Após falência da Van Hool, marca segue com a VDL e tecnologia dos ônibus Exqui.City passa à HESS
Publicado em: 2 de outubro de 2026
Dois anos depois da quebra da fabricante belga, a produção de rodoviários continua sob o nome VDL Van Hool, enquanto ex-funcionários assumem na Bélgica o suporte técnico aos ônibus urbanos já em circulação
ADAMO BAZANI
A falência da Van Hool não encerrou a história da marca nem a vida útil dos ônibus que a fabricante colocou nas ruas. Dois anos após a quebra da empresa belga, decretada em abril de 2024, o nome Van Hool permanece no mercado de rodoviários sob o controle do grupo holandês VDL. Outra parte de sua herança industrial, a tecnologia dos ônibus urbanos Exqui.City, passou à fabricante suíça HESS, que abriu na Bélgica uma unidade de suporte formada por antigos funcionários da Van Hool.
A divisão ajuda a explicar a sucessão da companhia: a VDL incorporou ativos e manteve a marca comercial para ônibus rodoviários; a HESS passou a cuidar da tecnologia e da assistência aos Exqui.City em operação; e o negócio de reboques e semirreboques seguiu outro caminho. A HESS afirma que a linha de produção dos Exqui.City não está sendo retomada. Seu trabalho é fornecer peças, apoio técnico e atualizações para que os veículos existentes possam continuar em serviço.
O nome Van Hool continua nos ônibus rodoviários
Após a falência, o grupo VDL adquiriu partes do negócio de ônibus, incluindo a marca, direitos de projeto, equipamentos e a fábrica da Van Hool em Skopje, na Macedônia do Norte. Na Bélgica, em Koningshooikt, manteve atividades ligadas, entre outras áreas, à produção de componentes, assistência e desenvolvimento.
Hoje, a operação integra o VDL Bus Group, que reúne as marcas VDL e Van Hool. O nome usado para a antiga fabricante é VDL Van Hool. A empresa apresenta em seu catálogo rodoviários das famílias T e TDX, com modelos como Acron, Astron e Astromega. Portanto, a falência da companhia familiar fundada em 1947 não significou o desaparecimento da marca dos veículos novos.
A reorganização também deu origem a uma identidade empresarial mais ampla, VDL Bus Group. Isso não deve ser confundido com o lançamento de uma nova marca para substituir Van Hool: o grupo informa que continua trabalhando com os dois nomes, VDL e Van Hool.
No transporte urbano, a estratégia industrial é diferente. A VDL concentra a produção de seus ônibus elétricos Citea na fábrica de Roeselare, na Bélgica. Já os direitos relacionados ao Exqui.City foram posteriormente transferidos à HESS para atendimento à frota existente.
Ex-funcionários mantêm vivo o conhecimento sobre o Exqui.City
A nova unidade HESS Belgium funciona em Heist-op-den-Berg, próxima à antiga base da Van Hool em Koningshooikt. Segundo a Busworld, Geert Van Hecke, responsável pela operação belga e ex-integrante da Van Hool, afirmou que toda a equipe da unidade é formada por antigos funcionários da fabricante.
Esse conhecimento tem aplicação direta para operadores que compraram Exqui.City. Um ônibus de alta capacidade permanece em circulação por muitos anos depois da entrega e depende de componentes, diagnósticos, programas eletrônicos e reparos especializados. A HESS informa que recebeu da VDL Van Hool os direitos de propriedade intelectual ligados ao modelo por meio de uma transferência de tecnologia.
A atuação prevista abrange fornecimento de peças, suporte técnico, atualizações de sistemas e possíveis modificações dos veículos. A unidade belga também pretende atender ônibus de outras marcas e trabalhar com modernização de frotas. Para o passageiro, o efeito mais concreto dessa sucessão é a possibilidade de manter operacionais veículos que poderiam enfrentar dificuldades de manutenção após o fechamento de sua fabricante original.
A continuidade já havia sido posta à prova em Paris. A autoridade de transportes da região havia encomendado 30 Exqui.City elétricos de 24 metros à Van Hool. Cinco tinham sido entregues quando ocorreu a falência. A HESS participou da conclusão dos outros 25, com apoio de parceiros tecnológicos e profissionais que conheciam o projeto.
A fabricante suíça também incorporou, em janeiro de 2026, atividades tecnológicas da Kiepe relacionadas a trólebus. A combinação reúne experiência em veículos elétricos de grande capacidade, sistemas de tração e suporte a frotas durante sua vida útil.
A quebra de uma fabricante com 77 anos
Fundada em 1947, a Van Hool tornou-se uma das fabricantes europeias de referência em ônibus rodoviários, urbanos, trólebus e veículos de grande capacidade. A empresa também produzia reboques e semirreboques e tinha operações na Bélgica e na Macedônia do Norte.
A crise combinou endividamento, dificuldades operacionais e conflitos de gestão ligados à família fundadora. Em 8 de abril de 2024, a Justiça belga decretou a falência da companhia. Na época, o Diário do Transporte informou que as dívidas se aproximavam de 400 milhões de euros e acompanhou as propostas de interessados em adquirir partes do negócio.
A compra acabou sendo dividida entre diferentes grupos. A VDL assumiu ativos relacionados aos ônibus. No setor de implementos, a Schmitz Cargobull e a parceira GRW assumiram atividades ligadas aos reboques da Van Hool. A tecnologia específica do Exqui.City seguiu depois para a HESS.
A separação mostra por que é impreciso apontar uma única sucessora para toda a antiga fabricante. A marca de rodoviários, as atividades industriais, os negócios de implementos e o suporte aos ônibus urbanos tiveram destinos diferentes.
O caso também evidencia uma consequência da falência que vai além da fábrica. Para cidades e empresas que utilizam ônibus de projeto específico, especialmente articulados, biarticulados e trólebus, a continuidade da assistência pode definir por quanto tempo os veículos continuarão atendendo passageiros. No caso do Exqui.City, parte dos profissionais que os desenvolveram e construíram agora trabalha para preservar essa operação.
Relembre a cobertura do Diário do Transporte
- Crise da Van Hool: data da falência ou compra se aproxima e VDL reforça interesse
- Van Hool tem a falência decretada pela Justiça da Bélgica
- Corredor, trólebus, piso baixo e conectividade são tendências para melhorar transportes nas cidades, reportagem que mostrou um trólebus biarticulado da Van Hool apresentado na Busworld.
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes



