Minas Gerais autoriza desapropriação de 9 mil m² para Estação Barreiro da Linha 2 do metrô de Belo Horizonte

Decreto abrange quatro áreas e permite à concessionária solicitar urgência para obter a posse; ramal terá sete estações e 10,5 quilômetros, com operação completa prevista para março de 2028

ADAMO BAZANI

O Governo de Minas Gerais autorizou a desapropriação de quatro áreas, que somam aproximadamente 9 mil metros quadrados, para a implantação da Estação Barreiro da Linha 2 do metrô de Belo Horizonte. Publicado nesta quinta-feira, 8 de outubro de 2026, o decreto permite que a concessionária Metrô BH conduza os procedimentos para adquirir os terrenos e as benfeitorias existentes, inclusive com pedido de urgência para obter a posse.

A estação será uma das extremidades do ramal que ligará o Barreiro à Nova Suíça, onde haverá conexão com a Linha 1. O projeto completo prevê sete estações e 10,5 quilômetros de extensão, com início da operação integral previsto pela concessionária para março de 2028. Nova Suíça e Amazonas já foram inauguradas, enquanto outras frentes de construção estão em andamento.

O ato publicado agora trata especificamente dos terrenos necessários à Estação Barreiro. A declaração de utilidade pública é uma etapa para viabilizar as desapropriações e não significa que todos os imóveis já tenham sido adquiridos ou desocupados.

Quatro áreas abrangidas pelo decreto somam 9.008,83 metros quadrados

O Decreto NE nº 1.001, assinado em 7 de outubro pelo governador Mateus Simões de Almeida, apresenta quatro perímetros, com área total estimada de 9.008,83 m².

As descrições começam na primeira página do Diário do Executivo e continuam na segunda. O anexo identifica os limites dos terrenos por coordenadas geográficas, distâncias, direções e confrontações com ruas, avenidas e lotes.

Área Principais confrontações descritas
Perímetro I Avenida Álvaro da Silveira, Viaduto Olinto Meireles, Rua Arquiteto Morandi e lotes da quadra 097
Perímetro II Avenida Álvaro da Silveira, Rua Francisco Oliviere e lotes da quadra 084
Perímetro III Avenida Álvaro da Silveira, Rua Francisco Oliviere, Rua Olimpio de Castro e lotes da quadra 085
Perímetro IV Avenida Álvaro da Silveira, Rua Olimpio de Castro, Rua Alvimar Resende e lotes da quadra 086

As quatro descrições representam áreas delimitadas para a intervenção. Não correspondem necessariamente a quatro imóveis ou quatro proprietários, já que cada perímetro pode abranger diferentes parcelas.

O decreto estende a declaração de utilidade pública às benfeitorias eventualmente existentes nos terrenos, como construções e outras intervenções incorporadas aos imóveis. Não apresenta os valores das indenizações.

Concessionária poderá pedir urgência para obter a posse dos terrenos

A Metrô BH S.A. fica autorizada a promover a desapropriação de pleno domínio das áreas, sob fiscalização do ente regulador e conforme o contrato de concessão nº 002/2023.

A expressão “pleno domínio” indica que o procedimento busca a aquisição da propriedade dos terrenos necessários às obras, e não apenas uma autorização temporária para utilizá-los.

O decreto também permite à concessionária alegar urgência para efeito de imissão na posse, com fundamento no artigo 15 do Decreto-Lei Federal nº 3.365/1941.

Na prática, a autorização permite solicitar o acesso antecipado aos terrenos pelo procedimento legal aplicável. O texto não determina uma desocupação automática na data da publicação nem demonstra que a posse já tenha sido concedida.

Linha 2 terá sete estações entre Nova Suíça e Barreiro

A expansão cria uma ligação metroviária entre o Barreiro e a Linha 1, permitindo a continuidade das viagens pela rede existente a partir de Nova Suíça.

O conjunto de estações previsto para o ramal é:

Estação Papel no projeto
Nova Suíça Conexão com a Linha 1
Amazonas Estação do primeiro trecho implantado
Nova Gameleira Atendimento intermediário
Nova Cintra Atendimento intermediário
Vista Alegre Atendimento intermediário
Ferrugem Atendimento no trecho de aproximação ao Barreiro
Barreiro Extremidade do novo ramal

Nova Suíça e Amazonas foram inauguradas em julho de 2026. A implantação das outras cinco estações completa a ligação até o Barreiro.

Segundo a concessionária, a rede metroviária, após os investimentos, tem potencial para atender aproximadamente 270 mil passageiros por dia. Essa estimativa se refere ao sistema, e não exclusivamente à Linha 2.

Novas frentes de obra incluem terraplanagem, contenções e fundações

Em comunicado publicado em 23 de setembro, a Metrô BH informou a mobilização de frentes de trabalho nas futuras estações Nova Gameleira, Nova Cintra e Vista Alegre.

As atividades incluem preparação dos terrenos, terraplanagem, contenções, fundações e estruturas para a implantação do ramal. A etapa dá continuidade à construção da via permanente dupla entre Nova Suíça e Amazonas.

Além das estações, o projeto envolve intervenções na faixa ferroviária utilizada por diferentes serviços.

Segundo os quantitativos divulgados pela concessionária, a implantação prevê 21 quilômetros de trilhos para as duas vias do percurso de 10,5 quilômetros, aproximadamente 35 mil dormentes e mais de 2.500 toneladas de aço.

As estruturas das sete estações somam mais de 21 mil metros quadrados de lajes e elementos pré-moldados. Também está prevista a execução e o remanejamento de aproximadamente sete quilômetros de vias ferroviárias de carga existentes na faixa de domínio.

A previsão de março de 2028 para a operação completa foi reiterada nesse comunicado. Trata-se do cronograma anunciado pela concessionária, não de uma entrega já realizada.

Amazonas passou à operação comercial parcial em 1º de outubro

A expansão até o Barreiro ocorre enquanto o primeiro trecho da Linha 2 já recebe passageiros.

A concessionária encerrou a operação assistida da Estação Amazonas em 30 de setembro. Em 1º de outubro, iniciou a operação comercial parcial, com cobrança de tarifa no embarque.

Conforme o comunicado da Metrô BH, Amazonas passou a funcionar de segunda a sexta-feira, das 5h15 às 23h. Antes, a estação operava em caráter assistido, com acesso gratuito.

Essa mudança não equivale à abertura de toda a Linha 2. O atendimento ao Barreiro depende da conclusão das demais estações e da infraestrutura necessária à operação do ramal completo.

Obras atuais foram iniciadas em setembro de 2024, após longa espera pela ligação ao Barreiro

O início do ciclo atual de construção da Linha 2 foi anunciado em 16 de setembro de 2024 pela concessionária e pelo Governo de Minas Gerais.

Na ocasião, a previsão divulgada era de operação em 2028. A entrega antecipada de Nova Suíça e Amazonas permitiu abrir parte do ramal antes da conclusão de todo o percurso.

O projeto integra a transformação do sistema metroviário, que também inclui intervenções na Linha 1 e aquisição de novos trens. Em maio de 2024, foi anunciada a compra de 24 composições da fabricante chinesa CRRC Changchun, para distribuição entre as duas linhas.

Cada composição foi especificada com quatro carros e sistema de operação automática do trem, conhecido pela sigla ATO. O equipamento auxilia a condução e o controle das viagens.

Decreto viabiliza terrenos para a estação, mas não altera o serviço de ônibus do Barreiro

A publicação desta quinta-feira tem efeito sobre a implantação da infraestrutura da futura estação. Não estabelece mudanças nas linhas de ônibus, nos itinerários ou na integração tarifária da região.

A chegada do metrô ao Barreiro ampliará as possibilidades de deslocamento pela rede sobre trilhos. Entretanto, a organização das conexões com os ônibus e eventuais alterações no atendimento precisam ser definidas e divulgadas pelos órgãos responsáveis.

Para os moradores dos terrenos abrangidos, o documento de referência é o anexo do decreto, que delimita as áreas necessárias à obra. Para os passageiros, o marco operacional continua sendo a conclusão do percurso até o Barreiro, prevista pela concessionária para março de 2028.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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