Tatuzão atravessa Córrego Aricanduva durante obras de expansão da Linha 2-Verde do Metrô
Publicado em: 28 de setembro de 2026
Monitoramento geotécnico, bombeamento provisório e reforço de galerias foram empregados para proteger redes de esgoto durante a escavação
ARTHUR FERRARI
A tuneladora Cora Coralina, utilizada nas obras de expansão da Linha 2-Verde do Metrô de São Paulo, concluiu a passagem sob o Córrego Aricanduva, na Zona Leste da capital paulista. A operação ocorreu em setembro e exigiu medidas especiais devido à presença de grandes coletores-tronco de esgoto da Sabesp sob a Avenida Aricanduva.
O equipamento avançou a cerca de 10 metros de profundidade em relação ao leito do córrego, em uma região onde movimentações do solo poderiam afetar estruturas subterrâneas. No local estão dois coletores, com diâmetros de 1,2 metro e 2,1 metros, responsáveis pelo transporte de grandes volumes de esgoto.
Para reduzir os riscos durante a escavação, foram instalados sistemas temporários de bombeamento capazes de transferir o esgoto entre poços de inspeção posicionados antes e depois da área de intervenção.
A tubulação de maior diâmetro apresentou as condições mais complexas. O solo mole, o tráfego intenso na Avenida Aricanduva, a profundidade da rede e a existência de estruturas de outras concessionárias impediram a abertura de grandes valas para a instalação de uma tubulação auxiliar convencional.
Como alternativa, uma comporta fabricada sob medida pela Amanco Wavin foi instalada em um dos poços de inspeção. O dispositivo permite controlar o fluxo do coletor e utilizar a própria galeria como estrutura de segurança para absorver vazões excepcionais do córrego em períodos de chuvas fortes.
O coletor de 2,1 metros também receberá uma intervenção permanente de reforço estrutural, já que ficará sobre o futuro túnel metroviário durante a vida útil da obra. Para isso, foi adotado o método Spiral Wound Pipe Rehabilitation (SPR), tecnologia destinada à recuperação de grandes tubulações.
A técnica utiliza um equipamento robótico dentro da galeria existente. A partir da superfície, um perfil de PVC é alimentado continuamente e enrolado em espiral no interior da tubulação. O novo revestimento forma uma estrutura estanque e independente, enquanto o espaço entre as duas tubulações é posteriormente preenchido com graute de alta resistência.
Além do reforço estrutural, o método produz uma superfície interna menos rugosa que a do concreto original, contribuindo para a manutenção da capacidade hidráulica da rede.
Durante a operação da tuneladora, instrumentos de monitoramento geotécnico acompanharam as condições do solo, dos coletores da Sabesp, do canal do córrego e de um gasoduto da Comgás existente na região. Também foram realizadas inspeções robotizadas por vídeo antes e depois da passagem do equipamento.
No coletor de 1,2 metro, o sistema de bombeamento foi complementado por um desvio auxiliar por gravidade, criando uma alternativa adicional para a manutenção do escoamento durante períodos de chuva.
A Cora Coralina já percorreu mais de 1 quilômetro desde o início das escavações na Penha, com 598 anéis de concreto instalados. Atualmente, a tuneladora está entre a futura estação Aricanduva e o VSE Júlio Colaço.
Considerando os dois trechos de escavação da expansão da Linha 2-Verde, o equipamento já executou aproximadamente 4,7 quilômetros de túneis no avanço em direção ao Complexo Rapadura.
Arthur Ferrari, para o Diário do Transporte



