VÍDEO – Chile: Diário do Transporte mostra Irizar i6 elétrico e caminhão que leva energia para entregar ônibus a clientes distantes
Publicado em: 18 de outubro de 2026
Na sede do Grupo Cabal, em Santiago, reportagem conheceu rodoviário com tecnologia Zhongtong e sistema móvel de recarga que permite levar ônibus rodando até os compradores; visita acompanhou anúncio da representação da fabricante chinesa pela TEVX no Brasil
ADAMO BAZANI
Colaboraram Vinícius de Oliveira e Yuri Sena
Um ônibus rodoviário Irizar i6 movido inteiramente a eletricidade e um caminhão equipado com bancos de baterias e três carregadores mostram duas faces da eletrificação dos transportes no Chile: o veículo que leva passageiros e a estrutura necessária para fazê-lo chegar ao cliente. O Diário do Transporte conheceu as duas soluções nesta sexta-feira, 2 de outubro de 2026, durante visita à sede do Grupo Cabal, na região de Santiago.
O rodoviário combina carroceria Irizar com chassi elétrico Zhongtong. Já o caminhão funciona como uma reserva móvel de energia para acompanhar comboios de ônibus novos durante a entrega a compradores distantes, permitindo recargas pelo caminho. Assim, os veículos podem seguir rodando até o destino, reduzindo a necessidade de contratar carretas para transportá-los individualmente.
O criador e editor-chefe do Diário do Transporte, Adamo Bazani, esteve pessoalmente no local para acompanhar o anúncio da TEVX como representante da fabricante chinesa Zhongtong no Brasil. A entrada no mercado brasileiro prevê a comercialização de ônibus elétricos e inclui a promessa de instalação de uma planta de montagem no País.
Durante a visita, a reportagem registrou em vídeo o Irizar elétrico, seu interior e o caminhão de apoio às entregas. As soluções foram apresentadas no ambiente de uma empresa que reúne a representação de Zhongtong, Irizar e da brasileira Caio no mercado chileno.
Irizar i6 elétrico reúne carroceria rodoviária e chassi chinês
O ônibus encontrado pela reportagem mantém a proposta de um rodoviário, com salão de poltronas individuais, mas utiliza propulsão elétrica a bateria.
A combinação ajuda a entender como diferentes fabricantes participam de um mesmo veículo. A Irizar responde pela carroceria, enquanto a Zhongtong fornece o chassi elétrico, a base sobre a qual o ônibus é construído e que reúne os sistemas de tração.
O Grupo Cabal participou da introdução dessa configuração no Chile. A apresentação oficial do i6 Electric ocorreu em Casablanca, na Viña Casas del Bosque, em um evento com clientes, parceiros e delegações internacionais. O modelo foi desenvolvido em conjunto por Irizar e Zhongtong, com aplicações voltadas aos segmentos interurbano e de mineração.
Essa utilização merece atenção: um ônibus com carroceria rodoviária também pode atender ao transporte fretado de trabalhadores, além das viagens regulares entre cidades.
Nas conversas com executivos da Cabal e da TEVX durante a visita, o transporte de funcionários de mineradoras foi apontado como uma das aplicações dos ônibus elétricos no Chile. Empresas que já utilizavam rodoviários para esses deslocamentos passaram a incorporar veículos com propulsão elétrica.
A eletrificação, portanto, alcança também o transporte de pessoal, um segmento em que itinerários, horários e locais de parada podem ser definidos de acordo com as necessidades de cada contratante.
Um caminhão leva as baterias e os carregadores até os ônibus

A outra curiosidade registrada pela reportagem responde a uma pergunta prática: como entregar um ônibus elétrico a um cliente distante quando faltam pontos de recarga no caminho?
A solução adotada pelo Grupo Cabal é um caminhão que transporta bancos de baterias e três carregadores. Ele acompanha o deslocamento dos ônibus e fornece energia nas paradas necessárias ao longo da entrega.
O funcionamento lembra uma estação móvel de armazenamento e recarga. Em instalações fixas, sistemas de armazenamento de energia em baterias são conhecidos pela sigla BESS, do inglês Battery Energy Storage System. No caso observado pela reportagem, a reserva de energia e os equipamentos de carregamento são transportados pelo caminhão.
Os ônibus seguem por seus próprios meios. Quando precisam de energia, param para receber a recarga e depois retomam o percurso.
O caminhão utilizado tem motorização a diesel. A propulsão dos ônibus permanece elétrica, enquanto o veículo de apoio transporta a estrutura necessária para abastecer suas baterias durante o deslocamento de entrega.
Apoio atende à entrega aos compradores, com recargas nas paradas
A finalidade apresentada à reportagem é logística: levar os ônibus até os clientes.
O caminhão acompanha o comboio durante esse trajeto, e a conexão dos carregadores aos ônibus ocorre com os veículos parados. Esse procedimento permite vencer trechos em que a infraestrutura disponível ainda não atende às necessidades da viagem de entrega.
A vantagem está na possibilidade de compartilhar o apoio entre vários ônibus. Em vez de contratar transporte em plataformas para cada unidade, a empresa organiza um comboio com motoristas e um caminhão que leva a energia necessária às recargas.
No vídeo, Adamo Bazani utiliza um exemplo hipotético brasileiro para explicar a ideia: uma venda de vários ônibus a um comprador distante poderia exigir diversas carretas. Com apoio móvel de recarga, os veículos poderiam percorrer os trechos rodoviários da entrega rodando, desde que o trajeto e a energia disponível fossem planejados.
A quantidade de ônibus atendidos e as paradas necessárias dependem da distância, da autonomia dos veículos e da capacidade de energia transportada pelo caminhão.
O sistema mostra que a eletrificação exige planejamento também antes de o ônibus começar a trabalhar: entre a saída do fornecedor e a chegada à garagem do comprador.
Grupo Cabal começou com componentes de freios e passou a representar fabricantes de ônibus

A história do Grupo Cabal começou em 1982, com a comercialização de lonas, pastilhas e outros produtos para sistemas de freios.
A expansão para o mercado de ônibus ganhou dois marcos na década seguinte: a representação da brasileira Caio, em 1997, e da Irizar, em 1998.
Em 2019, o grupo acrescentou a representação da Zhongtong, incluindo ônibus elétricos em seu portfólio.
A sede fica em Colina, na Região Metropolitana de Santiago. A empresa também informa unidades de atendimento em Antofagasta e Talcahuano, alcançando regiões com diferentes demandas de transporte.
Essa trajetória reúne carrocerias urbanas, rodoviárias e veículos elétricos. No caso do i6 Electric, a atuação do grupo conecta duas marcas de seu portfólio em um mesmo produto: Irizar e Zhongtong.
Entrada da Zhongtong no Brasil aproxima o mercado das experiências chilenas
A visita ocorreu no contexto da entrada da Zhongtong no Brasil por meio da TEVX, conforme acompanhado pelo Diário do Transporte.
Além da comercialização de ônibus elétricos, o anúncio inclui a intenção de montar veículos em uma planta brasileira.
As experiências encontradas no Chile ajudam a ampliar essa discussão. De um lado, o Irizar i6 mostra a aplicação da propulsão elétrica em uma configuração rodoviária. De outro, o caminhão de baterias revela uma solução para fazer os ônibus chegarem a compradores distantes, mesmo quando a rede de recarga ao longo do percurso é limitada.
São iniciativas que podem servir de referência para o mercado brasileiro, tanto no desenvolvimento dos veículos quanto na organização de sua entrega às empresas de transporte.
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes


