Sistema Rio: acordo judicial antecipou licitação de ônibus, mas Ilha do Governador e Vila Isabel seguem sem novos operadores para 414 veículos
Publicado em: 28 de setembro de 2026
Prefeitura do Rio de Janeiro terá de definir os próximos passos para dois contratos de R$ 417 milhões que ficaram sem interessados; confira a cronologia dos acordos judiciais, os resultados das concessões e os 34 lotes planejados até agosto de 2028
ADAMO BAZANI
A Prefeitura do Rio de Janeiro terá de definir como dará continuidade à concessão dos serviços de ônibus da Ilha do Governador e de Vila Isabel, que ficaram sem interessados na segunda etapa da licitação do Sistema Rio, realizada em agosto de 2026. Os dois contratos representam aproximadamente R$ 417,4 milhões em valores estimados e preveem uma frota de 414 veículos. A antecipação da reorganização do transporte municipal foi estabelecida em um acordo judicial firmado em 2025 entre a Prefeitura, o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro e os quatro consórcios operadores, mas a ausência de propostas para essas áreas criou uma pendência administrativa que ainda precisa ser solucionada.
A reorganização do sistema de ônibus carioca é resultado de um processo iniciado após as dificuldades operacionais e financeiras enfrentadas pelas concessões contratadas em 2010. Um primeiro acordo judicial, firmado em 2022, antecipou o encerramento desses contratos de 2030 para 2028. O segundo, celebrado em abril de 2025, permitiu iniciar a substituição dos operadores antes do vencimento das concessões. Desde então, o Grupo Comporte conquistou dois contratos e começou a operar em Santa Cruz e Campo Grande, enquanto a Sancetur e a Auto Viação Jabour tiveram outros três contratos homologados. O planejamento completo contempla 34 lotes territoriais, distribuídos em cinco fases, com conclusão prevista para 25 de agosto de 2028.
O acordo judicial que deu origem à antecipação das licitações
A antecipação das licitações do Sistema Rio está diretamente relacionada a um acordo judicial celebrado em 30 de abril de 2025.
O entendimento envolveu a Prefeitura do Rio de Janeiro, o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro e os quatro consórcios responsáveis pelas concessões municipais de ônibus: Intersul, Internorte, Transcarioca e Santa Cruz.
É importante distinguir a natureza desse acordo.
A antecipação das licitações foi estabelecida por entendimento judicial entre as partes, e não por uma determinação unilateral do Tribunal de Justiça, do Tribunal de Contas do Estado ou do Tribunal de Contas do Município.
O segundo acordo criou as condições para que a Prefeitura começasse a substituir gradualmente as empresas responsáveis pelas linhas antes do encerramento definitivo dos contratos de concessão existentes.
A administração municipal passou a estruturar uma nova rede de transporte, com contratos territorialmente menores e substituição progressiva dos operadores.
As regiões com resultados operacionais considerados insatisfatórios pelo Município receberiam prioridade.
O planejamento também estabeleceu períodos de transição para permitir a entrada das novas empresas, a disponibilização dos veículos e a implantação da infraestrutura necessária.
Entretanto, o acordo de 2025 não encerrou todas as divergências entre a Prefeitura e os concessionários.
As controvérsias sobre remuneração, subsídios, equilíbrio econômico-financeiro e cumprimento das obrigações contratuais continuaram sendo discutidas judicialmente.
Essas disputas tiveram consequências sobre a segunda etapa da licitação em 2026.
É nesse contexto que devem ser compreendidas tanto a antecipação das concessões quanto as decisões judiciais que posteriormente interferiram no andamento da concorrência.
2010: a origem do sistema que está sendo substituído
A estrutura atual das concessões municipais teve origem na licitação realizada em 2010.
Naquele processo, o transporte convencional da cidade foi dividido entre quatro grandes consórcios: Intersul, Internorte, Transcarioca e Santa Cruz.
Os contratos foram concebidos originalmente para vigorar até 2030.
O modelo concentrou grandes áreas operacionais nas concessionárias e estabeleceu a organização dos serviços de transporte por ônibus durante os anos seguintes.
Entretanto, a execução dos contratos foi acompanhada por divergências econômicas e operacionais entre as empresas e o poder público.
Os operadores passaram a reivindicar a recomposição do equilíbrio econômico-financeiro, enquanto a Prefeitura questionava o cumprimento das obrigações e a qualidade dos serviços prestados.
As divergências se intensificaram ao longo dos anos.
A situação tornou-se especialmente crítica no BRT, cuja recuperação acabaria provocando uma mudança importante nas relações entre a Prefeitura e os concessionários.
2021 e 2022: a intervenção no BRT e o primeiro grande acordo judicial
Em março de 2021, a Prefeitura decretou intervenção parcial na operação do BRT carioca.
Naquele momento, o sistema apresentava problemas relacionados à disponibilidade dos ônibus, às condições das estações e à regularidade dos serviços.
Em fevereiro de 2022, a administração municipal decretou a caducidade parcial das concessões na parte correspondente à operação do BRT.
A medida atingiu os consórcios Internorte, Transcarioca e Santa Cruz.
A operação dos corredores passou para a estrutura pública municipal, por meio da Mobi-Rio.
Paralelamente, continuaram as discussões sobre o transporte convencional.
Em 19 de maio de 2022, depois de quatro audiências de mediação realizadas na 8ª Vara de Fazenda Pública, a Prefeitura, o Ministério Público e os consórcios chegaram a um acordo judicial.
O entendimento estabeleceu alterações importantes.
A Prefeitura passou a complementar a remuneração das concessionárias de acordo com a quilometragem efetivamente realizada e monitorada por GPS.
Os consórcios também renunciaram à retomada da operação do BRT e à participação na nova licitação da bilhetagem digital.
Outra mudança foi a antecipação do encerramento das concessões.
Os contratos, inicialmente previstos para terminar em 2030, passaram a ter como horizonte agosto de 2028.
Portanto, a data de 2028 não surgiu na licitação atual.
Ela foi estabelecida no primeiro acordo judicial, quatro anos antes das concorrências realizadas em 2026.
2025: segundo acordo permite iniciar a substituição das empresas antes de 2028
O segundo acordo judicial foi firmado em 30 de abril de 2025.
Diferentemente do primeiro, que havia antecipado o encerramento dos contratos, esse novo entendimento abriu caminho para a substituição gradual dos operadores antes da data final.
Em 28 de maio daquele ano, a Prefeitura apresentou publicamente os principais elementos da reorganização.
O planejamento previa começar pelas regiões de Campo Grande e Santa Cruz, na Zona Oeste.
A justificativa apresentada pela administração municipal foi priorizar regiões que registravam problemas de desempenho operacional.
O novo desenho também pretendia reduzir a concentração dos serviços e criar condições para a entrada de outros operadores.
Inicialmente, a Prefeitura apresentou uma divisão com 31 lotes, sendo 22 estruturais e nove locais.
Posteriormente, o número de lotes locais aumentou para 12.
Com isso, o planejamento passou a contemplar 34 recortes territoriais.
A diferença entre lotes estruturais e locais está relacionada às características dos serviços.
Os estruturais concentram principalmente ligações de maior alcance e importância na rede.
Os locais são voltados, sobretudo, aos deslocamentos dentro de determinadas regiões ou entre bairros próximos.
Uma característica importante é que esses 34 recortes não correspondem necessariamente a 34 contratos independentes.
A Prefeitura pode reunir diferentes lotes territoriais em uma mesma concorrência, como já ocorreu nas duas primeiras etapas.
Primeira licitação: três lotes colocados em disputa e apenas dois com propostas
A preparação da primeira concorrência começou em 2025.
A consulta pública foi iniciada em julho, concentrando-se inicialmente nas operações de Campo Grande e Santa Cruz.
O primeiro edital foi publicado em 17 de outubro daquele ano.
Entretanto, o documento passou por modificações.
Uma nova versão foi publicada em 1º de dezembro, também posteriormente revogada.
O edital que efetivamente chegou à concorrência foi divulgado em 8 de dezembro.
A licitação contemplava três lotes territoriais.
O A2 abrangia serviços locais de Santa Cruz.
Os outros dois estavam relacionados a Campo Grande: B1, estrutural, e B2, local.
A sessão pública ocorreu em 6 de fevereiro de 2026.
O Grupo Comporte foi o único grupo empresarial interessado na disputa.
Apresentou propostas para os lotes A2 e B2.
O B1 não recebeu interessados.
Diante desse resultado, a Prefeitura precisou reorganizar a implantação do sistema.
O lote B1 seria posteriormente incorporado a outro contrato e colocado novamente em disputa na segunda etapa.
Grupo Comporte assina os primeiros contratos e coloca novos ônibus em circulação
Os primeiros contratos do Sistema Rio foram assinados em 12 de março de 2026.
O Grupo Comporte estruturou duas empresas específicas para executar os serviços.
A Transportes Urbanos Sepetiba, identificada pela sigla TUSE, ficou responsável pelo lote A2, de Santa Cruz.
A Guaratiba Transportes Urbanos, GTU, assumiu o lote B2, de Campo Grande.
A proposta da TUSE estabeleceu remuneração de R$ 9,94 por quilômetro.
A proposta da GTU foi de R$ 11,53 por quilômetro.
Esses valores não representam a tarifa cobrada do passageiro, mas parâmetros contratuais para remunerar a operação.
A implantação começou efetivamente em agosto.
Em 24 de agosto de 2026, a TUSE iniciou suas atividades em Santa Cruz, com 115 ônibus novos.
Em 30 de agosto, a GTU começou a operar em Campo Grande, com outros 54 veículos.
A primeira etapa operacional reuniu, portanto, 169 ônibus.
O planejamento prevê a incorporação de outros 147 veículos até dezembro de 2026.
Com isso, os dois contratos deverão alcançar uma frota conjunta de 316 ônibus.
A entrada dessas empresas também representa uma mudança na estrutura empresarial do transporte convencional carioca, tradicionalmente concentrado nos quatro grandes consórcios.
Segunda licitação: Prefeitura reúne nove regiões territoriais em cinco contratos
Enquanto a primeira etapa começava a ser implantada, a Prefeitura preparou a segunda concorrência.
Em 31 de março de 2026, a administração municipal anunciou a abertura da consulta pública para o dia seguinte.
A consulta ocorreu entre abril e maio e recebeu mais de 905 contribuições.
O edital definitivo foi publicado em 10 de julho de 2026.
A nova concorrência foi organizada em cinco contratos, reunindo nove recortes territoriais.
O A1-B6 abrangia serviços relacionados a Santa Cruz e Guaratiba.
O B1-B8 reunia operações de Campo Grande e Guaratiba.
O C1-C2 correspondia à região de Bangu.
O H1-I3 contemplava a Ilha do Governador e Vila Isabel.
Finalmente, o H2 abrangia serviços locais da Ilha do Governador.
O valor total estimado dos cinco contratos alcançou aproximadamente R$ 1,4 bilhão.
A frota de referência passaria de 907 para 1.420 ônibus.
Entretanto, a licitação ainda enfrentaria obstáculos judiciais antes da realização da sessão pública.
Julho de 2026: disputa judicial interfere no andamento da concorrência
Em 27 de julho de 2026, o Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro suspendeu a liminar que havia permitido o prosseguimento da segunda etapa da licitação.
A decisão criou um novo obstáculo para a concorrência, cuja sessão pública estava marcada para 28 de agosto.
A disputa envolvia o cumprimento do segundo acordo judicial, firmado em 2025, e as condições estabelecidas para a substituição antecipada dos operadores.
Os consórcios questionaram o cumprimento das obrigações econômico-financeiras assumidas pela Prefeitura.
Entre os assuntos discutidos estavam os pagamentos de subsídios e as condições de remuneração dos serviços.
A Prefeitura, por sua vez, apresentou interpretações diferentes sobre os valores e as condições de cumprimento das obrigações.
As divergências também envolveram os critérios de apuração da quilometragem e os indicadores operacionais.
A administração municipal informou que recorreria da decisão para permitir a continuidade da concorrência.
A situação evidencia que o acordo judicial responsável pela antecipação das licitações não eliminou as controvérsias entre o Município e as concessionárias existentes.
O resultado administrativo conhecido posteriormente deve ser distinguido das discussões judiciais sobre o cumprimento do acordo.
A homologação da concorrência identifica os vencedores dos contratos licitados, mas não equivale, isoladamente, à solução definitiva de todas as controvérsias judiciais relacionadas à transição.
28 de agosto: Sancetur e Jabour conquistam três contratos, mas dois ficam desertos
A sessão pública da segunda etapa ocorreu em 28 de agosto de 2026.
A Santa Cecília Turismo, Sancetur, apresentou as propostas selecionadas para dois contratos.
O primeiro foi o A1-B6, que contempla Santa Cruz e Guaratiba.
A empresa ofereceu remuneração de R$ 10,40 por quilômetro.
O segundo foi o C1-C2, relacionado a Bangu, com proposta de R$ 11,78 por quilômetro.
A Auto Viação Jabour apresentou a proposta selecionada para o B1-B8, de Campo Grande e Guaratiba.
O valor oferecido foi de R$ 10,64 por quilômetro.
Entretanto, nenhuma empresa apresentou proposta para os contratos H1-I3 e H2.
A ausência de interessados atingiu justamente os serviços relacionados à Ilha do Governador e a Vila Isabel.
A situação foi posteriormente formalizada na homologação da concorrência.
Em setembro, o Diário do Transporte mostrou que a Prefeitura havia homologado os três contratos com propostas selecionadas e declarado desertos os outros dois.
O resultado deixou uma parte importante da segunda etapa sem novos operadores definidos.
Confira o resultado completo das duas primeiras concorrências
| Lote | Região | Empresa / situação | Frota prevista |
|---|---|---|---|
| A2 | Santa Cruz | TUSE / Comporte | Integrante dos 316 veículos da Etapa 1 |
| B2 | Campo Grande | GTU / Comporte | Integrante dos 316 veículos da Etapa 1 |
| B1 | Campo Grande | Sem proposta na Etapa 1; incorporado ao B1-B8 | — |
| A1-B6 | Santa Cruz e Guaratiba | Sancetur | 311 |
| B1-B8 | Campo Grande e Guaratiba | Jabour | 291 |
| C1-C2 | Bangu | Sancetur | 404 |
| H1-I3 | Ilha do Governador e Vila Isabel | Sem proposta | 241 |
| H2 | Ilha do Governador | Sem proposta | 173 |
Os números representam a frota projetada para cada contrato ou etapa e não devem ser confundidos com a quantidade de ônibus efetivamente em circulação.
No caso dos contratos da segunda etapa que tiveram vencedores, a previsão é ampliar a frota conjunta de 654 para 1.006 veículos.
Os dois contratos desertos possuem, juntos, uma frota de referência atual de 253 ônibus e uma frota projetada de 414 veículos.
Ilha do Governador e Vila Isabel: R$ 417 milhões em contratos permanecem sem operadores definidos
A situação dos contratos H1-I3 e H2 merece atenção porque ambos integram a etapa antecipada pelo acordo judicial.
O H1-I3 reúne serviços estruturais relacionados à Ilha do Governador e a Vila Isabel.
O valor estimado para esse contrato foi de R$ 268.140.150.
A frota prevista passaria de 160 para 241 ônibus.
Já o H2 contempla os serviços locais da Ilha do Governador.
O contrato foi estimado em R$ 149.251.292.
Nesse caso, a frota passaria de 93 para 173 veículos.
Somados, os dois contratos representam aproximadamente R$ 417,39 milhões em valores estimados.
A quantidade projetada de veículos é de 414 ônibus, aumento de 161 unidades em relação à frota de referência considerada na concorrência.
Entretanto, nenhum dos dois contratos recebeu propostas.
O resultado significa que a Prefeitura precisará definir o encaminhamento administrativo dessas áreas.
Uma possibilidade é realizar outra concorrência.
Também existe a alternativa de reexaminar a modelagem e a organização territorial, respeitados os procedimentos administrativos e legais aplicáveis.
Essas são possibilidades, e não decisões que já tenham sido formalmente confirmadas.
A primeira etapa oferece um exemplo de como a Prefeitura pode reorganizar os contratos.
O lote B1, inicialmente oferecido isoladamente, ficou sem interessados em fevereiro.
Posteriormente, foi reunido ao B8 e conquistado pela Jabour na segunda concorrência.
Isso demonstra que os 34 lotes territoriais constituem uma estrutura de planejamento sujeita às decisões administrativas adotadas em cada licitação.
Entretanto, ainda não há elementos suficientes para afirmar que a Prefeitura repetirá o mesmo procedimento com os contratos da Ilha do Governador e de Vila Isabel.
O acordo judicial estabelece o contexto para a antecipação da reorganização.
O resultado da concorrência, por sua vez, exige que a administração municipal avalie as alternativas para concluir a contratação dos serviços.
O que já foi concedido e o que está previsto até 2028: confira os 34 lotes territoriais
O planejamento divulgado pela Secretaria Municipal de Transportes contempla 34 recortes territoriais, sendo 22 estruturais e 12 locais.
A divisão estabelece cinco fases, com implantação escalonada até agosto de 2028.
A relação a seguir apresenta todos os lotes territoriais previstos, as regiões abrangidas e a situação identificada até 28 de setembro de 2026.
É importante destacar que os códigos alfanuméricos foram mantidos apenas nos lotes já identificados oficialmente nas concorrências realizadas.
Nas fases futuras, os recortes são apresentados pelas regiões divulgadas no planejamento municipal.
Também é necessário considerar que áreas inicialmente previstas para fases posteriores foram antecipadas e incorporadas a contratos já homologados.
Por isso, a situação individual de cada recorte poderá ser alterada conforme o resultado das próximas concorrências.
Tabela: os 34 lotes previstos no Sistema Rio
| Fase | Lote / região | Tipo | Situação |
|---|---|---|---|
| 1 | B1 – Campo Grande | Estrutural | Homologado à Jabour no B1-B8 |
| 1 | B2 – Campo Grande | Local | GTU / Comporte; em operação |
| 1 | A2 – Santa Cruz | Local | TUSE / Comporte; em operação |
| 2 | C1 – Bangu | Estrutural | Homologado à Sancetur no C1-C2 |
| 2 | H1 – Ilha do Governador | Estrutural | H1-I3 sem proposta |
| 2 | A1 – Santa Cruz | Estrutural | Homologado à Sancetur no A1-B6 |
| 2 | I3 – Vila Isabel | Estrutural | H1-I3 sem proposta |
| 2 | C2 – Bangu | Local | Homologado à Sancetur no C1-C2 |
| 2 | H2 – Ilha do Governador | Local | Sem proposta |
| 3 | Barra da Tijuca | Estrutural | Previsto |
| 3 | Freguesia | Estrutural | Previsto |
| 3 | Realengo | Estrutural | Previsto |
| 3 | Recreio | Estrutural | Previsto |
| 3 | São Cristóvão | Estrutural | Previsto |
| 3 | Taquara | Estrutural | Previsto |
| 3 | Barra da Tijuca | Local | Previsto |
| 3 | Jacarepaguá | Local | Previsto |
| 3 | Penha | Local | Previsto |
| 4 | Campo Grande Sul | Estrutural | Previsto |
| 4 | Irajá | Estrutural | Previsto |
| 4 | Méier Norte | Estrutural | Previsto |
| 4 | Pavuna | Estrutural | Previsto |
| 4 | Penha | Estrutural | Previsto |
| 4 | Praça Seca | Estrutural | Previsto |
| 4 | Campo Grande Sul | Local | Previsto |
| 4 | Guaratiba Leste | Local | Parcela antecipada no B1-B8 |
| Final | Madureira | Estrutural | Previsto |
| Final | Tijuca | Estrutural | Previsto |
| Final | Anchieta | Estrutural | Previsto |
| Final | Méier Sul | Estrutural | Previsto |
| Final | Zona Sul | Estrutural | Previsto |
| Final | Guaratiba Oeste | Local | Parcela antecipada no A1-B6 |
| Final | Madureira | Local | Previsto |
| Final | Centro Sul | Local | Previsto |
Os lotes B6 e B8, relacionados a Guaratiba, demonstram que o planejamento não deve ser interpretado como uma sequência rígida de 34 contratos.
A Prefeitura antecipou parcelas desses serviços e as incorporou aos contratos A1-B6 e B1-B8.
Também é necessário distinguir os lotes territoriais previstos dos contratos efetivamente homologados.
Até o momento, foram realizados dois procedimentos licitatórios, com cinco contratos adjudicados e homologados a empresas: dois para o Grupo Comporte, dois para a Sancetur e um para a Jabour.
Outros dois contratos da segunda etapa foram declarados desertos.
A quantidade de áreas territoriais abrangidas pelos contratos homologados é maior do que a quantidade de instrumentos contratuais, justamente porque a administração municipal passou a reunir diferentes recortes.
Terceira fase: Barra da Tijuca, Jacarepaguá, Realengo e outras regiões entram no planejamento
O cronograma-base prevê a terceira fase entre abril de 2026 e abril de 2027.
São nove lotes territoriais, sendo seis estruturais e três locais.
Entre os estruturais estão Barra da Tijuca, Freguesia, Realengo, Recreio, São Cristóvão e Taquara.
Os três locais abrangem Barra da Tijuca, Jacarepaguá e Penha.
A presença de diferentes regiões numa mesma fase mostra que a reorganização não está limitada à substituição de empresas dentro dos limites de cada bairro.
Os serviços estruturais e locais possuem características diferentes e podem exigir articulação para manter a continuidade das viagens e as conexões entre regiões.
Também é necessário considerar a integração com o BRT, o transporte ferroviário e os demais serviços municipais.
A programação para essa fase, entretanto, deve ser entendida como planejamento.
As alterações realizadas nas concorrências anteriores demonstram que a organização dos contratos poderá sofrer modificações.
Quarta fase: Campo Grande Sul, Irajá, Méier Norte, Pavuna e Penha
A quarta fase foi inicialmente programada para o período entre novembro de 2026 e novembro de 2027.
O planejamento contempla oito lotes territoriais.
São seis estruturais, relacionados a Campo Grande Sul, Irajá, Méier Norte, Pavuna, Penha e Praça Seca.
Também aparecem dois locais: Campo Grande Sul e Guaratiba Leste.
A inclusão dessas regiões dará continuidade à substituição gradual da estrutura de concessões implantada em 2010.
Entretanto, parte dos serviços locais de Guaratiba Leste já foi antecipada na segunda etapa.
A Prefeitura reuniu esses serviços ao lote B1, formando o contrato B1-B8, homologado à Auto Viação Jabour.
Essa antecipação significa que a relação originalmente divulgada para a quarta fase não deve ser interpretada como uma garantia de que todos os recortes serão novamente licitados de maneira independente.
A definição dos próximos contratos dependerá da modelagem administrativa adotada para cada etapa.
Fase final: Zona Sul, Tijuca, Madureira e outras regiões até agosto de 2028
A última fase do planejamento está prevista para ocorrer entre setembro de 2027 e agosto de 2028.
Nessa etapa, estão incluídos oito lotes territoriais.
Os cinco estruturais correspondem a Madureira, Tijuca, Anchieta, Méier Sul e Zona Sul.
Os três locais abrangem Guaratiba Oeste, Madureira e Centro Sul.
Assim como aconteceu na quarta fase, parte dos serviços de Guaratiba originalmente prevista para o período final foi antecipada.
O recorte B6, relacionado a Guaratiba Oeste, acabou incorporado ao contrato A1-B6, homologado à Sancetur.
A previsão municipal é concluir a transição em 25 de agosto de 2028, com a implantação da chamada Rede Plena Expandida.
Essa data corresponde ao horizonte estabelecido para o encerramento das concessões antigas.
Entretanto, a conclusão depende da realização das próximas licitações, da contratação das empresas, da disponibilização da frota e da solução das questões administrativas e judiciais que possam interferir na transferência dos serviços.
O que muda para as empresas e para os passageiros no novo modelo de concessão
Além da redistribuição territorial dos serviços, o Sistema Rio apresenta mudanças na forma de remuneração dos operadores e no controle da operação.
As novas concessões comuns possuem prazo inicial de dez anos, com possibilidade de prorrogação por até igual período, observadas as condições contratuais.
Uma das principais alterações está na remuneração.
O novo modelo considera a quilometragem contratada e efetivamente realizada, além dos mecanismos de avaliação operacional previstos.
A remuneração contratual é diferente da tarifa pública paga pelos passageiros.
O usuário continuará pagando a passagem estabelecida pelo Município, utilizando o sistema de bilhetagem Jaé.
As empresas, por sua vez, serão remuneradas de acordo com os parâmetros dos contratos.
Quando a receita tarifária for insuficiente para cobrir a remuneração contratual, a Prefeitura poderá precisar complementar os pagamentos por meio de subsídios.
Essa estrutura modifica a distribuição dos riscos relacionados à quantidade de passageiros transportados.
A administração municipal também pretende ampliar o acompanhamento das viagens, utilizando informações de localização, programação operacional e indicadores de desempenho.
O planejamento prevê um Centro de Controle integrado ao Centro de Operações e Resiliência, permitindo acompanhar a circulação dos veículos e identificar ocorrências operacionais.
A estrutura também contempla novas garagens públicas e exigências relacionadas à renovação da frota.
Os ônibus definitivos deverão atender às especificações estabelecidas nos editais, incluindo acessibilidade, climatização e equipamentos de monitoramento.
As condições técnicas e os cronogramas específicos dependerão dos contratos de cada etapa.
Financiamento: Fundo de Mobilidade também participa da reorganização
A implantação do novo sistema envolve investimentos em veículos, garagens, equipamentos e infraestrutura operacional.
Também exige recursos permanentes para remunerar os serviços.
Em setembro de 2026, o Diário do Transporte mostrou que o Conselho do Fundo Municipal de Mobilidade Urbana Sustentável aprovou a utilização de recursos para subsidiar os contratos de transporte coletivo.
A decisão foi tomada em reunião realizada em 4 de setembro.
Na ocasião, foram apresentados dados financeiros que indicavam aproximadamente R$ 33,6 milhões apurados em diferentes fontes até julho.
Entretanto, a aprovação da utilização do fundo para pagamento de subsídios não significa que todo esse montante tenha sido automaticamente destinado aos operadores.
A importância da decisão está relacionada à estrutura de financiamento do novo modelo.
Com a separação entre a tarifa paga pelo passageiro e a remuneração contratual das empresas, a Prefeitura precisa administrar as receitas arrecadadas e os recursos destinados à complementação dos pagamentos.
Essa estrutura também integra as discussões econômicas e judiciais entre a administração municipal e os atuais concessionários.
Os próximos passos para Ilha do Governador e Vila Isabel
A situação da Ilha do Governador e de Vila Isabel representa uma pendência específica dentro de um processo mais amplo de reorganização.
Os dois contratos desertos contemplam 414 ônibus projetados e aproximadamente R$ 417,4 milhões em valores estimados.
A ausência de propostas não equivale à suspensão automática dos serviços existentes.
A continuidade das operações durante a transição permanece vinculada aos instrumentos administrativos e contratuais aplicáveis.
A Prefeitura precisará definir como realizará a contratação das novas operações.
Para isso, será necessário considerar o resultado da concorrência anterior, as condições estabelecidas no planejamento e as exigências legais relacionadas à contratação dos serviços.
Também será importante compatibilizar as decisões com os acordos judiciais que estabeleceram as condições de antecipação e encerramento das concessões antigas.
O calendário geral continua tendo agosto de 2028 como horizonte de conclusão.
Entretanto, a situação dos dois contratos evidencia que o cumprimento desse planejamento depende da realização de novas etapas administrativas e da resolução das questões que ainda permanecem em discussão.
Para os passageiros da Ilha do Governador e de Vila Isabel, as próximas decisões deverão esclarecer quando ocorrerá a substituição dos operadores, quais serviços serão contemplados e como serão executadas as metas de ampliação da frota e reorganização das linhas.
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes



