Tribunal de Contas impede assinatura de contrato da Ciclopassarela Panorama, que ligará Jardim Panorama à Estação Berrini

Travessia prevista sobre o Rio Pinheiros tem cerca de 515 metros; licitação foi homologada, mas SPObras deve aguardar nova deliberação antes de contratar e iniciar a obra

ADAMO BAZANI

Quem mora no Jardim Panorama e precisa chegar à região da Estação Berrini, da Linha 9-Esmeralda, continuará aguardando a travessia direta prevista sobre o Rio Pinheiros. O Tribunal de Contas do Município de São Paulo determinou que a SPObras suspenda a assinatura do contrato da Ciclopassarela Panorama e a emissão da ordem de início dos trabalhos até uma nova deliberação.

A licitação já havia sido homologada em favor do Consórcio Ciclopassarela HPJ. A decisão publicada nesta terça-feira, 29 de setembro de 2026, mantém a contratação nessa etapa e dá à SPObras cinco dias úteis para informar as providências adotadas. A estrutura foi projetada para atender pedestres e ciclistas, conectar os dois lados do rio e facilitar o acesso ao trem e às ciclovias da região.

O que a passarela pretende mudar no deslocamento até o trem

O Jardim Panorama fica próximo, em linha reta, da área empresarial da Berrini. Entre os dois lados estão o canal do Rio Pinheiros e as pistas das marginais. A ciclopassarela foi concebida para permitir que as pessoas façam essa travessia a pé ou de bicicleta, com ligação à região da estação e às estruturas cicloviárias das duas margens.

Na apresentação técnica mais recente do empreendimento, a extensão total prevista é de aproximadamente 515 metros, com 185 metros entre as vias marginais. O projeto prevê largura útil de 5,8 metros, vão livre máximo de 103 metros e acesso às ciclovias sem que o ciclista precise necessariamente desmontar da bicicleta. São características projetadas, sujeitas aos documentos técnicos e à execução final da obra.

O benefício esperado vai além de uma travessia do rio. A ligação pode encurtar o percurso entre moradia, empregos, serviços e transporte ferroviário em uma região onde a proximidade no mapa hoje não corresponde a um trajeto direto. A apresentação municipal aponta a possibilidade de reduzir a viagem do Jardim Panorama até a Estação Berrini de mais de uma hora para cerca de sete minutos em determinadas condições. Trata-se de uma estimativa do projeto, e não de um tempo de deslocamento já observado.

Por que a obra ainda não pode começar

A decisão do conselheiro relator Ricardo Torres foi tomada no âmbito da fiscalização da concorrência da SPObras e menciona uma denúncia associada ao empreendimento. O despacho publicado determina expressamente que a empresa municipal não assine o contrato com o consórcio vencedor nem emita a ordem de início antes de nova avaliação do TCM.

Isso distingue as etapas da obra. A homologação identifica o resultado da concorrência; a assinatura cria o vínculo contratual para a execução; a ordem de início autoriza o começo dos serviços nos termos do contrato. Foi entre a primeira e as duas etapas seguintes que o tribunal interveio.

O ato publicado não apresenta uma decisão definitiva sobre a licitação. A SPObras deverá responder ao tribunal em cinco dias úteis, e o andamento da contratação dependerá da deliberação posterior. O prazo de execução de 18 meses previsto nos documentos da obra, portanto, não representa uma contagem já iniciada.

Projeto passou por estudos técnicos e ambientais antes da licitação da obra

A proposta vem sendo desenvolvida há anos. A SP Urbanismo contratou levantamentos de campo, estudos geotécnicos, projetos e estudos ambientais, enquanto a SPObras conduziu a etapa voltada à contratação da execução e da gestão ambiental. A travessia integra as intervenções associadas à Operação Urbana Consorciada Faria Lima.

As soluções de engenharia respondem a obstáculos concretos: cruzar o canal e as duas marginais, conectar acessos em níveis diferentes e preservar as condições de circulação nas vias e no rio durante a implantação. São justamente esses detalhes que tornam o empreendimento mais complexo do que uma passarela restrita à largura do canal.

A decisão do TCM incide agora sobre a contratação da obra. Para o futuro usuário, o ponto central é que a ligação ainda depende da resolução dessa etapa antes que haja uma data efetiva para o início da construção.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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Comentários

Comentários

  1. Santiago disse:

    Há muito tempo que os entornos do rio Pinheiros precisam de várias passarelas desse tipo. Especialmente pra quem que vai de transporte público às regiões adjacentes e, na ida ou na volta, depara-se com o rio Pinheiros entre o seu transporte e o seu compromisso diário.

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