrutura com capacidade de recarga de até 14 veículos simultaneamente.
Em proposta anteriormente apresentada, o serviço funcionaria inicialmente das 9h às 15h. A continuidade até Tamanduateí seria feita por transbordo em outro ônibus da Next, passando por Sacomã, sem cobrança de segunda tarifa.
A entrada em funcionamento depende das autorizações operacionais e das condições estabelecidas para o atendimento.
| Preparação informada pela Next | Característica |
|---|---|
| Trecho inicial | Metrópole–Vila Império |
| Extensão aproximada | 10 quilômetros |
| Estações | Nove |
| Frota disponibilizada | 20 ônibus elétricos articulados a bateria |
| Comprimento dos veículos | 21,5 metros |
| Recarga na garagem | Até 14 veículos simultaneamente |
| Operação solicitada | Assistida, experimental e gratuita |
Contrato reúne obras novas e serviços que precisam funcionar todos os dias
O arranjo definido em 2021 prorrogou a concessão do Corredor ABD até 2046, vinculando a extensão a investimentos, modernização e implantação do BRT.
O contrato também incorporou linhas metropolitanas da antiga Área 5 da EMTU. Por isso, a discussão sobre a concessão alcança serviços com veículos, garagens, trabalhadores, sistemas de arrecadação e rotinas de manutenção em funcionamento.
Na prática, uma troca de responsável exige uma programação de transição. É necessário identificar os recursos indispensáveis ao atendimento, estabelecer responsabilidades pela operação e manutenção e assegurar que os passageiros encontrem os ônibus nos horários e trajetos previstos.
Nas obras, a transição acrescentaria tarefas como levantamento dos serviços executados, conferência de projetos, avaliação das estruturas, preservação dos canteiros e definição das contratações necessárias à conclusão.
São riscos que precisam ser considerados na decisão: uma desmobilização seguida de nova mobilização pode consumir tempo e recursos, enquanto instalações parcialmente executadas exigem proteção e conservação.
O prolongamento dos atrasos também tem consequências. Mantém adiada a oferta de transporte prevista, estende interferências viárias e pode exigir atualização de custos e contratos. A comparação entre alternativas precisa considerar quanto tempo cada solução levaria para entregar o corredor completo.
Caducidade exige defesa, apuração dos investimentos e planejamento da transição
A Lei Federal de Concessões prevê processo administrativo, comunicação detalhada dos descumprimentos, oportunidade de correção e ampla defesa para a declaração de caducidade.
A eventual indenização depende da apuração dos investimentos vinculados a bens reversíveis e das regras contratuais, com descontos de multas e danos cabíveis. Na caducidade, o pagamento prévio não é condição para a extinção.
| Questão jurídica | Consequência para a decisão |
|---|---|
| Responsabilidade pelos atrasos | Exige confrontar obrigações, provas e efeitos de cada ocorrência |
| Direito de defesa | Integra o procedimento anterior à decisão |
| Investimentos e bens reversíveis | Precisam ser identificados e avaliados |
| Multas e danos | Podem integrar os descontos na indenização cabível |
| Continuidade do transporte | Exige organização da assunção do serviço pelo poder concedente |
Divergências sobre responsabilidade, investimentos e validade da decisão podem chegar à Justiça. Esse risco recomenda uma instrução técnica consistente e uma solução operacional preparada para o período de transição.
A posição da Artesp é de que o prazo contratual de conclusão, em 30 de novembro de 2024, foi descumprido. A agência também considerou que o empreendimento não teria condições de ser integralmente entregue até 31 de outubro de 2026, data prevista no plano de ação da concessionária.
A Next contesta uma avaliação concentrada nas datas e pede consideração das circunstâncias de implantação. É essa divergência, com seus efeitos sobre os passageiros e sobre as obras, que o requerimento parlamentar pretende discutir.
BRT prevê ligação do ABC com Tamanduateí e Sacomã
O projeto foi estruturado para conectar São Bernardo do Campo, Santo André e São Caetano do Sul à capital, com integração aos trilhos e ao Expresso Tiradentes.
| Característica | Previsão do projeto |
|---|---|
| Extensão de referência divulgada pela EMTU | 17,3 quilômetros |
| Municípios do traçado | São Bernardo do Campo, Santo André, São Caetano do Sul e São Paulo |
| Paradas | 16 |
| Terminais | São Bernardo, Tamanduateí e Sacomã |
| Demanda inicial estimada | 173 mil passageiros por dia |
| Frota prevista | 92 ônibus elétricos |
| Configuração divulgada pela concessionária | 20 a bateria e 72 E-Trol |
| Tecnologia E-Trol | Combinação de alimentação por rede aérea e baterias |
| Embarque | Em nível, com pagamento nas estações |
| Serviços previstos | Parador, semiexpresso e expresso |
| Integração em Tamanduateí | Linhas 2-Verde e 10-Turquesa |
| Integração em Sacomã | Linha 2-Verde e Expresso Tiradentes |
A infraestrutura prevista inclui estações fechadas, climatização, informação ao passageiro e controle da operação. A expectativa divulgada pela EMTU em janeiro de 2025 era de aproximadamente 40 minutos para o serviço expresso.
O BRT substituiu a proposta da Linha 18-Bronze de monotrilho. Desde então, o empreendimento passou por mudanças de projeto e sucessivas reprogramações.
Em 23 de outubro, a Artesp renovou por um ano o cadastro da ABC Sistema para serviços metropolitanos regulares. A renovação mantém a regularidade cadastral da operadora, enquanto a discussão sobre as obrigações e o futuro da concessão segue em procedimento próprio.
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes



Isso vai virar pizza
Na realidade vão deixar como esta e essa empresa vai ficar mas de 10 anos para concluir e a única coisa que sabem fazer é demitir funcionários sem motivos