Anel Metropolitano da CPTM chega à pauta da Assembleia; proposta prevê novas ligações ferroviárias entre periferias da Grande São Paulo

Estudos organizam arcos oeste, sul, norte e leste para conectar linhas e municípios sem concentrar as transferências no centro da capital; comissão recebe sugestão para solicitar apresentação completa do projeto

ADAMO BAZANI

A Comissão de Assuntos Metropolitanos e Municipais da Assembleia Legislativa de São Paulo incluiu na pauta desta terça-feira, 27 de outubro de 2026, uma manifestação que sugere solicitar à CPTM a apresentação completa do projeto denominado Anel Metropolitano. A proposta ferroviária reúne novas ligações de contorno da Grande São Paulo para conectar municípios e linhas de transporte, ampliando as alternativas de viagem fora da região central da capital.

O conceito organiza quatro arcos, associados às linhas 24-Quartzo, no oeste; 25-Topázio, no sul; 26-Ametista, no norte; e 14-Ônix, no leste. O interesse para o passageiro está na possibilidade de fazer deslocamentos entre regiões periféricas com caminhos mais diretos e novas integrações. Os números apresentados pelos técnicos correspondem a estudos de planejamento e simulações de uma rede futura.

A manifestação aparece entre os itens para ciência da comissão, cuja reunião está marcada para as 15h30, no Plenário Tiradentes. O pedido propõe uma exposição formal da CPTM sobre o conjunto do empreendimento e sua contribuição à expansão ferroviária.

Como o anel mudaria as possibilidades de viagem

A rede ferroviária paulista cresceu, em grande parte, com linhas que se aproximam do centro de São Paulo. Essa configuração concentra transferências e faz com que determinados deslocamentos entre outras regiões dependam de percursos indiretos.

As linhas perimetrais acrescentam caminhos transversais. Em vez de apenas prolongar ramais em direção às áreas centrais, conectam diferentes eixos ao longo do território metropolitano.

O objetivo é ampliar as escolhas de percurso e distribuir melhor os passageiros pela rede. O benefício de cada ligação dependerá da localização das estações, das integrações e da oferta de serviços.

Também há uma relação direta com os ônibus. As futuras estações precisariam estar conectadas às redes municipais e metropolitanas, com acesso a pé e condições de transferência compatíveis com as necessidades dos moradores.

Quais são os arcos estudados pela CPTM

A apresentação técnica divulgada em 2025 reuniu os seguintes parâmetros para as linhas 24, 25 e 26:

Linha Ligação em estudo Extensão Estações Demanda diária simulada
24-Quartzo — Arco Oeste Santana de Parnaíba–Campo Limpo 34 km 21 840 mil
25-Topázio — Arco Sul Embu das Artes–Santo André 43 km 25 855 mil
26-Ametista — Arco Norte Osasco–zona norte–zona leste de São Paulo 41 km 23 790 mil

Os intervalos considerados nessa apresentação eram de três minutos. Extensões, estações e demandas pertencem ao cenário estudado e podem ser ajustados no desenvolvimento dos projetos.

O trabalho técnico foi apresentado por Thiago dos Santos da Silva, Tomoko Saeki e Orlando Gonçalves Faya Junior, profissionais da área de planejamento da CPTM, na 31ª Semana de Tecnologia Metroferroviária.

Arco Oeste conectaria Santana de Parnaíba, Alphaville e o eixo de Campo Limpo

A Linha 24-Quartzo foi concebida para ligar Santana de Parnaíba à região de Campo Limpo, passando pelo eixo de Alphaville e por municípios da porção oeste metropolitana.

A proposta cria uma ligação transversal com possibilidades de conexão às linhas 8-Diamante, 4-Amarela e 5-Lilás, além de outros projetos de expansão.

Para quem se desloca entre a região de Alphaville, Osasco e a zona sul, o interesse está em acrescentar uma alternativa ferroviária aos trajetos feitos por rodovias, avenidas e combinações de ônibus.

Arco Sul levaria ligação ferroviária a Embu das Artes, Diadema e São Bernardo

A Linha 25-Topázio conecta, no estudo, Embu das Artes a Santo André, passando pela zona sul de São Paulo, Diadema e São Bernardo do Campo.

Esse arco tem especial relevância para o ABC porque acrescenta um eixo ferroviário transversal entre municípios e bairros com forte utilização do transporte rodoviário.

O desenho prevê conexões com as linhas 5-Lilás, 9-Esmeralda e 10-Turquesa, além das futuras linhas 24-Quartzo e 14-Ônix.

A integração com os corredores e terminais de ônibus seria parte importante de sua utilidade. Uma estação pode ampliar o alcance dos trilhos quando a rede de alimentação permite chegar a ela com regularidade e condições adequadas de transferência.

Arco Norte atravessaria regiões hoje atendidas por eixos separados

A Linha 26-Ametista foi estudada para conectar Osasco às zonas norte e leste da capital.

O desenho apresentado inclui passagens por regiões como Pirituba, Tucuruvi e Vila Sabrina, seguindo em direção ao eixo de Gabriel Mistral e Imperador.

A proposta permitiria cruzar linhas que hoje atendem essas regiões separadamente. Para o passageiro, isso poderia ampliar as opções de deslocamento entre o oeste, o norte e o leste sem depender de uma transferência na área central.

Linha 14-Ônix exige compatibilizar o anel com o projeto de VLT

No conceito ferroviário do anel, a Linha 14-Ônix corresponde ao Arco Leste. Entretanto, o projeto conduzido pela Secretaria de Parcerias em Investimentos para o Lote ABC-Guarulhos contempla a linha como VLT, em conjunto com a concessão da Linha 10-Turquesa.

Essa diferença é importante para o funcionamento do conjunto. Uma integração permite que o passageiro troque de linha. Já a circulação do mesmo trem entre dois arcos exige compatibilidade de infraestrutura, veículos e sistemas.

O estudo original do anel adotou o compartilhamento de instalações e equipamentos como uma de suas premissas. Por isso, a definição tecnológica do trecho leste precisa ser considerada na avaliação da operação integrada.

Apresentação completa permitiria discutir traçados, etapas e integração com ônibus

A proposta de solicitar uma exposição da CPTM abre espaço para discutir como os arcos se relacionam com a rede existente, com os demais projetos metroferroviários e com o transporte rodoviário.

Entre os pontos centrais estão a definição dos traçados, a posição das estações, as etapas de implantação e a atualização das estimativas de demanda.

O planejamento também precisa relacionar o custo de construção às despesas permanentes de operação e manutenção. A oferta de trens depende de energia, equipes, oficinas, sistemas e recursos para manter o serviço ao longo dos anos.

O pedido encaminhado à comissão busca dar uma visão do conjunto. Para os passageiros, essa apresentação pode ajudar a compreender quais viagens seriam atendidas por cada arco e como as futuras linhas se conectariam aos serviços já utilizados.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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