Eletromobilidade

VÍDEO – Chile: Diário do Transporte mostra Irizar i6 elétrico e caminhão que leva energia para entregar ônibus a clientes distantes

Na sede do Grupo Cabal, em Santiago, reportagem conheceu rodoviário com tecnologia Zhongtong e sistema móvel de recarga que permite levar ônibus rodando até os compradores; visita acompanhou anúncio da representação da fabricante chinesa pela TEVX no Brasil

ADAMO BAZANI

Colaboraram Vinícius de Oliveira e Yuri Sena 



Um ônibus rodoviário Irizar i6 movido inteiramente a eletricidade e um caminhão equipado com bancos de baterias e três carregadores mostram duas faces da eletrificação dos transportes no Chile: o veículo que leva passageiros e a estrutura necessária para fazê-lo chegar ao cliente. O Diário do Transporte conheceu as duas soluções nesta sexta-feira, 2 de outubro de 2026, durante visita à sede do Grupo Cabal, na região de Santiago.

O rodoviário combina carroceria Irizar com chassi elétrico Zhongtong. Já o caminhão funciona como uma reserva móvel de energia para acompanhar comboios de ônibus novos durante a entrega a compradores distantes, permitindo recargas pelo caminho. Assim, os veículos podem seguir rodando até o destino, reduzindo a necessidade de contratar carretas para transportá-los individualmente.

O criador e editor-chefe do Diário do Transporte, Adamo Bazani, esteve pessoalmente no local para acompanhar o anúncio da TEVX como representante da fabricante chinesa Zhongtong no Brasil. A entrada no mercado brasileiro prevê a comercialização de ônibus elétricos e inclui a promessa de instalação de uma planta de montagem no País.

Durante a visita, a reportagem registrou em vídeo o Irizar elétrico, seu interior e o caminhão de apoio às entregas. As soluções foram apresentadas no ambiente de uma empresa que reúne a representação de Zhongtong, Irizar e da brasileira Caio no mercado chileno.

Irizar i6 elétrico reúne carroceria rodoviária e chassi chinês

O ônibus encontrado pela reportagem mantém a proposta de um rodoviário, com salão de poltronas individuais, mas utiliza propulsão elétrica a bateria.

A combinação ajuda a entender como diferentes fabricantes participam de um mesmo veículo. A Irizar responde pela carroceria, enquanto a Zhongtong fornece o chassi elétrico, a base sobre a qual o ônibus é construído e que reúne os sistemas de tração.

O Grupo Cabal participou da introdução dessa configuração no Chile. A apresentação oficial do i6 Electric ocorreu em Casablanca, na Viña Casas del Bosque, em um evento com clientes, parceiros e delegações internacionais. O modelo foi desenvolvido em conjunto por Irizar e Zhongtong, com aplicações voltadas aos segmentos interurbano e de mineração.

Essa utilização merece atenção: um ônibus com carroceria rodoviária também pode atender ao transporte fretado de trabalhadores, além das viagens regulares entre cidades.

Nas conversas com executivos da Cabal e da TEVX durante a visita, o transporte de funcionários de mineradoras foi apontado como uma das aplicações dos ônibus elétricos no Chile. Empresas que já utilizavam rodoviários para esses deslocamentos passaram a incorporar veículos com propulsão elétrica.

A eletrificação, portanto, alcança também o transporte de pessoal, um segmento em que itinerários, horários e locais de parada podem ser definidos de acordo com as necessidades de cada contratante.

Um caminhão leva as baterias e os carregadores até os ônibus



A outra curiosidade registrada pela reportagem responde a uma pergunta prática: como entregar um ônibus elétrico a um cliente distante quando faltam pontos de recarga no caminho?

A solução adotada pelo Grupo Cabal é um caminhão que transporta bancos de baterias e três carregadores. Ele acompanha o deslocamento dos ônibus e fornece energia nas paradas necessárias ao longo da entrega.

O funcionamento lembra uma estação móvel de armazenamento e recarga. Em instalações fixas, sistemas de armazenamento de energia em baterias são conhecidos pela sigla BESS, do inglês Battery Energy Storage System. No caso observado pela reportagem, a reserva de energia e os equipamentos de carregamento são transportados pelo caminhão.

Os ônibus seguem por seus próprios meios. Quando precisam de energia, param para receber a recarga e depois retomam o percurso.

O caminhão utilizado tem motorização a diesel. A propulsão dos ônibus permanece elétrica, enquanto o veículo de apoio transporta a estrutura necessária para abastecer suas baterias durante o deslocamento de entrega.

Apoio atende à entrega aos compradores, com recargas nas paradas

A finalidade apresentada à reportagem é logística: levar os ônibus até os clientes.

O caminhão acompanha o comboio durante esse trajeto, e a conexão dos carregadores aos ônibus ocorre com os veículos parados. Esse procedimento permite vencer trechos em que a infraestrutura disponível ainda não atende às necessidades da viagem de entrega.

A vantagem está na possibilidade de compartilhar o apoio entre vários ônibus. Em vez de contratar transporte em plataformas para cada unidade, a empresa organiza um comboio com motoristas e um caminhão que leva a energia necessária às recargas.

No vídeo, Adamo Bazani utiliza um exemplo hipotético brasileiro para explicar a ideia: uma venda de vários ônibus a um comprador distante poderia exigir diversas carretas. Com apoio móvel de recarga, os veículos poderiam percorrer os trechos rodoviários da entrega rodando, desde que o trajeto e a energia disponível fossem planejados.

A quantidade de ônibus atendidos e as paradas necessárias dependem da distância, da autonomia dos veículos e da capacidade de energia transportada pelo caminhão.

O sistema mostra que a eletrificação exige planejamento também antes de o ônibus começar a trabalhar: entre a saída do fornecedor e a chegada à garagem do comprador.

Grupo Cabal começou com componentes de freios e passou a representar fabricantes de ônibus



A história do Grupo Cabal começou em 1982, com a comercialização de lonas, pastilhas e outros produtos para sistemas de freios.

A expansão para o mercado de ônibus ganhou dois marcos na década seguinte: a representação da brasileira Caio, em 1997, e da Irizar, em 1998.

Em 2019, o grupo acrescentou a representação da Zhongtong, incluindo ônibus elétricos em seu portfólio.

A sede fica em Colina, na Região Metropolitana de Santiago. A empresa também informa unidades de atendimento em Antofagasta e Talcahuano, alcançando regiões com diferentes demandas de transporte.

Essa trajetória reúne carrocerias urbanas, rodoviárias e veículos elétricos. No caso do i6 Electric, a atuação do grupo conecta duas marcas de seu portfólio em um mesmo produto: Irizar e Zhongtong.

Entrada da Zhongtong no Brasil aproxima o mercado das experiências chilenas

A visita ocorreu no contexto da entrada da Zhongtong no Brasil por meio da TEVX, conforme acompanhado pelo Diário do Transporte.

Além da comercialização de ônibus elétricos, o anúncio inclui a intenção de montar veículos em uma planta brasileira.

As experiências encontradas no Chile ajudam a ampliar essa discussão. De um lado, o Irizar i6 mostra a aplicação da propulsão elétrica em uma configuração rodoviária. De outro, o caminhão de baterias revela uma solução para fazer os ônibus chegarem a compradores distantes, mesmo quando a rede de recarga ao longo do percurso é limitada.

São iniciativas que podem servir de referência para o mercado brasileiro, tanto no desenvolvimento dos veículos quanto na organização de sua entrega às empresas de transporte.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

Assine

Assine para receber as notícias do Diário do Transporte direto em seu e-mail.

Digite seu endereço de e-mail para assinar este blog e receber notificações de novas publicações por e-mail.

Informe Publicitário
Comentários

Deixe um comentário

Descubra mais sobre Diário do Transporte

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo