Londres usa inteligência artificial para reorganizar ônibus e reduzir tempo de viagem, diz empresa
Publicado em: 19 de outubro de 2026
CitySwift informa redução de 1,5% nas linhas otimizadas em parceria com autoridade de transportes e operadoras; trabalho inclui revisão de horários e simulação de mudanças antes da implantação
ADAMO BAZANI
Passageiros de linhas de ônibus de Londres, na Inglaterra, submetidas a um programa de otimização com inteligência artificial tiveram redução de 1,5% no indicador de tempo de viagem, segundo resultados divulgados pela CitySwift em mesdos de outubro de 2026. A empresa, que trabalha em parceria com a Transport for London (TfL) e as operadoras, calcula que a melhoria equivale a aproximadamente 27 segundos por deslocamento nas linhas atendidas.
Implantado em 2024, o programa utiliza uma plataforma compartilhada para analisar o desempenho dos serviços e simular alterações antes de colocá-las nas ruas. Segundo a CitySwift, mais de 40% da rede londrina já foi revisada, com melhorias em 200 linhas sem custo operacional adicional.
A iniciativa reúne a autoridade responsável pelos transportes e as empresas de ônibus numa mesma base de informações. O universo atendido pela parceria abrange mais de 650 linhas e cerca de cinco milhões de viagens de passageiros por dia.
O resultado de 1,5% foi medido pelo Journey Time Metric, indicador da TfL que combina velocidade e confiabilidade do serviço. Assim, a avaliação considera tanto o deslocamento quanto a regularidade oferecida ao passageiro.
A CitySwift projeta que os benefícios acumulados possam superar 25 milhões de horas economizadas em três anos, com valor econômico estimado em mais de 230 milhões de libras. Trata-se de uma projeção da fornecedora para o período.
Como os dados ajudam a ajustar os horários
O trabalho procura aproximar a programação das condições encontradas pelos ônibus nas ruas. Para isso, as equipes analisam o desempenho das linhas, identificam problemas e comparam cenários de alteração dos tempos de percurso e dos horários.
Um exemplo é a utilização pela Metroline, operadora de Londres que passou a empregar a plataforma diariamente no planejamento. Segundo estudo de caso divulgado pela CitySwift, a empresa utiliza as análises para revisar tempos de viagem, avaliar a quantidade de veículos necessária e preparar programações que reduzam os efeitos de obras e outras interrupções.
O projeto-piloto envolveu linhas das garagens de Harrow Weald e Holloway. A comparação entre a operação existente e os cenários propostos fornece elementos para discutir mudanças com a TfL.
A padronização dos relatórios também permite que gestores públicos e operadores avaliem os mesmos dados, facilitando a análise das propostas.
Linhas da Metroline registraram redução da espera excedente
No estudo de caso, a CitySwift informa que a espera excedente na linha 182 caiu de 1,53 para 1,26 minuto, redução de 17,6%. Na linha 140, passou de 1,26 para 1,10 minuto, queda de 12,7%.
A espera excedente representa o tempo adicional enfrentado pelo passageiro em relação à espera esperada para a frequência programada. Esse indicador ajuda a mostrar o efeito da irregularidade dos intervalos.
A fornecedora também relata melhoria de 31% na pontualidade no ponto final da linha 182 e de 17% na linha 186. Esses resultados correspondem às linhas analisadas no estudo da Metroline.
TfL combina planejamento com prioridade nas ruas
A utilização da plataforma faz parte de um conjunto mais amplo de medidas da TfL para melhorar os ônibus.
No relatório de execução da estratégia de transportes referente a 2024/2025, a autoridade registra a aquisição do sistema CitySwift para adequar os horários às condições da rede. O documento também relaciona intervenções em semáforos, prioridade para ônibus nos cruzamentos e coordenação com administrações locais e concessionárias de serviços públicos para reduzir o impacto das obras.
O diagnóstico da TfL aponta congestionamentos, estacionamento, intervenções viárias, espaço limitado nas ruas, fiscalização insuficiente das faixas de ônibus, problemas mecânicos e horários incompatíveis com a circulação entre os fatores que prejudicaram o serviço naquele período.
Em 2024/2025, o indicador médio de tempo de viagem dos passageiros ficou em 34,3 minutos, aumento de 0,2 minuto sobre o exercício anterior.
A estratégia londrina reúne, portanto, revisão da programação e intervenções na circulação. Para quem utiliza os ônibus, o objetivo é tornar mais previsíveis tanto a chegada do veículo ao ponto quanto a conclusão do deslocamento.
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes


