Linha 22-Marrom terá audiências em dezembro; projeto prevê 19 estações entre Cotia e Sumaré
Publicado em: 13 de outubro de 2026
Encontros ocorrerão em São Paulo, Osasco e Cotia para discutir impactos ambientais; estudo prevê 31,32 km de extensão total, conexões com quatro linhas e demanda de cerca de 678 mil passageiros por dia no horizonte de 2040
ADAMO BAZANI
O Conselho Estadual do Meio Ambiente convocou três audiências públicas, em dezembro de 2026, para discutir os impactos ambientais da futura Linha 22-Marrom do Metrô, projetada para ligar Cotia à estação Sumaré, na capital paulista, passando por Osasco. Os encontros serão realizados nos dias 1º, 2 e 3, sempre às 17h, com inscrições presenciais a partir das 16h.
O projeto apresentado no estudo ambiental prevê extensão total de 31,32 quilômetros, 19 estações e conexões com as linhas 2-Verde, 4-Amarela, 9-Esmeralda e a futura 20-Rosa. A convocação, publicada no Diário Oficial desta sexta-feira, 9 de outubro, integra o licenciamento ambiental e não representa autorização para começar as obras ou definição de data de inauguração.
Onde serão as audiências e como participar
O primeiro encontro será realizado em São Paulo, o segundo em Osasco e o terceiro em Cotia.
| Data | Local e endereço |
|---|---|
| 1º de dezembro, às 17h | Auditório da Universidade São Judas — Unidade Butantã, Avenida Dr. Vital Brasil, 1.000, Butantã, São Paulo |
| 2 de dezembro, às 17h | Teatro do CEU José Saramago, Avenida João de Andrade, 1.355, Jardim Santo Antônio, Osasco |
| 3 de dezembro, às 17h | Teatro do Colégio Desafio, Rua Ametista, 21, Jardim Nomura, Cotia |
As inscrições dos interessados serão feitas presencialmente, na recepção dos locais, a partir das 16h do dia de cada audiência.
Segundo o edital, o auditório da Universidade São Judas fica ao lado da futura estação Vital Brasil. O CEU José Saramago está a aproximadamente 3,5 quilômetros da futura estação Cohab Raposo. O Colégio Desafio fica ao lado da futura estação Portão.
Haverá transmissão ao vivo pelo canal da Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística, a Semil, no YouTube.
Estudos poderão ser consultados presencialmente a partir de 14 de outubro
O edital informa três pontos de consulta dos estudos ambientais:
| Local | Horários |
|---|---|
| Biblioteca da Universidade São Judas — Unidade Butantã | Dias úteis, das 8h às 21h40 |
| Espaço Ponto de Encontro do CEU José Saramago | Segunda a sexta-feira, das 9h às 19h; sábados, das 9h às 18h |
| Biblioteca Municipal Manuel Batista Cepelos — Rua Professor Manoel José Pedroso, 1.147, Centro, Cotia | Dias úteis, das 8h às 17h |
A disponibilização física começa em 14 de outubro.
O edital também informa que a versão eletrônica do Estudo de Impacto Ambiental e do Relatório de Impacto Ambiental está disponível na página de licenciamento da Cetesb desde 23 de abril de 2026.
Linha terá dez estações em São Paulo, duas em Osasco e sete em Cotia
O traçado de referência conecta o centro de Cotia ao sistema metroferroviário da capital e atende áreas próximas ao eixo da Rodovia Raposo Tavares, além da Cidade Universitária e da região de Pinheiros.
A distribuição indicada no estudo ambiental é de dez estações em São Paulo, duas em Osasco e sete em Cotia.
| Estação prevista | Município | Conexão metroferroviária prevista |
|---|---|---|
| Sumaré | São Paulo | Linha 2-Verde |
| Cardeal Arcoverde | São Paulo | Futura Linha 20-Rosa |
| Faria Lima | São Paulo | Linha 4-Amarela |
| Hebraica-Rebouças | São Paulo | Linha 9-Esmeralda |
| Vital Brasil | São Paulo | — |
| USP–Praça do Relógio | São Paulo | — |
| Hospital Universitário | São Paulo | — |
| Rio Pequeno | São Paulo | — |
| Jardim Sarah | São Paulo | — |
| Reserva Raposo | São Paulo | — |
| Cohab Raposo | Osasco | — |
| Santa Maria | Osasco | — |
| Granja Viana | Cotia | — |
| São George | Cotia | — |
| Cotia–km 26 | Cotia | — |
| Parque Alexandra | Cotia | — |
| Sabiá | Cotia | — |
| Portão | Cotia | — |
| Terminal Cotia | Cotia | — |
São nomes e localizações de referência do projeto em licenciamento.
Sumaré, nesse contexto, é a estação da Linha 2-Verde situada na capital paulista. O ramal não tem como destino o município de Sumaré, na região de Campinas.
Conexões permitirão acesso a outros eixos da rede de transportes
A ligação com a Linha 2-Verde, em Sumaré, permitirá acesso ao eixo da Avenida Paulista e às demais conexões desse ramal.
Em Faria Lima, o projeto prevê integração com a Linha 4-Amarela. Em Hebraica-Rebouças, a conexão será com a Linha 9-Esmeralda.
A quarta conexão prevista é com a futura Linha 20-Rosa, em Cardeal Arcoverde. Como se trata de outro empreendimento planejado, essa integração dependerá também da implantação do ramal correspondente.
O estudo considera ainda a possibilidade de conexão com a futura Linha 24-Quartzo, em Jardim Sarah ou Reserva Raposo. Essa alternativa depende do desenvolvimento do projeto da Linha 24 e não deve ser apresentada como integração já definida.
Projeto prevê metrô subterrâneo, trens de cinco carros e operação automatizada
A solução de referência é de metrô subterrâneo, com trens de cinco carros.
O estudo de caracterização apresenta composições com aproximadamente 110,32 metros de comprimento, 2,65 metros de largura e capacidade de 1.274 passageiros.
Para os cálculos operacionais, foram adotadas velocidade máxima de 80 km/h e velocidade comercial em torno de 40 km/h. A velocidade comercial considera o funcionamento da linha com as paradas nas estações.
O documento analisa uma condição de oferta com intervalo de 100 segundos entre trens, equivalente a um minuto e 40 segundos. Esse número é um parâmetro de projeto, e não um horário operacional já contratado para a futura inauguração.
O cálculo de frota apresenta dois cenários: 48 trens, incluindo reserva, para a demanda estudada; e 58 trens, também com reserva, para a condição de oferta máxima com intervalo de 100 segundos.
A sinalização prevista utiliza comunicação contínua entre trens e equipamentos de controle, com automação de nível GoA4. Nesse modelo, a operação normal pode ocorrer sem condutor a bordo, sob supervisão centralizada e com recursos de segurança e condução manual para situações previstas no sistema.
O projeto também prevê portas de plataforma sincronizadas com as portas dos trens.
Estimativa de 678 mil passageiros por dia corresponde ao horizonte de 2040
O estudo ambiental aponta demanda diária aproximada de 678 mil passageiros, considerando cenários de planejamento com horizonte em 2040.
Esse total é uma projeção do sistema de transporte e não uma previsão de embarques garantida para o primeiro dia de operação.
O documento estima ainda cerca de 893 mil moradores na área de influência direta da linha. São indicadores diferentes: um corresponde à população residente na área estudada; o outro, à demanda projetada de utilização do ramal.
Integração com ônibus será parte do atendimento regional
O projeto contempla integração com o Terminal Metropolitano de Cotia, na estação Terminal Cotia, e com o Terminal Reserva Raposo, na estação de mesmo nome.
Também prevê estruturas de integração com ônibus em outros pontos do traçado. A finalidade é permitir que linhas municipais e intermunicipais levem passageiros aos trens e distribuam os usuários para bairros que não serão atendidos diretamente pelas estações.
O estudo informa bicicletários em todas as estações e estacionamentos de longa permanência em Rio Pequeno, Reserva Raposo, Granja Viana, Cotia–km 26, Parque Alexandra, Portão e Terminal Cotia.
A existência dessas previsões não define, nesta etapa, quais linhas de ônibus serão alteradas, suas frequências ou as condições tarifárias de integração.
Obras exigirão pátio, subestações e estruturas de ventilação e emergência
Além das estações e dos túneis, o empreendimento inclui um pátio em São Paulo e três subestações elétricas primárias, denominadas Alvarenga, Esmeralda e Mesopotâmia.
O estudo relaciona 20 poços que combinam ventilação e saída de emergência, um poço de ventilação e nove estruturas de saída de emergência.
Esses equipamentos são necessários para o funcionamento dos túneis, a segurança e o atendimento de situações excepcionais. Embora a circulação dos trens seja subterrânea, a implantação exige intervenções na superfície para acessos, canteiros e estruturas operacionais.
Estudo estima investimento de R$ 28,38 bilhões
O documento de caracterização do empreendimento apresenta estimativa de investimento de R$ 28,383 bilhões.
Desse total, R$ 26,585 bilhões são indicados para obras civis e R$ 1,798 bilhão para desapropriações.
São valores de planejamento apresentados no estudo ambiental. Não equivalem a contratos assinados, recursos integralmente assegurados ou resultado de licitação das obras.
A audiência pública também não substitui os procedimentos necessários para desapropriações, contratação e execução do empreendimento.
Por que a audiência ambiental é importante para moradores e passageiros
O Estudo de Impacto Ambiental reúne a avaliação técnica do empreendimento. O Relatório de Impacto Ambiental apresenta os principais resultados de maneira voltada à compreensão pública.
As audiências permitem discutir o projeto e seus efeitos sobre moradores, comércio, circulação, vegetação, recursos hídricos e demais elementos do território.
Em uma obra de metrô, também são relevantes os impactos dos canteiros, das escavações, do transporte de materiais e das intervenções necessárias aos acessos e às estruturas de apoio.
As manifestações ajudam a subsidiar a análise ambiental. A realização dos encontros não significa que o projeto tenha recebido todas as licenças exigidas.
Ligação com Cotia passou de proposta de monotrilho a projeto de metrô convencional
O histórico apresentado no estudo ambiental mostra que a ligação foi examinada inicialmente como monotrilho, com grande parte do percurso sobre o eixo da Raposo Tavares.
O desenvolvimento dos estudos apontou dificuldades para implantar a estrutura elevada no canteiro central sem provocar impactos relevantes sobre a circulação durante as obras e sobre a capacidade da rodovia.
Em 2016, o projeto funcional passou a adotar metrô convencional. Estudos posteriores incorporaram atendimento à USP, mudanças de traçado e adequações às novas condições de ocupação da região.
Em junho de 2026, o Diário do Transporte noticiou o início de sondagens em Cotia. Essas investigações do subsolo fornecem informações para definir soluções de engenharia.
A convocação das audiências acrescenta agora uma etapa de participação pública ao licenciamento. O edital não anuncia data de início das obras, tarifa ou inauguração da Linha 22-Marrom.
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes




Vamos ver se agora está estação agora vai sair eu Galdino mora em cotia
Está estação vai ajuda muito nóis Cotianos vamos pra cima metrô